{"id":21986,"date":"2026-06-13T10:48:05","date_gmt":"2026-06-13T13:48:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=21986"},"modified":"2026-06-13T10:48:05","modified_gmt":"2026-06-13T13:48:05","slug":"iluminacoes-caipiras-nas-memorias-de-paulo-pereira-evaldo-a-vieira-usp-unicamp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/iluminacoes-caipiras-nas-memorias-de-paulo-pereira-evaldo-a-vieira-usp-unicamp\/","title":{"rendered":"ILUMINA\u00c7\u00d5ES CAIPIRAS NAS MEM\u00d3RIAS DE PAULO PEREIRA (Evaldo A. Vieira \u2013 USP\/UNICAMP)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Resenho um livro recentemente lido por mim \u201cMinha Gente \u2013 Mem\u00f3rias\u201d (Letra Selvagem, 2025) de autoria do dr. Jos\u00e9 Paulo Pereira), em que achei muita riqueza de informa\u00e7\u00f5es sobre o caipira<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Verdadeiras ilumina\u00e7\u00f5es caipiras.<\/strong><\/p>\n<p>Paulo Pereira, nascido em Reden\u00e7\u00e3o da Serra, no ano de 1941, destinado a frade de sand\u00e1lias, filho de sitiante e trabalhador de \u201cmangueira de leite\u201d, cuidando de vacas. Aconselhado pelo \u201cprimo Nen\u00ea\u201d foi morar com a \u201ctia e estudar\u201d. Cursou o Gin\u00e1sio Taubateano e o Col\u00e9gio Monteiro Lobato (o famoso Estad\u00e3o), depois seguindo ao Rio de Janeiro a fim de cursar medicina.<\/p>\n<p>Assistiu e testemunhou em parte v\u00e1rios acontecimentos policiais ocorridos no Rio de 1961 a 1970, per\u00edodo sangrento e il\u00edcito da pol\u00edtica, arquitetado pelo governo dos Estados Unidos. No Ex\u00e9rcito, para onde fora convocado, serviu na Fortaleza de Santa Cruz, a\u00ed conhecendo presidi\u00e1rios famosos como o Professor Bayard Demaria Boiteux e o Professor Darcy Ribeiro, no momento em que a maioria progressista da intelectualidade brasileira se encontrava presa pelos militares.<\/p>\n<p>Formado em medicina, deu plant\u00e3o em Prontos Socorros e Hospitais da Regi\u00e3o, colaborando na Faculdade de Medicina de Taubat\u00e9, criando Departamento de Sa\u00fade e tornando-se funcion\u00e1rio p\u00fablico.<\/p>\n<p>Esta resenha n\u00e3o pretende abranger o conte\u00fado inteiro da obra, limitando-se t\u00e3o somente ao 1\u00ba Cap\u00edtulo (\u201cMem\u00f3rias\u201d), mostrando sua presen\u00e7a na vida caipira e sua transi\u00e7\u00e3o do caipira ao meio urbano de Taubat\u00e9 e ao urbano do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Memorias.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21988\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Memorias-290x450.jpg\" alt=\"\" width=\"290\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Memorias-290x450.jpg 290w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Memorias-193x300.jpg 193w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Memorias.jpg 327w\" sizes=\"auto, (max-width: 290px) 100vw, 290px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Al\u00e9m do noticiado no \u201cAlmanaque Taubat\u00e9\u201d, no n. 4, intitulado \u201cCaipira Sim Senhor\u201d, h\u00e1 mais elementos desta cultura conforme se v\u00ea na preservada cidade de S\u00e3o Luiz do Paraitinga. \u00a0No \u201cAlmanaque Taubat\u00e9\u201d, citado, \u201co caipira recorre a plantas medicinais, emplastos, crendices e at\u00e9 rezas\u201d durante as doen\u00e7as causadoras de morte; e ainda a alimenta\u00e7\u00e3o; os tabus (misturas); o uso do tabaco, a m\u00fasica sertaneja e assim por diante.