{"id":21683,"date":"2025-10-05T08:50:30","date_gmt":"2025-10-05T11:50:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=21683"},"modified":"2025-10-05T08:52:47","modified_gmt":"2025-10-05T11:52:47","slug":"a-arte-da-feiura-e-a-feiura-na-arte-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/a-arte-da-feiura-e-a-feiura-na-arte-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"A ARTE DA FEIURA E A FEIURA NA ARTE (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Sabe aquela pessoa que, se fosse personagem de filme, seria a vil\u00e3, mas no final voc\u00ea acaba torcendo pra ela? Ou aquele quadro que, de t\u00e3o estranho, fica grudado na sua mem\u00f3ria? Pois \u00e9, a arte tem um talento especial para pegar o que o mundo rejeita e transformar em algo que a gente n\u00e3o s\u00f3 aceita, mas admira. E o mais engra\u00e7ado? A gente nem v\u00ea chegar.<\/p>\n<p>Um dia voc\u00ea est\u00e1 evitando olhar para o corcunda no livro de hist\u00f3ria, no outro est\u00e1 emocionado com a pureza de Quas\u00edmodo. Victor Hugo fez a proeza de nos fazer esquecer a corcunda e enxergar apenas a alma do sujeito. \u00c9 como se a arte dissesse: &#8220;Voc\u00ea acha que isso \u00e9 feio? Espera s\u00f3 um pouco que eu te ensino a ver direito.&#8221; E assim, sem aviso, voc\u00ea se pega torcendo por um cara que, na vida real, faria voc\u00ea desviar o olhar no metr\u00f4.<\/p>\n<p>A Fera \u00e9 outro caso cl\u00e1ssico. No come\u00e7o, ela \u00e9 s\u00f3 um urso mal-humorado com problemas de pele. Mas a\u00ed a Bela chega, descobre que ele \u00e9 um leitor voraz (homem que l\u00ea \u00e9 charme puro) e, de repente, a gente est\u00e1 torcendo pelo romance mais improv\u00e1vel dos contos de fadas. A arte nos convenceu de que dentes afiados e pelos demais s\u00e3o detalhes perto de um cora\u00e7\u00e3o que derrete com poesia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/A-Bela-e-a-Fera.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21684\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/A-Bela-e-a-Fera-450x450.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/A-Bela-e-a-Fera-450x450.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/A-Bela-e-a-Fera-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/A-Bela-e-a-Fera-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/A-Bela-e-a-Fera-80x80.jpg 80w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/A-Bela-e-a-Fera-360x360.jpg 360w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/A-Bela-e-a-Fera.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>E n\u00e3o podemos falar de feiura redimida sem citar o ogro mais amado do cinema. Shrek n\u00e3o s\u00f3 abra\u00e7ou sua \u201cogrice\u201d como a transformou em estilo de vida. Ele \u00e9 verde, vive num p\u00e2ntano, come coisas nojentas e ainda assim \u00e9 mais carism\u00e1tico que metade dos pr\u00edncipes encantados. Quando Fiona vira ogra no final, a mensagem \u00e9 clara: perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 chato. O neg\u00f3cio \u00e9 ser feliz com quem voc\u00ea \u00e9 \u2013 mesmo que isso signifique soltar gases ou arrotar no jantar.<\/p>\n<p>Os artistas medievais e renascentistas adoravam um bom monstro. Hieronymus Bosch pintava diabos t\u00e3o bizarros que davam pesadelo, mas eram t\u00e3o cheios de detalhes que voc\u00ea ficava hipnotizado. As g\u00e1rgulas das catedrais, com suas caras torcidas, tinham um emprego nobre: assustar os maus esp\u00edritos. Ou seja, eram feias, mas \u00fateis \u2013 tipo um porteiro bravo que protege o pr\u00e9dio.<\/p>\n<p>Vel\u00e1zquez, o pintor espanhol, olhou para os an\u00f5es da corte \u2013 figuras que a nobreza tratava como piada \u2013 e viu dignidade. Seu retrato do An\u00e3o Don Sebasti\u00e1n de Morra n\u00e3o \u00e9 sobre piedade; \u00e9 sobre presen\u00e7a. O sujeito est\u00e1 ali, inteiro, com um olhar que desafia: &#8220;Pode me achar feio, mas eu existo, e minha hist\u00f3ria importa.&#8221; A arte tem esse poder: pegar o que o mundo ignora e dizer: &#8220;Olha s\u00f3 o que voc\u00ea est\u00e1 perdendo.&#8221;<\/p>\n<p>O cinema moderno continuou a tradi\u00e7\u00e3o. Gollum, de O Senhor dos An\u00e9is, \u00e9 nojento, trai\u00e7oeiro e pat\u00e9tico \u2013 e ainda assim um dos personagens mais fascinantes da trilogia. A gente sabe que ele vai trair todo mundo, mas torce por ele mesmo assim. Tim Burton fez carreira celebrando os esquisitos: Jack Skellington, o esqueleto depressivo que quer roubar o Natal; Edward M\u00e3os de Tesoura, o rapaz que n\u00e3o pode sequer abra\u00e7ar quem ama. At\u00e9 a Mulher-Gato da Michelle Pfeiffer, com seu traje costurado \u00e0 m\u00e3o e \u00f3dio por homens, virou \u00edcone de estilo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/michelle-pfeiffer-mulher-gato.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21685\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/michelle-pfeiffer-mulher-gato-450x253.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/michelle-pfeiffer-mulher-gato-450x253.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/michelle-pfeiffer-mulher-gato-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/michelle-pfeiffer-mulher-gato-768x432.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/michelle-pfeiffer-mulher-gato-750x420.jpg 750w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/michelle-pfeiffer-mulher-gato-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/michelle-pfeiffer-mulher-gato.jpg 1290w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A arte est\u00e1 pouco se lixando para o que \u00e9 considerado bonito ou feio. Ela pega o estranho, o exagerado, o assustador, e nos faz amar. Por qu\u00ea? Porque ela nos mostra que beleza n\u00e3o \u00e9 uma f\u00f3rmula. Pode estar na coragem de Quas\u00edmodo, na lealdade da Fera, na honestidade de Shrek, ou at\u00e9 na trag\u00e9dia de Gollum.<\/p>\n<p>No fim, a arte \u00e9 aquela amiga que chega com um copo de vinho duvidoso e diz: &#8220;Experimenta antes de criticar.&#8221; E a gente, relutante, experimenta \u2013 e descobre que gosta. Ela nos ensina que feiura e beleza s\u00e3o s\u00f3 pontos de vista, e que o verdadeiro charme est\u00e1 naquilo que quebra as regras.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o da pr\u00f3xima vez que voc\u00ea vir algo &#8220;feio&#8221; \u2013 num museu, num filme, na rua \u2013 pare um segundo. D\u00ea uma chance. Pode ser que aquela criatura de nariz torto ou pele verde esteja a um passo de virar seu novo preferido. Afinal, como diria o pr\u00f3prio Shrek: &#8220;Melhor ser um ogro aut\u00eantico que um pr\u00edncipe sem gra\u00e7a.&#8221; E a arte, essa malandra, concorda plenamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabe aquela pessoa que, se fosse personagem de filme, seria a vil\u00e3, mas no final voc\u00ea acaba torcendo pra ela? Ou aquele quadro que, de &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21686,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-21683","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21683","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21683"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21683\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21687,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21683\/revisions\/21687"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21686"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}