{"id":22108,"date":"2026-09-07T10:30:19","date_gmt":"2026-09-07T13:30:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=22108"},"modified":"2026-09-07T10:30:19","modified_gmt":"2026-09-07T13:30:19","slug":"o-golpe-por-dentro-do-supremo-luciana-bauer-e-reynaldo-aragon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/o-golpe-por-dentro-do-supremo-luciana-bauer-e-reynaldo-aragon\/","title":{"rendered":"O golpe por dentro do Supremo (Luciana Bauer e Reynaldo Aragon)*"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Andr\u00e9 Mendon\u00e7a abre o maior golpe desferido no STF \u00e0s v\u00e9speras da elei\u00e7\u00e3o e transforma a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o em campo de batalha da guerra h\u00edbrida contra o Brasil<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras da elei\u00e7\u00e3o presidencial, Andr\u00e9 Mendon\u00e7a transforma elementos de uma investiga\u00e7\u00e3o ainda sem conclus\u00e3o judicial em combust\u00edvel para uma guerra interna no STF, rompendo \u2013 de forma brutal e sem arcabou\u00e7o constitucional que o embase \u2013 o equil\u00edbrio institucional da Corte. Uma frente de desestabiliza\u00e7\u00e3o que converge com os interesses da extrema direita brasileira e com a ofensiva dos Estados Unidos contra a soberania pol\u00edtica e digital do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Quando o Estado \u00e9 colocado contra o pr\u00f3prio Estado<\/strong><\/p>\n<p>A pouco mais de um m\u00eas da elei\u00e7\u00e3o presidencial, o golpe mudou de lugar. Em 8 de janeiro de 2023, foi preciso quebrar vidra\u00e7as, arrombar portas e invadir o Supremo Tribunal Federal. Agora, a desestabiliza\u00e7\u00e3o avan\u00e7a por dentro da pr\u00f3pria institucionalidade. Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, ministro do STF, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral e um dos magistrados respons\u00e1veis pela condu\u00e7\u00e3o do processo eleitoral, retirou o sigilo de material ainda submetido \u00e0 apura\u00e7\u00e3o, exp\u00f4s uma investiga\u00e7\u00e3o que alcan\u00e7a integrantes das mais altas estruturas do Estado e lan\u00e7ou o Supremo numa guerra interna cujas consequ\u00eancias ultrapassam qualquer disputa pessoal com Alexandre de Moraes.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso dizer desde o in\u00edcio o que est\u00e1 e o que n\u00e3o est\u00e1 em discuss\u00e3o. N\u00e3o existe, at\u00e9 aqui, conclus\u00e3o judicial que permita condenar Moraes pelas informa\u00e7\u00f5es que emergiram do caso Banco Master. Se houver crime, que seja investigado, provado e punido. O problema \u00e9 precisamente outro. Antes que a Justi\u00e7a produzisse uma verdade processual, a suspeita foi lan\u00e7ada ao espa\u00e7o p\u00fablico como fato pol\u00edtico. Em poucas horas, Moraes, Paulo Gonet, Andrei Rodrigues, servidores do Banco Central e Gabriel Gal\u00edpolo passaram a habitar a mesma atmosfera de suspei\u00e7\u00e3o de forma centripetra e possivelmente coordenada com a imprensa e vazadores que desde a Lava Jato operam impunes. A extrema direita imediatamente transformou essa mat\u00e9ria bruta em arma eleitoral. O STF deixou de aparecer como institui\u00e7\u00e3o capaz de processar uma crise e passou a aparecer como parte da pr\u00f3pria crise.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que o acontecimento revela sua verdadeira dimens\u00e3o. Um golpe no s\u00e9culo XXI n\u00e3o precisa come\u00e7ar com tanques diante do Congresso. Pode come\u00e7ar quando os mecanismos do Estado s\u00e3o utilizados de maneira a destruir a confian\u00e7a no pr\u00f3prio Estado, quando o procedimento antecede a prova, quando o vazamento produz senten\u00e7a social antes do contradit\u00f3rio e quando uma institui\u00e7\u00e3o \u00e9 empurrada para a guerra contra si mesma. O que Andr\u00e9 Mendon\u00e7a abriu n\u00e3o \u00e9 apenas uma crise no Supremo. \u00c9 uma fissura no centro do sistema de conten\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica brasileiro no momento exato em que esse sistema ser\u00e1 colocado \u00e0 prova pelas elei\u00e7\u00f5es de 2026. Mendon\u00e7a hoje foi mais eficaz que as turbas ensandecidas a depredar o Supremo no dia do Golpe.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Eduardo-Cunha.