{"id":21991,"date":"2026-06-14T09:02:46","date_gmt":"2026-06-14T12:02:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=21991"},"modified":"2026-06-14T09:02:46","modified_gmt":"2026-06-14T12:02:46","slug":"anitta-e-o-novo-futebol-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/anitta-e-o-novo-futebol-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"ANITTA E O NOVO FUTEBOL (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>A menina que vendia picol\u00e9 na rua de Hon\u00f3rio Gurgel, sub\u00farbio carioca onde o trem passa lotado e o sonho costuma descer na esta\u00e7\u00e3o errada, Anitta n\u00e3o esperou ser descoberta: se imp\u00f4s. Foto de sua chegada a Los Angeles<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O Brasil entra campo carregando um dilema existencial: somos ainda o pa\u00eds do futebol ou apenas o pa\u00eds da saudade do futebol? H\u00e1 mais de vinte anos a camisa amarela vai \u00e0s Copas como quem visita um museu de si mesma. Joga apegada ao retrato de 1970, \u00e0 mem\u00f3ria de Pel\u00e9 e Garrincha, ao &#8220;futebol-arte&#8221; que o mundo aplaudia, mas, no fim volta para casa sem a ta\u00e7a, sem resposta, sonhando com o tal hexa. Viramos uma lembran\u00e7a bonita que n\u00e3o vence e nem convence.<\/p>\n<p>T\u00e3o grande \u00e9 o impasse que fomos buscar um t\u00e9cnico italiano, Carlo Ancelotti, para reger a orquestra verde-amarela: um estrangeiro no comando da Sele\u00e7\u00e3o, logo n\u00f3s, os inventores da ginga! Mas talvez o gesto diga algo mais profundo: o velho modelo se esgotou, e admitir isso \u00e9 o primeiro passo para renov\u00e1-lo. A pergunta \u00e9 se vamos renascer de fato ou apenas trocar o maestro mantendo a mesma partitura amarelada. E \u00e9 aqui que a m\u00fasica brasileira, que sempre andou de m\u00e3os dadas com o futebol, oferece uma li\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vinicius-de-moraes-e-tom-jobim.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21993\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vinicius-de-moraes-e-tom-jobim-450x253.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vinicius-de-moraes-e-tom-jobim-450x253.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vinicius-de-moraes-e-tom-jobim-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vinicius-de-moraes-e-tom-jobim-768x432.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vinicius-de-moraes-e-tom-jobim-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vinicius-de-moraes-e-tom-jobim-750x420.jpg 750w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vinicius-de-moraes-e-tom-jobim-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/vinicius-de-moraes-e-tom-jobim.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Tom e Vinicius, isto \u00e9 bossa nova, isto \u00e9 muito natural&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Em uma ponta, a Garota de Ipanema. Tom e Vinicius exportaram ao mundo uma musa de passada mansa: linda, distante, inalcan\u00e7\u00e1vel, sem notar os suspiros que deixava na cal\u00e7ada. Era a sedu\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio, do pa\u00eds que posava bonito, mas que desaparecia na esquina. Funcionou por seis d\u00e9cadas. Mas era, convenhamos, uma beleza passiva, admirada de longe, como o nosso futebol de antigamente: contemplado, aplaudido e, ultimamente, derrotado.<\/p>\n<p>Na outra ponta, a garota de Hon\u00f3rio Gurgel, sub\u00farbio carioca onde o trem passa lotado e o sonho costuma descer na esta\u00e7\u00e3o errada. Anitta, a menina que vendia picol\u00e9 na rua, n\u00e3o esperou ser descoberta: se imp\u00f4s. N\u00e3o passa, se apresenta. N\u00e3o \u00e9 olhada, olha de volta e ainda pergunta, marota, se voc\u00ea vem ou vai ficar a\u00ed parado. Prova? Ela num est\u00e1dio da Calif\u00f3rnia, figurando na abertura da partida entre os Estados Unidos e o Paraguai, ao lado de estrelas internacionais, levando o funk, o samba e o tambor brasileiro para o palco principal do planeta. Trocamos a musa que inspira poemas pela empres\u00e1ria que assina contratos; o viol\u00e3o pelo tamborz\u00e3o da periferia; o balan\u00e7o pelo rebolado atrevido.