(Texto selecionado pela Redação para facilitar o entendimento desse imbróglio)

A 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira, 18, é o instante em que o Caso Master chega mais perto do PT e do Palácio do Planalto. O grupo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — que vinha surfando nos ataques aos opositores envolvidos no escândalo — agora vê Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, ex-ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff e amigo de décadas de Lula, como alvo das investigações.

O senador é investigado por suspeita de receber vantagens indevidas, incluindo tratativas de um imóvel de luxo em Salvador, e propinas operacionalizadas por empresa de um familiar para ocultar recursos de corrupção e lavagem de dinheiro no esquema do banqueiro Daniel Vorcaro.

Com o aval de Wagner, o Master ganhou o monopólio do CredCesta na Bahia, programa de crédito consignado para servidores públicos e o principal ativo financeiro do banco. A partir daí, as relações políticas de Vorcaro se expandiram por todo o Estado e o banco também assumiu a carteira do programa em outras gestões País afora.

A operação também mira Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro e dono do liquidado Banco Pleno. Augusto era a ponte e o operador do CredCesta na Bahia, com interlocução direta no núcleo duro do PT baiano enquanto Wagner atuava no Executivo local. Em 2017, Jaques Wagner assumiu o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, a convite do então governador Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil de Lula.

Os desdobramentos acendem o alerta sobre outras relações com o PT, que governa a Bahia de forma ininterrupta desde que o “galego” — como Lula se refere carinhosamente a Jaques Wagner — assumiu o governo em janeiro de 2007. Nos bastidores da Polícia Federal e do STF, o incômodo dos investigadores era evidente. O fato de o embrião do Caso Master ter nascido no CredCesta da Bahia já era de conhecimento público. Mesmo assim, as fases anteriores da operação nunca haviam tocado nos alvos desse núcleo político.

Porém, há mais um fator que não pode ser ignorado sobre o impacto desta fase. Quanto mais as investigações avançam sem distinção política partidária ou de origem do poder — Executivo, Legislativo e Judiciário —, maior é o risco de a geleia geral virar um “melhor deixar pra lá, para salvar todo mundo;

Investigadores, por exemplo, manifestam preocupação de o caso se arrastar para depois das eleições e terminar sendo “abandonado”. Isso seria um escárnio e a desmoralização da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e do STF, diante de tudo o que já se sabe.