{"id":22196,"date":"2026-11-08T08:09:01","date_gmt":"2026-11-08T11:09:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=22196"},"modified":"2026-11-08T08:17:44","modified_gmt":"2026-11-08T11:17:44","slug":"do-ceu-ao-cemiterio-em-24-horas-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/do-ceu-ao-cemiterio-em-24-horas-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"DO C\u00c9U AO CEMIT\u00c9RIO EM 24 HORAS (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Se existe uma prova incontest\u00e1vel de que o calend\u00e1rio cat\u00f3lico foi desenhado por algu\u00e9m com um apurado senso de humor negro, essa prova \u00e9 a sequ\u00eancia dos dias 1\u00ba e 2 de novembro.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica do calend\u00e1rio celestial \u00e9 simples, mas cruel: primeiro colocamos o Dia de Todos os Santos, uma data reluzente, cheia de aur\u00e9olas, harpas flutuantes e virtuosismo espiritual. \u00c9 o dia em que o c\u00e9u veste o seu melhor terno para celebrar a elite da bondade universal \u2014 gente que viveu de p\u00e3o e \u00e1gua, perdoou os inimigos e nunca falou mal do vizinho. \u00c9 uma festa impec\u00e1vel, de uma brancura reluzente.<\/p>\n<p>E logo no dia seguinte, sem nenhum intervalo para recuperar o f\u00f4lego? P\u00e1s! O Dia dos Finados. A transi\u00e7\u00e3o \u00e9 de um requinte c\u00f4mico absoluto. \u00c9 como se a Igreja nos dissesse: &#8220;Muito bem, ontem celebramos os perfeitos, os milagrosos, os puros de cora\u00e7\u00e3o. Agora limpem a purpurina e peguem as velas, porque hoje \u00e9 dia de lembrar que todo o resto de n\u00f3s vai virar poeira mesmo&#8221;. \u00c9 o choque de realidade definitivo, a maior ressaca moral do calend\u00e1rio lit\u00fargico.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Cemiterio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-22199\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Cemiterio-450x338.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Cemiterio-450x338.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Cemiterio-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Cemiterio-768x576.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Cemiterio-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Cemiterio-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No dia 1\u00ba de novembro, a humanidade tenta se comportar. A gente pensa nas virtudes de S\u00e3o Francisco, na paci\u00eancia de S\u00e3o Bento, na bondade de Santa Rita. Sentimo-nos quase elevados, com vontade de ser pessoas melhores, de perdoar as ofensas e de comer menos carboidrato. Mas a\u00ed o sol nasce no dia 2, e a realidade bate \u00e0 porta vestida de preto, carregando um vaso de cris\u00e2ntemos e um cheiro inconfund\u00edvel de vela queimada.<\/p>\n<p>O Dia de Finados \u00e9 o banho de \u00e1gua fria na nossa prepot\u00eancia. Ele nos lembra que, por mais que a gente se esforce no Dia dos Santos para parecer anjo, a nossa voca\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica \u00e9 mesmo a mortalidade com dor nas costas.<\/p>\n<p>Imagine o di\u00e1logo na portaria do C\u00e9u na virada da meia-noite do dia primeiro para o dia dois. S\u00e3o Pedro suspira, tira a aur\u00e9ola da cabe\u00e7a, solta a gravata do terno de gala e diz para o anjo da guarda de plant\u00e3o: <em>&#8220;Pronto, acabou a festa dos imaculados. Abre o port\u00e3o do cemit\u00e9rio que a turma dos mortais comuns t\u00e1 vindo a\u00ed pedir ora\u00e7\u00e3o pelo troco do p\u00e3o que esqueceram de devolver em 1994&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Finados.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-22200\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Finados-450x300.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Finados-450x300.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Finados-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Finados-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Finados.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O brasileiro, claro, adaptou a data com a sua maestria habitual. O Finados virou um evento social \u00fanico: o \u00fanico dia do ano em que ir ao cemit\u00e9rio \u00e9 um passeio em fam\u00edlia, onde se encontra aquele parente distante que voc\u00ea n\u00e3o via desde o Natal passado, e a conversa inevitavelmente come\u00e7a com um <em>&#8220;Nossa, como o fulano encolheu na foto do t\u00famulo, n\u00e9?&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que colocar o Dia dos Finados logo ap\u00f3s o Dia de Todos os Santos \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o de humildade pedag\u00f3gica. A santidade \u00e9 para poucos; a cova \u00e9 para todos. Primeiro a gente olha para o teto da capela e suspira com a perfei\u00e7\u00e3o dos santos. No dia seguinte, olhamos para a terra batida e lembramos que a nossa \u00fanica garantia \u00e9 que, no final das contas, o show acaba para todo mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se existe uma prova incontest\u00e1vel de que o calend\u00e1rio cat\u00f3lico foi desenhado por algu\u00e9m com um apurado senso de humor negro, essa prova \u00e9 a &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22202,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-22196","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22196","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22196"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22196\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22201,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22196\/revisions\/22201"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22202"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}