{"id":7292,"date":"2013-11-08T16:02:17","date_gmt":"2013-11-08T19:02:17","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/?p=7292"},"modified":"2016-04-06T15:14:15","modified_gmt":"2016-04-06T18:14:15","slug":"cinema-como-recurso-pedagogico-professor-de-taubate-apresenta-sua-tese-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/cinema-como-recurso-pedagogico-professor-de-taubate-apresenta-sua-tese-nos-eua\/","title":{"rendered":"Cinema como recurso pedag\u00f3gico: professor de Taubat\u00e9 apresenta sua tese nos EUA"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Por Paulo Lacerda<\/p>\n<p>Historiador e professor da rede p\u00fablica e privada da terra de Lobato, Paulo Roberto de Azevedo Maia foi selecionado para participar de um Congresso sobre educa\u00e7\u00e3o na Universidade Central da Fl\u00f3rida, em Orlando, onde apresentou, em fevereiro, um trabalho cujo tema \u00e9 \u201cCinema e Hist\u00f3ria do Brasil, uma discuss\u00e3o em sala de aula\u201d.<\/p>\n<p>Formado em Hist\u00f3ria e Mestre em Multimeios, na \u00e1rea de cinema, pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Maia acredita que o uso de recursos cinematogr\u00e1ficos contribua para o desenvolvimento do processo de aprendizagem nos alunos. Destaca, por\u00e9m, que a an\u00e1lise hist\u00f3rica com os alunos n\u00e3o deve ficar limitada apenas \u00e0 vis\u00e3o retratada por um determinado filme, mas proporcionar ao aluno processo de sua desconstru\u00e7\u00e3o. Para que isso ocorra, o aluno deve procurar outras narrativas de quem viveu o ocorrido, assim como documentos hist\u00f3ricos que o confrontem. O objetivo \u00e9 inibir uma vis\u00e3o unilateral no estudante e estimul\u00e1-lo a formar sua pr\u00f3pria leitura do material audiovisual exibido.<\/p>\n<p>Em Orlando, Paulo Maia utilizou-se do filme \u201cO que \u00e9 isso, companheiro?\u201d dirigido por Bruno Barreto, lan\u00e7ado em 1997, baseado no livro hom\u00f4nimo de Fernando Gabeira que tem como pano de fundo o sequestro do embaixador americano, Charles Burke Elbrick, em 1969, no auge da ditadura militar (1964\/1985).<\/p>\n<p>\u201c<strong>[<\/strong>O filme] foi extremamente pol\u00eamico, porque ele tem um olhar sobre o processo da luta armada, que gerou uma rea\u00e7\u00e3o por parte de quem participou do movimento. O trabalho com o aluno [estimul\u00e1-lo] a encarar aquilo, num primeiro momento, como uma aventura, mas tamb\u00e9m fa\u00e7a uma leitura posteriormente, a partir de documentos. Quando trabalho esse filme [distribuo] um texto do jornalista [e ex-ministro das Comunica\u00e7\u00f5es] Franklin Martins, que tamb\u00e9m participou do sequestro, chamado \u2018As duas mortes de Jonas\u2019. Martins afirma que o Jonas, [um personagem real] morre uma primeira vez numa a\u00e7\u00e3o do governo e morre novamente em sua retrata\u00e7\u00e3o no filme. Criou-se no filme uma imagem totalmente deturpada, as falas do personagem tentam descaracterizar o que foi o [aquele] movimento. E \u00e9 isso que quero passar aos meus alunos\u201d, contou o professor.<\/p>\n<p>Paulo Maia considera que o uso de filmes em sala de aula cativa os alunos, mas salienta que n\u00e3o h\u00e1 verdades absolutas na hist\u00f3ria e que o filme \u00e9 apenas uma leitura de um epis\u00f3dio ou de um per\u00edodo. \u201cO filme n\u00e3o pode ser apenas divers\u00e3o. Deve-se escolher um filme que crie no aluno um desconforto, algo que chame aten\u00e7\u00e3o e que ele saia pensando naquilo. E se o filme n\u00e3o trouxer isso, cabe ao professor fazer uma provoca\u00e7\u00e3o antes do filme, n\u00e3o direcionando, porque na hora em que [o aluno] est\u00e1 assistindo ele tem liberdade de fazer nova leitura do filme\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 na hora do confronto, na fala, seja ela do filme ou do professor, no momento em que ele \u00e9 confrontado com outros pensamentos, que ele [aluno] pode fazer a leitura dele. E tem que haver subs\u00eddios para isso. O ideal \u00e9 que ele assista ao filme e depois busque um documento sobre o fato retratado\u201d, concluiu o pesquisador.<\/p>\n<p>Segundo apurou CONTATO, em Taubat\u00e9, todas as escolas de ensino Fundamental possuem salas com aparelhagem de v\u00eddeo, com DVD e um acervo com conte\u00fados relacionados a atividades programadas em sala de aula. Mas a Prefeitura reconheceu que algumas unidades escolares n\u00e3o disp\u00f5em de espa\u00e7o f\u00edsico para uma sala espec\u00edfica para v\u00eddeo e muitas vezes seu espa\u00e7o \u00e9 dividido com outras finalidades.<\/p>\n<p><strong>Congresso em Sarasota<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Durante a semana que passou no EUA, Paulo Maia tamb\u00e9m participou da Confer\u00eancia dos Historiadores da Fl\u00f3rida, na cidade de Sarasota. Ele foi o \u00fanico representante brasileiro no evento, quando apresentou sua tese de Doutorado, que desenvolve na Universidade Federal Fluminense (UFF). A tese analisa o programa do produtor Fernando Barbosa Lima, na Rede Tupi, denominado \u201cAbertura\u201d, apresentado de 1979 a 1980 durante o governo do general Jo\u00e3o Batista Figueiredo.<\/p>\n<p>Maia analisa o programa que, mesmo num regime ditatorial, j\u00e1 ensaiava um discurso democr\u00e1tico. \u201cH\u00e1 um quadro em que o cineasta Glauber Rocha \u00e9 o convidado e ele diz o seguinte: \u2018Olha aqui, Ministro da Justi\u00e7a, a pe\u00e7a de Vianinha est\u00e1 censurada, vamos liberar esse neg\u00f3cio!\u201d exemplificou Paulo Maia. Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha foi dramaturgo, ator e diretor de teatro e televis\u00e3o brasileiro. Faleceu em 1974 com muitas obras censuradas pelos militares.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":7297,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29,7],"tags":[],"class_list":["post-7292","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-regional","category-reportagem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7292","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7292"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7292\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11038,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7292\/revisions\/11038"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}