Políticos e empresários da terra de Lobato opinam sobre a grave crise política apimentada com a opinião do presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes sobre áudios e informações vazadas, a importância da Lava-Jato e a resposta dura do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot

 

Na terça-feira, 21, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), criticou a Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal por supostamente terem vazado informações da Operação Carne Fraca e da Lava-Jato. De acordo com o ministro, vazar informações de processos em sigilo é “uma forma de chantagem explícita e implícita”.

Em sessão no Supremo, Mendes acusou a PGR de se julgar “acima da lei” e de “vazar” para a imprensa nomes de políticos que serão investigados na Operação Lava Jato. Criticou especialmente Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, que teria concedido “entrevista coletiva em off”- quando a fonte não é citada – com os veículos de comunicação. “As investigações devem ter por objetivo produzir provas, não entreter a opinião pública ou demonstrar autoridade”, afirmou.

Rodrigo Janot

Rodrigo Janot

Na quarta-feira, 22, em evento da Escola Superior do Ministério Público da União, em comemoração aos três anos da Lava Jato, Janot classificou como mentira que beira a irresponsabilidade a informação reproduzida por Gilmar Mendes de que a PGR teria feito “coletiva em off” para repassar nomes da lista da Odebrecht para jornalistas, conforme declarou o ministro.

CONTATO publicou um artigo sobre o caso que pode ser lido AQUI.

Autoridades políticas e empresários de Taubaté opinaram sobre as críticas de Gilmar Mendes.

 

Antônio Augusto Oliveira, empresário e diretor titular do CIESP/FIESP

“Eu vejo as investigações como um divisor de águas para o Brasil. Quanto à postura do Ministro [Gilmar Mendes], eu acho lamentável. Um comportamento desproporcional e fora do contexto no qual o País vive. Lamentável. Janot está cumprindo o papel dele. Os áudios vazados não tiram o mérito das investigações. Acredito até que é forma de informar a população do que realmente está acontecendo”.

José Antonio Saud

José Saud, presidente da ACIT

“ A Lava-Jato deve ir até o fim para organizar o País. Basta de jogar dinheiro no ralo. Se forem comprovados os crimes, os políticos devem ir para a cadeia sim. Não concordo com Gilmar Mendes. Sempre haverá áudios e informações vazadas e nem por isso as investigações serão comprometidas. Temos que ter o foco no errado. Hoje em dia o delator é considerado criminoso de alto nível. O importante não são essas informações vazadas, mas todo o contexto da investigação”.

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Pollyana Gama (PPS), deputada federal

“Temos que separar o joio do trigo. Estamos em uma época de denuncismo exacerbado o que pode acabar criando injustiças. Sou super a favor da Lava-Jato e acredito que devemos zelar por um processo transparente. Não devemos cair na generalização para não causar danos como foi a operação Carne Fraca. Era uma situação isolada apenas, que teve um efeito desproporcional. [Quando] candidata a prefeita de Taubaté, fui acusada irresponsavelmente pelo candidato do PSOL. A Justiça não aceitou [a denúncia] porque não havia fatos. E agora o dano está feito. Não é para fecharmos os olhos, mas devemos ter muita responsabilidade”.

DIEGO FONSECA (1)

Diego Fonseca (PSDB), presidente da Câmara Municipal

“A Operação Lava-Jato deve continuar e combater toda a corrupção que há no Brasil. Sou a favor de que todas as informações devem ser apuradas e utilizadas, inclusive os áudios e dados vazados. Assim como o cidadão comum, o povão, responde a todas consequências. O que o ministro [Gilmar Mendes] disse é apenas para desqualificar as investigações e assim salvar meia dúzia de coronéis. É um discurso vazio para desviar a atenção”.

 

Guilherme Vianna, presidente da OAB de Taubaté

“Em um processo e investigações que tramitam em segredo, expor o vazamento de áudios e informações é uma afronta ao Estado de Direito, pois pode haver a seleção do que será exposto. Vazar informações por alguém em uma posição privilegiada é uma afronta, pois pode somente escolher informações contra quem está sendo julgado. E [como fica] a defesa? Este tipo de situação não pode ser analisada levemente. Gilmar Mendes já foi Procurador Geral da República, então ele conhece muito bem a posição. Porém, como Ministro não poderia ter dito todas aquelas críticas em uma sessão do STF. Ainda mais porque qualquer opinião dele, devido a importância do cargo, gerará publicidade. Mas também, caso seja comprovado que Janot vazou informações de um processo em sigilo, a Procuradoria está errada”.