{"id":9470,"date":"2015-04-28T16:18:19","date_gmt":"2015-04-28T19:18:19","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/?p=9470"},"modified":"2016-04-05T16:12:20","modified_gmt":"2016-04-05T19:12:20","slug":"morre-antonio-abujamra-diretor-de-teatro-e-ator","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/morre-antonio-abujamra-diretor-de-teatro-e-ator\/","title":{"rendered":"Morre Ant\u00f4nio Abujamra, diretor de teatro e ator"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><em>\u201cA ess\u00eancia do meu progresso estava em poder aceitar a minha decad\u00eancia. Ou seja, progredir at\u00e9 morrer, porque viver \u00e9 morrer. E n\u00e3o me arrependo de nada&#8221;\u00a0<\/em><\/strong>Ant\u00f4nio Abujamra<!--more--><\/p>\n<p>\u00a0Em novembro de 2005, Ant\u00f4nio Abujamra concedeu entrevista exclusiva ao nosso editor Pedro Venceslau. Um dos atores mais respeitados da cena brasleira, Ab\u00fa, como \u00e9 conhecido na classe art\u00edstica, al\u00e9m de apresentar o programa &#8220;Provoca\u00e7\u00f5es&#8221;, aos domingos, na TV Cultura, foi o l\u00edder e fundador do grupo de teatro &#8220;Fodidos Privilegiados&#8221;, que nasceu inspirado no movimento &#8220;Os privilegiados&#8221;, que re\u00fane artistas, jornalistas, professores e atores com o objetivo de reacender a chama do teatro carioca.<\/p>\n<p>Reproduzimos a entrevista porque ela \u00e9 um retrato fiel dessa figura \u00edmpar na cultura brasileira que nunca teve papas na l\u00edngua.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/0011.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9473\" title=\"001\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/0011.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"353\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/0011.jpg 700w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/0011-300x151.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\"><strong>CONTATO \u2013 Que avalia\u00e7\u00e3o o senhor faz da cr\u00edtica cultural?<br \/>\nAbujamra<\/strong>\u00a0\u2013 Eu tenho 74 anos de idade, 57 de profiss\u00e3o como diretor de teatro e uns 17 como ator. Nunca vi um cr\u00edtico de teatro ajudar na evolu\u00e7\u00e3o do teatro ou na forma\u00e7\u00e3o do ator. O Bernard Shaw, com sua acidez e seu humor caracter\u00edstico, dizia &#8220;Quem sabe faz, que n\u00e3o sabe, ensina. Quem n\u00e3o sabe ensinar, ensina a ensinar. Quem n\u00e3o sabe ensinar a ensinar, vira cr\u00edtico&#8221;. A pior coisa para um ator \u00e9 o gosto art\u00edstico de um cr\u00edtico. Quando eu estava nos Estados Unidos, um jornalista entrava para me entrevistar sabendo tudo de mim. Aqui no Brasil, ele pergunta : o que voc\u00ea faz? Os jornais liter\u00e1rios de hoje s\u00e3o uma grande mediocridade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><span style=\"font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: x-large;\"><strong><em>&#8220;Os jornais liter\u00e1rios de hoje s\u00e3o uma grande mediocridade&#8221;<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\"><br \/>\n<strong>CONTATO \u2013 Existe muito patrulhamento ideol\u00f3gico no jornalismo brasileiro?<br \/>\nAbujamra<\/strong>\u00a0\u2013 Isso sempre existiu. O cr\u00edtico, quando vai ver uma pe\u00e7a de teatro, quer ver a pe\u00e7a que ele queria dirigir, e n\u00e3o a que o diretor dirigiu. O jornalismo, em geral, faz mais ou menos isso. Eles (jornalistas) querem que a pessoa fale aquilo que o jornal quer que ele fale. Isso realmente \u00e9 uma mediocridade espantosa.<\/span><\/p>\n<p><strong>CONTATO \u2013 Voc\u00ea se decepcionou com o governo Lula?<br \/>\nAbujamra<\/strong>\u00a0\u2013 Eu considero o Lula um personagem brasileiro. Ele \u00e9 uma pessoa a ser compreendida. Achar que ele \u00e9 desonesto \u00e9 uma loucura. Mas eu acredito que o deslumbramento faz parte de qualquer pessoa popular que assuma tanto poder.<br \/>\nTodo poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente, j\u00e1 dizia Voltaire.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><span style=\"font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: x-large;\"><strong><em>Achar que o Lula \u00e9 desonesto \u00e9 uma loucura<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\"><strong>CONTATO \u2013 Voc\u00ea se considera uma pessoa de esquerda?<br \/>\nAbujamra<\/strong>\u00a0\u2013 Claro. \u00c9 muito dif\u00edcil um artista n\u00e3o ser ligado \u00e0 esquerda. O que \u00e9 a esquerda? N\u00f3s n\u00e3o queremos a pobreza, nem a infelicidade.<\/span><\/p>\n<p><strong>CONTATO \u2013 O colunista da Veja, Diogo Mainardi, disse que o dinheiro p\u00fablico para financiar cultura tolhe a liberdade criativa. O que voc\u00ea acha disso?<br \/>\nAbujamra<\/strong>\u00a0\u2013 O Diogo Mainardi \u00e9 um autor pol\u00eamico, que quer lutar, discutir&#8230;Eu s\u00f3 n\u00e3o queria que ele tivesse tantas certezas. Seria melhor se ele come\u00e7asse a ter d\u00favidas. Eu idolatro a d\u00favida. N\u00e3o d\u00e1 para dizer: &#8220;a cultura tem que ser privatizada, o cinema tem que ser privatizado&#8221;. Meu Deus do c\u00e9u&#8230;E quem n\u00e3o tem capacidade para conseguir dinheiro?<br \/>\nE quem tem s\u00f3 o talento? O que faz? Morre?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA ess\u00eancia do meu progresso estava em poder aceitar a minha decad\u00eancia. Ou seja, progredir at\u00e9 morrer, porque viver \u00e9 morrer. E n\u00e3o me arrependo &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9471,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,7],"tags":[],"class_list":["post-9470","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional","category-reportagem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9470","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9470"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9470\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10927,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9470\/revisions\/10927"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9471"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}