Ministro do STF, ex-advogado do Partido dos Trabalhadores e ex-assessor de José Dirceu, ministro Dias Toffoli paga à ex-mulher R$ 50 mil por mês, bem mais do que os R$ 33 mil que recebe por mês da Corte Suprema

Essa matéria exige um preâmbulo. Pouquíssimas pessoas conhecem ou leem a -revista semanal eletrônica Crusoé, um produto da turma d’O Antagonista. A esquerda odeia e classifica esse pessoal – Diogo Mainardi, Mário Sabino e Cláudio Dantas – de fascista. A direita odeia por outros motivos: eles, aparentemente, não têm qualquer compromisso político ideológico e muito menos partidário. Além disso, Crusoé só dispõe de edição eletrônica para assinantes e possui dispositivos que impedem sua reprodução (copia e cola). Lançada em 04 de maio desse ano, embora recheada de reportagens bombásticas, a grande imprensa simplesmente a ignora. Perguntei a dois editores de respeitáveis publicações a razão desse silêncio. Um respondeu com pouco caso: “Não tem nada de novo!” O outro abriu o jogo: “Um dos editores foi da nossa revista e a empresa não admite”. Pronto. Chega!

Posse Toffoli

Lula dá posse ao ministro Dias Toffoli no STF, ao lado de esposa Roberta Rangel

Bomba da semana

José Antonio Dias Toffoli é ministro do Supremo Tribunal Federal e deverá assumir muito em breve a presidência da corte. Crusoé descobriu que essa estranha figura que migrou da militância petista para aliado incondicional de Gilmar Mendes, o juiz do STF que liberta os condenados da operação Lava Jato, recebe uma mesada de R$ 100 mil de sua mulher “Roberta Maria Rangel, sua ex-sócia na advocacia eleitoral”. Essa quantia é três vezes maior do que ganha enquanto ministro.

A sociedade entre os dois começou bem antes do casamento em 2013. A mesada é paga religiosamente através do Banco Mercantil do Brasil. Já somam cerca de R$ 4,5 milhões. Embora a conta seja conjunta, os fatos falam mais alto.

A conta tem um procurador devidamente autorizado a movimenta-la. Trata-se de Ricardo Newman de Oliveira, servidor de carreira do Banco do Brasil, um assessor de Toffoli no STF que paga suas contas pessoais, como por exemplo R$ 50 mil mensais para Mônica Ortega, ex-mulher do ministro. Ela foi funcionária da Casa Civil do Palácio do Planalto no governo Lula, quando o hoje ministro também trabalhava, desde José Dirceu o empregou em 2003. Curiosamente, a mesada de Mônica é maior do que o salário de ministro de R$ 33 mil. Além disso, Newman já figurou como destinatário de parte do dinheiro que entra na conta do ministro, que já somam R$ 150 mil, com a devida autorização de Toffoli.

Newman assessor

Crusoé denuncia que, em 2015, a área técnica do Banco Mercantil do Brasil detectou indícios de lavagem de dinheiro nas transações envolvendo a conta de Toffli, mas desconsiderou a regra que manda que as transações tidas como suspeitas sejam reportadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, órgão de inteligência do Ministério da Fazenda e responsável pelo seu encaminhamento às autoridades competentes como Polícia Federal e Ministério Público.

Não para por aí

Roberta Rangel, esposa do ministro, é um exemplo raro de sucesso repentino nas bancas de Brasília. Discreta, seu escritório é identificado pelo tapete enquanto sua carteira de processos contém centenas de clientes enrolados com o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral, com causas milionárias.

No STJ, Roberta atuou num processo de disputa de terra no estado de Mato Grosso que envolvia plantações de soja. Em Brasília, uma das partes contratou o escritório do advogado Sérgio Bermudes, que tem como sócia Guiomar Mendes, esposa do ministro Gilmar Mendes. A outra parte contratou a mulher de Toffoli. “Quem ganhou a ação? Os dois escritórios. O embate foi encerrado porque, no fim do ano passado, as partes fizeram um acordo. Os honorários não são discriminados. Mas o documento, obtido por Crusoé, deixa claro que Roberta Rangel se deu bem com o acerto”.

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Presidente Temer e Toffoli, futuro presidente do STF: riem do quê?

Conclusão

O silêncio que paira sobre todas as denúncias já feitas por Crusoé tem que ter alguma explicação. Um outro jornalista, editorialista, colunista e otras cositas mas da grande imprensa talvez tenha dado a resposta que de tão sincera possa parecer ingênua: “São todos vagabundos (jornalistas de grandes redações). Têm recursos, gente e o escumbau mas não fazem nada. Aliás. Não fazem mais jornalistas como antigamente”.

Pode ser.