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-22111\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Eduardo-Cunha-253x450.webp\" alt=\"\" width=\"253\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Eduardo-Cunha-253x450.webp 253w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Eduardo-Cunha-169x300.webp 169w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Eduardo-Cunha.webp 675w\" sizes=\"auto, (max-width: 253px) 100vw, 253px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Se Cunha iniciou o golpe de 2016. Mendon\u00e7a pode ter iniciado o pr\u00f3ximo golpe de 2027 dando tons de messianismo constitucional ao que podemos taxar de conduta totalmente inconstitucional para com seus pares.<\/p>\n<p>O Supremo \u00e9 julgado por um plen\u00e1rio e n\u00e3o pela imprensa. Mendon\u00e7a n\u00e3o opera mais dentro das quatro linhas do estado de direito.<\/p>\n<p>O ministro terrivelmente lavajatista Mendon\u00e7a n\u00e3o apenas recebeu informa\u00e7\u00f5es produzidas pela Pol\u00edcia Federal. Ele movimentou a m\u00e1quina. Determinou que a PF elaborasse, em 72 horas, um relat\u00f3rio espec\u00edfico sobre refer\u00eancias a Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, separou esse material em uma nova frente processual, abriu vista \u00e0 Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica e, antes mesmo de uma manifesta\u00e7\u00e3o conclusiva do Minist\u00e9rio P\u00fablico, retirou o sigilo e empurrou o caso para o centro da arena p\u00fablica. Depois, pediu que o assunto fosse levado a uma sess\u00e3o presencial do Plen\u00e1rio. A sucess\u00e3o dos atos importa porque revela algo maior do que uma diverg\u00eancia jur\u00eddica: uma investiga\u00e7\u00e3o ainda em forma\u00e7\u00e3o foi convertida, por decis\u00e3o institucional, em acontecimento pol\u00edtico nacional.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ponto que o m\u00e9todo se torna t\u00e3o grave quanto o conte\u00fado. A dire\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal reagiu duramente e passou a questionar se o relator havia ultrapassado a fun\u00e7\u00e3o de supervisionar a investiga\u00e7\u00e3o para assumir um papel ativo na produ\u00e7\u00e3o de uma linha investigativa pr\u00f3pria. Ministros do Supremo falaram em ruptura das regras internas e em um ambiente de vale-tudo. A PGR foi colocada numa posi\u00e7\u00e3o ainda mais delicada, porque aparece ao mesmo tempo como institui\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel por controlar juridicamente a investiga\u00e7\u00e3o e como uma das estruturas atingidas pelas refer\u00eancias reveladas. O resultado \u00e9 um curto-circuito institucional: quem investiga passa a ser questionado, quem fiscaliza passa a integrar a crise e quem deveria arbitrar o conflito passa a lutar pela pr\u00f3pria legitimidade.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Perdeu-Mane.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22112\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Perdeu-Mane.jpg\" alt=\"\" width=\"447\" height=\"447\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Perdeu-Mane.jpg 447w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Perdeu-Mane-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Perdeu-Mane-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Perdeu-Mane-80x80.jpg 80w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Perdeu-Mane-360x360.jpg 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 447px) 100vw, 447px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A guerra h\u00edbrida opera exatamente nessa zona cinzenta. Ela n\u00e3o precisa fabricar documentos falsos quando pode explorar documentos verdadeiros fora de seu tempo processual. Fora da logica constitucional e dos direitos e garantias fundamentais. N\u00e3o precisa inventar uma acusa\u00e7\u00e3o quando pode retirar um fragmento de contexto, lan\u00e7\u00e1-lo na circula\u00e7\u00e3o p\u00fablica e deixar que o ecossistema pol\u00edtico produza a condena\u00e7\u00e3o. O tempo jur\u00eddico exige prova. O tempo informacional exige impacto. Quando esses dois tempos entram em choque, vence primeiro quem controla a percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, o ato mais poderoso n\u00e3o foi a descoberta de uma mensagem, mas a transforma\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o em espet\u00e1culo antes que a pr\u00f3pria investiga\u00e7\u00e3o pudesse dizer o que aquelas mensagens significavam. A partir desse instante, a Justi\u00e7a deixou de conduzir sozinha o processo. A opini\u00e3o p\u00fablica, as redes, as campanhas eleitorais e os interesses pol\u00edticos passaram a disputar o sentido do material em tempo real. E quando o sentido \u00e9 capturado antes da prova, o processo continua aberto nos autos, mas a senten\u00e7a pol\u00edtica j\u00e1 come\u00e7ou a ser executada nas ruas.