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Anitta-ao-lado-de-artistas-internacionais.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21992\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Anitta-ao-lado-de-artistas-internacionais-358x450.jpg\" alt=\"\" width=\"358\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Anitta-ao-lado-de-artistas-internacionais-358x450.jpg 358w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Anitta-ao-lado-de-artistas-internacionais-239x300.jpg 239w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Anitta-ao-lado-de-artistas-internacionais.jpg 399w\" sizes=\"auto, (max-width: 358px) 100vw, 358px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>A tailandesa Lisa, a brasileira Anitta e o nigeriano Rema apresentaram a dan\u00e7ante &#8220;Goals&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>E n\u00e3o para a\u00ed. Em abril, quando todos esperavam mais um disco de funk, lan\u00e7ou &#8220;Equilibrivm&#8221;, assim mesmo, com V no lugar do U, \u00e0 moda latina. Dentro: samba, ax\u00e9, ijex\u00e1, reggae e batidas inspiradas no candombl\u00e9. Mistura o ancestral com o moderno, o orix\u00e1 com a tecnologia, e o mundo inteiro dan\u00e7a. Pois bem: a analogia se sustenta? Creio que sim, e ela \u00e9 inc\u00f4moda. A Garota de Ipanema \u00e9 o nosso futebol antigo, uma beleza que vive de ser lembrada. Anitta \u00e9 o que a Sele\u00e7\u00e3o precisa se tornar: um Brasil que n\u00e3o espera o aplauso, que conquista; que n\u00e3o repete a f\u00f3rmula consagrada, que reinventa; que mistura a ginga de ber\u00e7o com o que o mundo tem de mais moderno. Se ela pode casar o tambor do sub\u00farbio com a ind\u00fastria internacional sem perder a alma, por que o nosso futebol n\u00e3o pode casar a malandria brasileira com a organiza\u00e7\u00e3o t\u00e1tica de um italiano sem deixar de ser brasileiro?<\/p>\n<p>Talvez Ancelotti seja, no fundo, o produtor estrangeiro da nossa gravadora: n\u00e3o veio apagar o ritmo, veio ajudar a grav\u00e1-lo direito. O risco n\u00e3o est\u00e1 em ter um maestro de fora. O risco est\u00e1 em continuar cantando, em pleno 2026, a mesma can\u00e7\u00e3o de 1970: bonita, nost\u00e1lgica e muda diante de um jogo que mudou.<\/p>\n<p>Pois bem, em Los Angeles, ningu\u00e9m suspirou da mesa do bar como se suspirava pela mo\u00e7a que ia ao mar. Dan\u00e7ou-se, conforme o rebolado da Anitta, naturalmente. Parece que os onze de amarelo aprendam a coreografia: o pa\u00eds que um dia foi s\u00f3 poesia agora \u00e9 funk e ax\u00e9. A Garota de Ipanema era linda, mas passiva. A de Hon\u00f3rio Gurgel \u00e9 barulhenta, inc\u00f4moda e ousada. Se a Sele\u00e7\u00e3o continuar entrando em campo como a segunda, e n\u00e3o como a primeira, o mundo levar\u00e1 a li\u00e7\u00e3o antes mesmo do apito inicial. E a\u00ed, sim, ningu\u00e9m vai pedir bis. Vai mandar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A menina que vendia picol\u00e9 na rua de Hon\u00f3rio Gurgel, sub\u00farbio carioca onde o trem passa lotado e o sonho costuma descer na esta\u00e7\u00e3o errada, &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21994,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-21991","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21991","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21991"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21991\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21995,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21991\/revisions\/21995"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21994"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21991"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21991"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21991"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}