{"id":21658,"date":"2025-09-07T09:07:56","date_gmt":"2025-09-07T12:07:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=21658"},"modified":"2025-09-07T09:10:43","modified_gmt":"2025-09-07T12:10:43","slug":"suicidio-vamos-falar-sobre-setembro-amarelo-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/suicidio-vamos-falar-sobre-setembro-amarelo-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"SUICIDIO: VAMOS FALAR SOBRE \u201cSETEMBRO AMARELO\u201d?\u00a0(JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>O suic\u00eddio \u00e9 um dos temas mais silenciados de todas as culturas. Logo ele, que precisa ser alardeado como um perigo sutil, amea\u00e7ador e mais presente do que se pensa. A sociedade, em sua \u00e2nsia por esconder as feridas, prefere a mudez ao inv\u00e9s do grito de socorro. \u00c9 uma escolha que nos condena a uma ignor\u00e2ncia perigosa, onde o abismo entre a vida e o seu fim \u00e9 tratado como um assunto de vergonha, sussurrado em cantos escuros e nunca iluminado pelo sol da realidade.<\/p>\n<p>O mundo moderno \u00e9 muito trai\u00e7oeiro e, na apologia \u00e0 vida, rende tributos \u00e0 eterna juventude, aos f\u00edsicos modelados, \u00e0s roupas e apetrechos que escondem nossa inef\u00e1vel caminhada para o fim. Fim e finitude se tran\u00e7am, produzindo narrativas que enfeiti\u00e7am a vida como se ela fosse eterna. Mas eis que chega setembro e nos faz lembrar que sabemos de casos dram\u00e1ticos, de situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, de amigos, vizinhos, parentes que segredam hist\u00f3rias. E que hist\u00f3rias!&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Byung-Chul-Han.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21661\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Byung-Chul-Han-450x399.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"399\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Byung-Chul-Han-450x399.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Byung-Chul-Han-300x266.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Byung-Chul-Han-768x681.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Byung-Chul-Han.jpg 816w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><em><strong><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Byung-Chul-Han.jpg\">F<\/a>il\u00f3sofo sul-coreano Byung-Chul Han<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A \u201csociedade do desempenho\u201d, t\u00e3o bem descrita pelo fil\u00f3sofo Byung-Chul Han, nos imp\u00f5e uma press\u00e3o implac\u00e1vel. Somos, a todo instante, bombardeados com a ideia de que a felicidade \u00e9 um estado de esp\u00edrito a ser alcan\u00e7ado por meio do sucesso e da produtividade. O &#8220;eu posso&#8221; do empreendedorismo se transforma em um &#8220;eu devo&#8221;, e a aus\u00eancia de sucesso vira uma falha pessoal. Nesse cen\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a tristeza, para o fracasso ou para a vulnerabilidade. A dor mental \u00e9 vista como uma fraqueza a ser escondida, n\u00e3o uma condi\u00e7\u00e3o a ser tratada com a mesma seriedade de uma doen\u00e7a f\u00edsica. O sorriso for\u00e7ado da foto perfeita no Instagram \u00e9 o v\u00e9u que cobre uma dor que a vida real se recusa mostrar.<\/p>\n<p>A finitude, o conceito filos\u00f3fico da nossa mortalidade natural, \u00e9 algo que a humanidade sempre tentou negociar. No entanto, o fim, na sua forma mais tr\u00e1gica, \u00e9 uma porta que a sociedade tenta trancar e esquecer. O fil\u00f3sofo franc\u00eas Albert Camus, em seu livro <em>O Mito de S\u00edsifo<\/em>, pontificou: &#8220;S\u00f3 existe um problema filos\u00f3fico realmente s\u00e9rio: o suic\u00eddio&#8221;. Para ele, decidir se a vida vale a pena ser vivida \u00e9 a quest\u00e3o fundamental. A modernidade, com seu culto ao otimismo e \u00e0 eterna juventude, tenta nos convencer de que a vida <em>sempre<\/em> vale a pena, ignorando as vozes que, no sil\u00eancio, pedem socorro. Ao negar a complexidade da dor humana, criamos uma m\u00e1scara social que impede o di\u00e1logo e aprisiona aqueles que se sentem perdidos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sisifo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21663\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sisifo.jpg\" alt=\"\" width=\"185\" height=\"273\" \/><\/a><\/p>\n<p>Setembro chega, trazendo consigo a cor do luto e do alerta. O &#8220;Setembro Amarelo&#8221; \u00e9 mais do que uma campanha; \u00e9 um grito coletivo contra o sil\u00eancio ou a apatia medrosa. \u00c9 o momento em que somos convidados a tirar a poeira das hist\u00f3rias que guardamos em segredo. De repente, nos lembramos daquele vizinho que tinha tudo, mas a solid\u00e3o pesou mais que a riqueza. Do parente que, com um sorriso, escondia o desespero de um luto n\u00e3o superado. Do amigo que falava sobre a vida com uma lucidez assustadora, como se estivesse se despedindo em cada palavra. Do artista ou celebridade que soube mascarar a dor insuport\u00e1vel. Essas s\u00e3o as narrativas que a apologia \u00e0 vida eterna n\u00e3o quer que a gente veja. S\u00e3o os casos que desvendam a fragilidade da nossa exist\u00eancia, a vulnerabilidade que, de t\u00e3o negada, se transforma em trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>A grande luta do \u201cSetembro Amarelo\u201d n\u00e3o \u00e9 apenas contra a morte, mas contra a nega\u00e7\u00e3o da dor. \u00c9 sobre permitir que a tristeza e o desespero existam sem julgamento. \u00c9 sobre aprender a ouvir, a olhar nos olhos, a perguntar &#8220;como voc\u00ea realmente est\u00e1?&#8221; sem medo da resposta. \u00c9 sobre entender que, por tr\u00e1s da fachada de for\u00e7a, existe um ser humano com cicatrizes invis\u00edveis, com batalhas que n\u00e3o aparecem nas redes sociais. A compaix\u00e3o e a empatia s\u00e3o as \u00fanicas armas contra a solid\u00e3o que o mundo moderno nos imp\u00f5e.<\/p>\n<p>Quando falamos sobre suic\u00eddio, estamos dizendo da vida. Estamos ponderando sobre a import\u00e2ncia de ser visto, de ser compreendido, de ser amado incondicionalmente. O que nos salva do abismo n\u00e3o s\u00e3o os bens materiais, a eterna juventude ou o sucesso profissional, mas sim o v\u00ednculo humano, a presen\u00e7a que desarma a solid\u00e3o e o amor que nos lembra da nossa pr\u00f3pria dignidade. Se a modernidade esconde nossa finitude, o di\u00e1logo sobre o suic\u00eddio a exp\u00f5e, mas n\u00e3o como algo a ser temido, e sim como a condi\u00e7\u00e3o humana que nos convoca a sermos mais presentes, mais atentos e mais humanos uns com os outros. A vida pode n\u00e3o ser eterna, mas a conex\u00e3o que constru\u00edmos uns com os outros \u00e9 o legado que nos protege da escurid\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O suic\u00eddio \u00e9 um dos temas mais silenciados de todas as culturas. 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