<\/p>\n<p>As portas de um novo golpe com STF com tudo est\u00e3o abertas: um novo golpe com o supremo fragilizado e vilipendiado como estamos vendo por um dos seus pr\u00f3prios ministros sera mat\u00e9ria f\u00e1cil para ser tragado pelo pr\u00f3ximo golpista de plant\u00e3o em elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que a crise deixa de ser apenas jur\u00eddica e revela sua natureza hist\u00f3rica. A guerra h\u00edbrida n\u00e3o precisa destruir o Estado de uma vez. Sua forma mais eficiente \u00e9 faz\u00ea-lo perder progressivamente a capacidade de reconhecer quem o ataca, enquanto suas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o empurradas umas contra as outras. O conflito passa a utilizar a legalidade, a informa\u00e7\u00e3o, a economia, a tecnologia e a disputa eleitoral como partes de uma mesma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. Tudo continua aparentemente funcionando. Os tribunais julgam, a pol\u00edcia investiga, a imprensa publica, as plataformas distribuem, os candidatos discursam. Mas, por baixo dessa normalidade, a autoridade que sustenta o conjunto come\u00e7a a ser corro\u00edda.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Vandalos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-22113\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Vandalos-450x253.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Vandalos-450x253.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Vandalos-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Vandalos-768x432.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Vandalos-750x420.jpg 750w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Vandalos.jpg 865w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 brutal. O STF, que depois de 8 de janeiro se tornou uma das principais barreiras institucionais contra a extrema direita golpista, passa agora a produzir diante do pa\u00eds a imagem de uma Corte dividida, desconfiada de si mesma e incapaz de estabelecer sequer um terreno comum para processar a pr\u00f3pria crise. A Pol\u00edcia Federal contesta o procedimento de um ministro do Supremo. A Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica \u00e9 chamada a fiscalizar uma investiga\u00e7\u00e3o na qual seu pr\u00f3prio chefe aparece mencionado. O Banco Central entra no circuito da suspei\u00e7\u00e3o. Em vez de uma institui\u00e7\u00e3o proteger a estabilidade da outra, forma-se uma cadeia de atritos capaz de consumir a legitimidade de todas.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma das formas mais perigosas da guerra pol\u00edtica contempor\u00e2nea porque transforma a for\u00e7a do Estado em mat\u00e9ria-prima de sua pr\u00f3pria vulnerabilidade. N\u00e3o \u00e9 preciso fechar o Supremo se for poss\u00edvel esvaziar sua autoridade. N\u00e3o \u00e9 preciso dissolver a Justi\u00e7a Eleitoral se for poss\u00edvel fazer milh\u00f5es de pessoas duvidarem de sua neutralidade antes da vota\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio impedir formalmente o funcionamento da democracia quando se consegue destruir a confian\u00e7a coletiva sem a qual suas institui\u00e7\u00f5es se tornam apenas edif\u00edcios, cargos e ritos.<\/p>\n<p>Para um pa\u00eds do Sul Global, essa din\u00e2mica tem um peso ainda maior. Estados submetidos historicamente \u00e0 depend\u00eancia econ\u00f4mica, tecnol\u00f3gica e informacional n\u00e3o enfrentam apenas disputas dom\u00e9sticas. Suas crises internas s\u00e3o atravessadas por interesses externos capazes de explorar cada fissura. \u00c9 nesse ponto que o conflito brasileiro deixa de ser apenas uma guerra entre ministros e passa a revelar uma disputa pela capacidade do pr\u00f3prio Brasil de decidir seu destino. O golpe h\u00edbrido come\u00e7a exatamente assim: n\u00e3o quando a Constitui\u00e7\u00e3o desaparece, mas quando as for\u00e7as que deveriam sustent\u00e1-la passam a corroer umas \u00e0s outras.