Fui surpreendido na noite de ontem, terça-feira. Convidado pelo vereador João Vidal (PSB), fui a uma reunião com duas meninas maravilhosas: Talita Cadeirante e Tabata Amaral. Meninas porque elas têm 29 e 32 anos respectivamente. As duas nasceram na periferia de São Paulo e de Taubaté. As duas foram praticamente criadas pelas mães que aprenderam com a vida dura e sofrida que só a educação poderia tirar as filhas do futuro anunciado pela realidade da vida vivida até então. Tabata é deputada federal e Talita é vereadora em Taubaté. Ambas são filiadas ao Partido Socialista Brasileiro (PSB),
Na reunião, ouvi atento aos relatos sobre a periferia onde haviam crescido e criadas na Vila Missionária na Zona Sul de São Paulo e no Parque Aeroporto, na terra de Lobato. À primeira vista, o destino das duas meninas já estava traçado. Ledo engano!
Vereadora Talita Cadeirante (PSB)
O pai de Tabata que fora cobrador e motorista de ônibus se suicidou aos 39 anos em 2012 após longo período de dependência química – álcool e crack – e falta de suporte adequado para sua saúde mental. Ele se suicidou na mesma semana em que Tabata com apenas 18 anos foi aceita e recebeu uma bolsa para estudar em Harvard, nos Estados Unidos. Fez uma carreira acadêmica brilhante e decidiu abraçar de corpo e alma a educação como objetivo de vida e a política como caminho a seguir.
Talita ficou cadeirante aos 17 anos, consequência de uma doença autoimune. Ela afirma que a deficiência a tornou política, depois que descobriu que não teria como superar as dificuldades em situações cotidianas, como usar um ônibus ou chegar a um local sem transporte automotivo. Essas dificuldades a conduziram para a militância política. No início, organizando manifestações e denúncias sobre a falta de equipamentos e recursos para a mobilidade de deficientes.
Foi convencida a se lançar candidata a vereadora em 2020. Fez uma campanha praticamente sem recursos. Fazia “pedágio” nas vias públicas e muitas vezes os motoristas confundiam como pedintes as pessoas envolvidas com suas propostas e ofereciam moedas. Aos 23 anos, foi a vereadora mais jovem naquele mandato. E repetiu a performance em 2024.
Talita conta que só conseguiu fazer curso universitário graças aos esforços de sua mãe que lhe deu todo apoio e a acompanhava diariamente à escola, apesar de ser funcionária de uma empresa comercial.
Deputada Federal Tabata Amaral (PSB)
No evento de ontem, Tabata e Talita relataram as ameaças que sofreram e ainda sofrem por causa de suas atividades políticas. A deputada federal afirma que tem o “privilégio” de dispor de uma segurança pessoal por parte da polícia legislativa de Brasília. Mas esse fato não impede as ameaças de violências físicas,
Talita explica seu sucesso eleitoral em Taubaté = foi a mulher mais votadas nas duas últimas eleições = pela luta que trava “pelas pessoas com deficiências, pelo direito das mulheres e pela educação pública de qualidade”. Afinal, “a política também é lugar de gente como eu, de gente com a nossa cara. Esse é o nosso jeito de caminhar”.
Saí do evento com a alma lavada por ter descoberto que existe uma nova geração atuando e se preparando para assumir a responsabilidade que exige cada vez mais gente como Talita e Tabata. E por ter descoberto tudo isso com tempo para migrar meus votos para essas duas estrelas que precisam brilhar e iluminar mentes ainda contaminadas pelas mentiras e bancadas pelo dinheiro sujo da corrupção em todas as suas formas.


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