{"id":21620,"date":"2025-08-14T19:31:42","date_gmt":"2025-08-14T22:31:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=21620"},"modified":"2025-08-14T19:31:42","modified_gmt":"2025-08-14T22:31:42","slug":"de-taubate-ao-rock-nacional-e-ao-sertanejo-tony-campello-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/de-taubate-ao-rock-nacional-e-ao-sertanejo-tony-campello-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"DE TAUBAT\u00c9 AO ROCK NACIONAL E AO SERTANEJO: TONY CAMPELLO (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Premoni\u00e7\u00e3o? Pode ser. Mas Tony j\u00e1 batizou um de seus discos de Algoritmos do Rock<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Foi um daqueles momentos irretoc\u00e1veis, como se o destino sussurrasse ao ouvido. Cheguei em casa exausto depois de um Dia dos Pais intenso, liguei a TV quase por reflexo &#8211; e l\u00e1 estava ele. Tony Campelo, aos 89 anos, brilhando no programa\u00a0<em>Persona<\/em>\u00a0da TV Cultura como um cometa riscando o c\u00e9u. N\u00e3o era s\u00f3 um \u00edcone na tela; era um peda\u00e7o vivo da minha hist\u00f3ria, da nossa hist\u00f3ria. Taubat\u00e9, o rock, o sertanejo do Brasil modernizado pulsando em suas palavras.<\/p>\n<p>Ali, naquele instante, percebi algo que h\u00e1 muito tempo deveria ter sido \u00f3bvio:\u00a0Tony Campelo n\u00e3o \u00e9 apenas um nome do passado &#8211; ele \u00e9 uma lenda que ainda respira, ainda cria, ainda inspira.\u00a0E, no entanto, quantos jovens hoje sabem quem foi esse homem? Quantos conhecem o taubateano que ajudou a moldar a m\u00fasica brasileira como poucos?<\/p>\n<p>Nascido S\u00e9rgio Benelli Campello, ele adotou o nome Tony inspirado no gal\u00e3 Tony Curtis &#8211; e que nome adequado para um homem que, como o astro de Hollywood, viveu uma trajet\u00f3ria de estrelato. Mas sua fama n\u00e3o veio apenas dos palcos. Tony foi um\u00a0reorganizador da m\u00fasica brasileira, um profeta que ajudou a esculpir o som de gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/celly-e-tony-campello.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21621\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/celly-e-tony-campello-450x326.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/celly-e-tony-campello-450x326.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/celly-e-tony-campello-300x217.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/celly-e-tony-campello-768x557.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/celly-e-tony-campello.jpg 868w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><em style=\"text-align: center;\"><strong>Celly e Tony Campello marcaram\u00a0 a juventude de muitas gera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/em><\/p>\n<p>E tudo come\u00e7ou em\u00a0Taubat\u00e9, nossa cidade, onde o viol\u00e3o e o piano se tornaram suas armas numa revolu\u00e7\u00e3o sonora. Enquanto o Brasil dos anos 50 ainda se embalava em boleros e sambas-can\u00e7\u00e3o, Tony e sua irm\u00e3, a doce e talentosa\u00a0Celly Campelo, j\u00e1 ouviam no r\u00e1dio os ecos distantes de um novo ritmo que explodia nos EUA: o\u00a0rock\u2019n\u2019roll.<\/p>\n<p>Antes de Roberto Carlos, antes de Erasmo, antes mesmo que a palavra &#8220;Jovem Guarda&#8221; existisse,\u00a0Taubat\u00e9 j\u00e1 tinha seus reis do rock. Tony e Celly eram os\u00a0&#8220;brotos legais&#8221;\u00a0que incendiaram os bailes do Taubat\u00e9 Country Club com a banda\u00a0Ritmos OK, introduzindo o rock\u2019n\u2019roll em terras brasileiras quando ainda era um ritmo ex\u00f3tico, quase proibido.<\/p>\n<p>Enquanto Nora Ney e Cauby Peixoto apenas experimentavam o novo estilo, Tony e Celly\u00a0mergulharam de cabe\u00e7a, criando cl\u00e1ssicos como\u00a0<em>&#8220;Est\u00fapido Cupido&#8221;<\/em>\u00a0e\u00a0<em>&#8220;Boogie do Beb\u00ea&#8221;<\/em>. E as carinhas jovens rejuvenesciam nosso cancioneiro, at\u00e9 ent\u00e3o dominado por lacrimejantes boleros e m\u00fasicas de fossa.