<\/p>\n<p>O caipira paulista \u00e9 o homem das tropas, percorrendo os campos de dezenas de l\u00e9guas a p\u00e9 ou arcado sobre o burro. Nascem fora da cidade, criados na natureza, lidam entre si mais pelo cora\u00e7\u00e3o que pela raz\u00e3o, embora t\u00edmidos e desconfiados. O que define o caipira em geral \u00e9 a forma criada pelos seus meios de subsist\u00eancia, n\u00e3o apenas pela forma de reprodu\u00e7\u00e3o da forma f\u00edsica que indica ainda a forma de viver.<\/p>\n<p>Sua linguagem o mostra integralmente, com palavras como alim\u00e1; am\u00f4de; arma-penada; as coisa-feito; banz\u00e9; caguira; caip\u00f3ra; nome-feio; patu\u00e1; p\u00e9 de moleque; p\u00e9 d\u00b4ouvido; que-nem, e in\u00fameros outros voc\u00e1bulos. Ao comer, n\u00e3o podem faltar a\u00e7\u00facar; toicinho; carne de porco; feij\u00e3o; milho, farinha&#8230; em geral criam e cultivam g\u00eaneros aliment\u00edcios. O culto dos santos, obedecendo a dogma ou n\u00e3o, contribui essencialmente \u00e0 unidade religiosa e associam-se a pr\u00e1ticas dom\u00e9sticas (doces, salgados, pratos feitos) tanto nos grupos quanto nas cidades.<\/p>\n<p>Ora, o \u201cMinha Gente\u201d ilustra a pl\u00eaiade, dentre outros, dos estudiosos de assunto como, por exemplo, Ant\u00f4nio C\u00e2ndido, Maria Isaura Pereira de Queiroz, Nice Lecoq M\u00fcller e Corn\u00e9lio Pires.<\/p>\n<p>No livro \u201cMinha Gente\u201d, indica-se parte da cren\u00e7a caipira:<\/p>\n<p><em>\u201cA mo\u00e7a bondosa e pura faleceu muito cedo. Crendices disseram que ela j\u00e1 se purificara para viver no para\u00edso e, por isso, partiu ainda muito jovem<\/em><em>\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Ou: <em>\u201cH\u00e1 muita gente voltando para a ro\u00e7a por n\u00e3o suportar mais os coisas ruins da cidade. H\u00e1 muita gente entendendo que morar num s\u00edtio \u00e9 mais confort\u00e1vel\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Ou: \u201c<em>\u00c9 o progresso. Mas tamb\u00e9m j\u00e1 dissabores. N\u00e3o se encontra mais um amigo para conversar. N\u00e3o se tem mais tempos para nada\u201d.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Caipira.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21989\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Caipira-450x343.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"343\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Caipira-450x343.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Caipira-300x228.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Caipira-768x585.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Caipira.jpg 804w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Ou ainda: \u201c<em>As pessoas achavam estranho uma casa de pau-a-pique, sem forro, sem ladrilho, com fog\u00e3o de lenha e as paredes negras com a fuligem de fuma\u00e7a. Tomava banho de bacia e pegava \u00e1gua na mina&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Amizade de caipira \u00e9 amizade de sempre no livro: Galhardo, Romano, Israel, Walter, Rivaldo, Monteiro, Nilzo, Maria Let\u00edcia, Ol\u00edmpia, Ivonete&#8230;<\/p>\n<p>O caipira paulista, a princ\u00edpio n\u00f4made e predat\u00f3rio, desenvolve vida ecol\u00f3gica, cria um tipo de sociabilidade espec\u00edfica, edifica a ind\u00fastria caseira e seus utens\u00edlios.<\/p>\n<p>Tudo isso est\u00e1, ao menos, presente e sugerido no livro de mem\u00f3rias de Paulo Pereira, a ser melhor conhecido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resenho um livro recentemente lido por mim \u201cMinha Gente \u2013 Mem\u00f3rias\u201d (Letra Selvagem, 2025) de autoria do dr. 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