Presidente Lula chamou de “pilantra” Roberta Luchsinger que seria amiga e sócia do filho Lulinha

Estava tudo certo. A paz teria voltado a reinar em Brasília. Lula, Davi Alcolumbre (presidente do Senado) e Hugo Mota (presidente da Câmara) trocaram afagos em público. Tudo devidamente registrado pela grande imprensa. O interior não foi esquecido pelo generoso Palácio do Planalto que distribuiu a quem pediu e a todos que geralmente são esquecidos as imagens profissionais registradas por Ricardo Stucker, fotógrafo oficial da pessoa física e institucional do presidente Lula.

Ledo engano!!

Mesmo os mais vividos e preparados se enganam. Ou são enganados pela boca que, sem controle, se torna uma poderosa arma. Para o ataque ou para a defesa. O palco foi o estúdio da rede Globo na noite de quinta-feira 27. Durante a entrevista, Lula disse nunca ter se encontrado com a lobista Roberta Luchsinger, sócia de seu filho, Lulinha. Acontece que existem pelo menos dois registros públicos dos dois.

No começo da entrevista, Tralli, jornalista da Globo, informa que em um inquérito da Polícia Federal há indícios de que seu filho teria atuado junto ao Palácio do Planalto para agendar uma reunião entre essa lobista e o então secretário executivo do Ministério da Saúde. E “a lobista avisa seu filho que chegou a Brasília e ele responde, que ótimo, vai com tudo. É uma relação adequada, candidato?”

Lula responde: (…) “O que uma pilantra pode fazer no telefone? (…) Eu estou dizendo para você que o fato de ter pego conversa no telefone não justifica a absolutamente nada”. Estava armada a confusão.

Lula presidente e candidato na entrevista à Rede Globo na quinta-feira 27

No sábado 29, a jornalista Bela Megale do jornal O Globo manchetou “aliados de Lula tentam conter lobista após Lula chamá-la de “pilantra””. Megale continua: “A lobista se sentiu como o único nome rifado por Lula, que defendeu o filho Fábio Luís, o ex-líder do governo Jaques Wagner e também fez gestos em direção ao seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Por ora, os aliados de Lula tentam evitar que a lobista dê uma entrevista para falar das acusações que pesam sobre ela, de sua relação com o governo federal e com o filho do presidente”.

Afinal, quem é a lobista Roberta Luchsinger que há anos transita descontraída pelo mundo político em Brasília, Rio, Sampa, Europa e por aí vai. E não é de hoje. Há quase 20 anos ela se casou com Protógenes de Queiroz, então delegado da Polícia Federal responsável pelo inquérito que envolvia Daniel Dantas, banqueiro e empresário brasileiro, fundador do Banco Opportunity, uma instituição especializada em gestão de ativos. Foi um escândalo monumental que envolvia a disputa empresas como a Telecom. As bigtechs estavam começando a sair dos ninhos no Brasil. Briga de cachorro grande.

Protógenes passou a desconfiar da própria PF. Pediu apoio ao Governo Federal presidido pelo mesmo Lula em seu segundo mandato que teria disponibilizado os recursos humanos e técnicos da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência). Esse fato provocou uma disputa dentro da própria PF como a ramificação e apoio de outras áreas como o próprio STF que teria sido “vítima” de gravações clandestinas.

Candidato Lula com a socialite Roberta na campanha de 2022

Protógenes foi afastado da PF e posteriormente expulso. Nessa fase casou-se com Roberta ainda jovenzinha, foi eleito deputado federal por São Paulo e vive como exilado político há mais de 10 anos na Suíça. Esteve em Taubaté e foi entrevistado por mim e pelo então repórter Marcos Limão, hoje conceituado advogado especializado em direito eleitoral.

Roberta Luchsinger é a grande incógnita. Qual será a reação da banqueira de esquerda, neta de um dos acionistas do Banque Suisse, que teria doado R$500,00 em joias e outros bens valiosos em agosto de 2017 quando Lula, então ex-presidente estava com os bens bloqueados pela Operação Lava Jato. Roberta tirou de dentro de uma bolsa Hermès (francesa) um cheque ao portador no valor de 28 mil francos suíços. Em seguida, ela separou um Rolex (suíço), uma mala Rimowa (alemã), um vestido Dolce & Gabbana (italiano) e um anel de diamantes da grife brasileira Emar Batalha. Tudo para Lula penhorar ou leiloar.

Lenda ou não, essa é a versão que circula na praça. Fica aqui minha primeira contribuição para tentar ajudar entender um pouco a confusão anunciada com a chegada desse El Niño político. Como diria minha saudosa dona Jurema: OREMUS!!