<\/p>\n<p>A essa altura, a crise j\u00e1 n\u00e3o pertence apenas ao Supremo. Ela entra diretamente na disputa eleitoral e encontra uma estrutura de interesses muito maior do que a briga entre ministros. Mendon\u00e7a \u00e9 vice-presidente do TSE e atua na propaganda das elei\u00e7\u00f5es de 2026. O primeiro turno est\u00e1 a pouco mais de um m\u00eas. No mesmo momento em que o STF se fragmenta, a extrema direita transforma o material do caso Master em arma de campanha, desloca o centro do debate e converte suspeitas ainda n\u00e3o julgadas em certezas pol\u00edticas prontas para circular nas redes. O que a Justi\u00e7a ainda precisa investigar, a m\u00e1quina eleitoral j\u00e1 aprendeu a explorar.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m nesse ponto que a crise brasileira encontra Washington. O governo dos Estados Unidos j\u00e1 transformou decis\u00f5es do STF sobre plataformas digitais em quest\u00e3o estrat\u00e9gica, aplicou san\u00e7\u00f5es contra Alexandre de Moraes, utilizou tarifas e instrumentos comerciais como press\u00e3o sobre o Brasil e tratou a regula\u00e7\u00e3o das Big Techs como conflito de interesse nacional norte-americano. Moraes tornou-se alvo n\u00e3o apenas da extrema direita brasileira, mas de uma estrutura de coer\u00e7\u00e3o externa que enxerga nas decis\u00f5es brasileiras sobre plataformas, dados e soberania digital um obst\u00e1culo aos interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 prova de que Andr\u00e9 Mendon\u00e7a receba ordens de Washington. E afirmar isso sem evid\u00eancia destruiria a for\u00e7a do argumento. O que existe \u00e9 algo mais concreto e, do ponto de vista do realismo pol\u00edtico, suficiente para exigir aten\u00e7\u00e3o: uma converg\u00eancia objetiva de interesses. A extrema direita precisa enfraquecer o STF para reconstruir sua capacidade de a\u00e7\u00e3o. As Big Techs precisam reduzir a capacidade regulat\u00f3ria do Estado brasileiro. Washington pressiona as institui\u00e7\u00f5es que imp\u00f5em limites \u00e0s empresas norte-americanas e \u00e0 sua proje\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. E, no centro dessa correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, uma crise interna aberta pelo pr\u00f3prio Supremo atinge exatamente a institui\u00e7\u00e3o que vinha funcionando como uma das \u00faltimas barreiras contra esses interesses.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Xandao-e-Mendonca.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-22114\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Xandao-e-Mendonca-450x300.webp\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Xandao-e-Mendonca-450x300.webp 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Xandao-e-Mendonca-300x200.webp 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Xandao-e-Mendonca-768x512.webp 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Xandao-e-Mendonca-1536x1024.webp 1536w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Xandao-e-Mendonca-2048x1365.webp 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 assim que a guerra h\u00edbrida amadurece. Ela n\u00e3o exige que todos os atores estejam reunidos na mesma sala. Basta que for\u00e7as distintas descubram que podem avan\u00e7ar na mesma dire\u00e7\u00e3o. O capital transnacional quer liberdade para operar. A extrema direita quer recuperar poder. Washington quer disciplinar um Brasil que regula plataformas, fortalece o BRICS e reivindica autonomia estrat\u00e9gica. As redes digitais precisam apenas converter cada fissura em espet\u00e1culo, cada d\u00favida em indigna\u00e7\u00e3o e cada indigna\u00e7\u00e3o em comportamento pol\u00edtico. O tabuleiro se move sem que seja necess\u00e1rio um comando \u00fanico.<\/p>\n<p>Para um pa\u00eds perif\u00e9rico, esse \u00e9 o ponto em que a disputa interna deixa de ser dom\u00e9stica. O Brasil n\u00e3o enfrenta somente uma elei\u00e7\u00e3o. Enfrenta a tentativa permanente de decidir se continuar\u00e1 sendo um Estado capaz de impor regras ao capital, \u00e0s plataformas e \u00e0s pot\u00eancias estrangeiras ou se voltar\u00e1 \u00e0 condi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que o sistema internacional reservou ao Sul Global: mercado, territ\u00f3rio, fonte de dados e espa\u00e7o pol\u00edtico administrado de fora para dentro. Quando a institui\u00e7\u00e3o que deveria conter essa press\u00e3o come\u00e7a a se romper internamente, o problema deixa de ser apenas jur\u00eddico. Torna-se uma quest\u00e3o de soberania.