{"id":22055,"date":"2026-08-02T09:45:25","date_gmt":"2026-08-02T12:45:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=22055"},"modified":"2026-08-02T09:45:25","modified_gmt":"2026-08-02T12:45:25","slug":"a-melhor-palavra-do-dicionario-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/a-melhor-palavra-do-dicionario-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"A MELHOR PALAVRA DO DICION\u00c1RIO (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Pois \u00e9!&#8230;<\/p>\n<p>Depois que publiquei na semana passada minha cr\u00f4nica acusando o &#8220;quase&#8221; de ser o grande procrastinador da exist\u00eancia, uma pequena chuva de leitores se investiu de cr\u00edticos e salgou o prato que pretendia ser leve. Uma mais apressadinha logo decretou: &#8220;Eu amo o quase&#8221;. Outro se limitou ao t\u00edtulo &#8220;Quase a pior palavra do dicion\u00e1rio&#8221; e mandou um &#8220;Como assim?&#8221;, como quem d\u00e1 corda para me enforcar. E n\u00e3o faltaram os que contavam casos \u2014 porque tem gente que s\u00f3 quer uma desculpa para contar a hist\u00f3ria em que quase morreu, de prefer\u00eancia com aumento de 83% na dose de perigo a cada nova vers\u00e3o.<\/p>\n<p>A primeira veio de uma amiga que foi acampar quando o c\u00e9u resolveu ensaiar um apocalipse: chuva, vento, trov\u00f5es e a barraca chacoalhando como folha seca. No sil\u00eancio tenso que seguiu um estrondo, ela se encheu de coragem e saiu para recolher coisas espalhadas pelo vento. Um segundo depois, um raio \u2014 com a precis\u00e3o de um cirurgi\u00e3o \u2014 caiu exatamente onde ela tinha estado. O &#8220;quase&#8221; ali foi um recuo de dois segundos que impediu a garota de virar carv\u00e3o.<\/p>\n<p>O outro relato foi de um passageiro cronicamente distra\u00eddo que, inadvertidamente, errou o aeroporto. Perdeu o voo, praguejou contra a humanidade, esbravejou no guich\u00ea da companhia e voltou ruminando para casa, decidido a nunca mais deixar isso acontecer. Horas depois, ligou a TV e descobriu que o avi\u00e3o em que deveria estar fizera um pouso for\u00e7ado no meio do nada. A desorienta\u00e7\u00e3o, dessa vez, tinha vindo com seguro de vida embutido.<\/p>\n<p>Teve quem lembrasse do caso de um cirurgi\u00e3o renomado, conhecido por um ego que mal cabia no centro cir\u00fargico, prestes a cortar uma art\u00e9ria saud\u00e1vel devido a um diagn\u00f3stico apressado. No milissegundo decisivo, a instrumentista teve um acesso de tosse. O espasmo fez o m\u00e9dico recuar o bisturi em dois mil\u00edmetros. Ele praguejou, espumou, maldisse \u2014 porque g\u00eanios, ao que parece, n\u00e3o toleram interrup\u00e7\u00e3o \u2014 e, ao olhar de novo para o corte, percebeu a anomalia anat\u00f4mica que teria matado o sujeito na mesa. O paciente sobreviveu com sa\u00fade perfeita e pagou uma fortuna pela consulta; a instrumentista, claro, s\u00f3 ganhou uma bronca pelo pigarro providencial.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Quase-assalto.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-22057\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Quase-assalto-450x300.webp\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Quase-assalto-450x300.webp 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Quase-assalto-300x200.webp 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Quase-assalto-768x512.webp 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Quase-assalto.webp 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>E se o assaltante n\u00e3o fosse trapalh\u00e3o?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>E teve o caso de um assaltante trapalh\u00e3o que abordou um motorista no sinal vermelho e exigiu o carro. O motorista, tomado pelo p\u00e2nico, engatou a r\u00e9 e prensou a pr\u00f3pria traseira num poste, acionando o alarme e travando as portas autom\u00e1ticas. O assaltante, assustado com o esc\u00e2ndalo e a chegada s\u00fabita de uma viatura, saiu correndo e trope\u00e7ou no pr\u00f3prio cadar\u00e7o. O &#8220;quase assalto&#8221; virou com\u00e9dia pastel\u00e3o: o motorista acionou o seguro, o ladr\u00e3o foi preso por falta de amarra\u00e7\u00e3o adequada, e o poste \u2014 v\u00edtima colateral e muda de toda a hist\u00f3ria \u2014 nunca recebeu um pedido de desculpas.<\/p>\n<p>Tive que me render. O &#8220;quase&#8221; n\u00e3o deixa de ser uma fatalidade, mas quem disse que n\u00e3o existem boas fatalidades? A sabedoria popular gosta de consolar os frustrados com o clich\u00ea do copo meio cheio ou meio vazio.<\/p>\n<p>Rendamo-nos, pois, \u00e0 ironia do acaso. No fim, a dist\u00e2ncia entre o funeral e a gargalhada \u00e9 s\u00f3 um segundo, um espirro, um mapa errado ou um cadar\u00e7o desamarrado \u2014 o que prova que a morte, al\u00e9m de inevit\u00e1vel, tamb\u00e9m \u00e9 uma p\u00e9ssima administradora de agenda. Dou o bra\u00e7o a torcer aos meus leitores: retiro todas as acusa\u00e7\u00f5es e me curvo \u00e0s evid\u00eancias de que o &#8220;quase&#8221; \u00e9, disparada, a melhor palavra do dicion\u00e1rio. Afinal, \u00e9 a \u00fanica que tem o topete de quase nos matar e, no minuto seguinte, cobrar aplausos por isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pois \u00e9!&#8230; Depois que publiquei na semana passada minha cr\u00f4nica acusando o &#8220;quase&#8221; de ser o grande procrastinador da exist\u00eancia, uma pequena chuva de leitores &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22056,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-22055","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22055","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22055"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22055\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22058,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22055\/revisions\/22058"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22056"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}