<\/p>\n<p>Mas Tony n\u00e3o era s\u00f3 um m\u00fasico \u2014 era um\u00a0prod\u00edgio autodidata, um homem que enxergava al\u00e9m. Enquanto Celly brilhava como a\u00a0princesinha do rock brasileiro, ele trabalhava nos bastidores, moldando o futuro da m\u00fasica. E foi essa\u00a0dualidade\u00a0que o tornou \u00fanico: um artista no palco e um g\u00eanio na cabine de produ\u00e7\u00e3o.<a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/ony-33-rpm.jpg\"><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21622\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/ony-33-rpm.jpg\" alt=\"\" width=\"229\" height=\"187\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Bons tempos dos compactos de 33 RPM<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Se Tony ajudou a fundar o rock no Brasil, tamb\u00e9m foi ele quem\u00a0reinventou a m\u00fasica sertaneja. Com ra\u00edzes fincadas no interior, ele tinha o ouvido perfeito para modernizar o g\u00eanero sem perder sua ess\u00eancia. Na\u00a0RCA, sua m\u00e3o de produtor transformou carreiras. S\u00e9rgio Reis, Deny &amp; Dino, L\u00e9o Canhoto &amp; Robertinho &#8211; todos beberam de sua genialidade. Ele n\u00e3o apenas produzia;\u00a0ele traduzia. Pegava a alma caipira e a vestia com arranjos contempor\u00e2neos, levando o sertanejo para as r\u00e1dios de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Enquanto o rock o consagrou como pioneiro, foi no sertanejo que ele mostrou sua\u00a0verdadeira maestria. Tony Campelo n\u00e3o era apenas um artista; era um\u00a0vision\u00e1rio\u00a0que entendia que a m\u00fasica brasileira precisava evoluir sem perder suas ra\u00edzes.<\/p>\n<p>O final da entrevista no\u00a0<em>Persona<\/em>\u00a0foi de cortar o cora\u00e7\u00e3o.\u00a0Renato Teixeira, outro filho do cora\u00e7\u00e3o de Taubat\u00e9, apareceu para dizer o que todos n\u00f3s sentimos:\u00a0<em>&#8220;Muito obrigado, Serginho. \u00c9 uma honra ter voc\u00ea de volta ao lugar que \u00e9 nosso.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>E \u00e9 isso. Tony Campelo n\u00e3o \u00e9 apenas um nome nos livros de m\u00fasica &#8211; \u00e9 um\u00a0peda\u00e7o da nossa identidade. Em 1996, ele e Celly receberam o t\u00edtulo de\u00a0Cidad\u00e3os Taubateanos, um reconhecimento justo para quem colocou nossa cidade no mapa cultural do Brasil. Mas depois disso&#8230;\u00a0depois disso, reinou um sil\u00eancio que precisa ser quebrado.<\/p>\n<p>Quantas cidades no mundo t\u00eam o privil\u00e9gio de ter gerado um g\u00eanio como Tony Campelo?\u00a0Pouqu\u00edssimas.\u00a0E, no entanto, quantas vezes Taubat\u00e9 j\u00e1 celebrou seu legado como deveria? Precisamos de um\u00a0grande evento &#8211; um show-tributo, um document\u00e1rio, uma exposi\u00e7\u00e3o permanente no Museu Hist\u00f3rico. Algo que\u00a0revigore sua mem\u00f3ria\u00a0e mostre \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es que a hist\u00f3ria da m\u00fasica brasileira passa por Taubat\u00e9.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tony-2017.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21623\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tony-2017-450x338.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tony-2017-450x338.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tony-2017-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tony-2017.jpg 512w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Tony Campello em evento da Prefeitura paulistana em 2017<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Imagine:\u00a0um festival anual &#8220;Tony &amp; Celly Campelo&#8221;, reunindo rock, sertanejo e MPB, celebrando n\u00e3o apenas o passado, mas o futuro da m\u00fasica. Artistas locais e nacionais poderiam se apresentar, e Tony\u2014nosso eterno mestre &#8211; seria coroado em vida, como merece.<\/p>\n<p>Taubat\u00e9,\u00a0est\u00e1 na hora de trazer nosso her\u00f3i de volta.\u00a0Vamos celebrar Tony Campelo n\u00e3o como uma lembran\u00e7a distante, mas como o\u00a0g\u00eanio vivo que ele ainda \u00e9. E sabe por qu\u00ea? Porque sua hist\u00f3ria n\u00e3o acabou.\u00a0Ela ainda est\u00e1 sendo escrita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Premoni\u00e7\u00e3o? Pode ser. 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