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso chegar ao fim sem cair na armadilha mais f\u00e1cil: transformar Alexandre de Moraes em s\u00edmbolo intoc\u00e1vel. N\u00e3o \u00e9 disso que se trata. Se houver crime, que se investigue. Se houver prova, que se puna. A defesa da democracia n\u00e3o pode depender da blindagem de pessoas. Ela depende da preserva\u00e7\u00e3o de regras, procedimentos, institui\u00e7\u00f5es e da capacidade coletiva de distinguir investiga\u00e7\u00e3o de condena\u00e7\u00e3o, ind\u00edcio de prova, informa\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente essa fronteira que est\u00e1 sendo destru\u00edda. A suspeita come\u00e7ou em Moraes, alcan\u00e7ou Gonet, Andrei Rodrigues, servidores do Banco Central e Gal\u00edpolo, e j\u00e1 produz o ambiente necess\u00e1rio para atingir o pr\u00f3prio governo. Esse \u00e9 o mecanismo. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio provar que todo o Estado est\u00e1 corrompido. Basta produzir a percep\u00e7\u00e3o de que nenhuma institui\u00e7\u00e3o merece confian\u00e7a. Quando tudo parece contaminado, qualquer ruptura pode ser apresentada como limpeza.<\/p>\n<p>O Brasil conhece esse caminho. Em 2016, a ruptura foi constru\u00edda por dentro das institui\u00e7\u00f5es, legitimada por procedimentos formalmente existentes e alimentada por uma m\u00e1quina pol\u00edtica e midi\u00e1tica que transformou exce\u00e7\u00e3o em normalidade. Em 8 de janeiro de 2023, a extrema direita tentou converter a deslegitima\u00e7\u00e3o acumulada em for\u00e7a f\u00edsica. Em 2026, o m\u00e9todo pode estar atingindo um est\u00e1gio mais sofisticado: utilizar as pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es do Estado para enfraquecer sua capacidade de resistir.<\/p>\n<p>\u00c9 isso que precisa ser denunciado agora, antes que a fuma\u00e7a esconda o inc\u00eandio. Golpes n\u00e3o come\u00e7am no momento em que a Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 rasgada. Come\u00e7am quando a sociedade \u00e9 preparada para acreditar que ela j\u00e1 n\u00e3o serve, que seus tribunais n\u00e3o merecem confian\u00e7a, que suas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o inimigas e que somente uma for\u00e7a externa ao pacto democr\u00e1tico pode restaurar a ordem.<\/p>\n<p>Desta vez, talvez n\u00e3o precisem invadir o Supremo.<\/p>\n<p>Basta faz\u00ea-lo desabar por dentro.<\/p>\n<p>A lava jato mais uma vez, ao nunca ser corretamente enfrentada pelos tr\u00eas poderes, ganhou.<\/p>\n<p><strong>*****<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/luciana-bauer.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-22116\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/luciana-bauer-450x278.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"278\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/luciana-bauer-450x278.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/luciana-bauer-300x186.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/luciana-bauer-768x475.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/luciana-bauer.jpg 1091w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Luciana Bauer \u2013 jurista p\u00f3s-doutorada em direito, pesquisadora, escritora, ju\u00edza federal por mais de 20 anos<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Reynaldo-Aragon.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-22115\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Reynaldo-Aragon-395x450.jpg\" alt=\"\" width=\"395\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Reynaldo-Aragon-395x450.jpg 395w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Reynaldo-Aragon-263x300.jpg 263w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Reynaldo-Aragon.jpg 585w\" sizes=\"auto, (max-width: 395px) 100vw, 395px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Reynaldo Aragon \u2013 jornalista especializado em geopol\u00edtica da informa\u00e7\u00e3o e da tecnologia, pesquisador do NEECCC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andr\u00e9 Mendon\u00e7a abre o maior golpe desferido no STF \u00e0s v\u00e9speras da elei\u00e7\u00e3o e transforma a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o em campo de batalha da guerra h\u00edbrida &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22110,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-22108","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22108","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22108"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22108\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22117,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22108\/revisions\/22117"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22110"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}