{"id":21599,"date":"2025-08-03T08:15:56","date_gmt":"2025-08-03T11:15:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=21599"},"modified":"2025-08-03T08:15:56","modified_gmt":"2025-08-03T11:15:56","slug":"touradas-cronica-do-sadismo-latente-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/touradas-cronica-do-sadismo-latente-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"TOURADAS: CR\u00d4NICA DO SADISMO LATENTE (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>De vez em quando, a gente respira fundo e tenta entender, mas tem hora que n\u00e3o d\u00e1. Para mim, \u00e9 simplesmente inacredit\u00e1vel que o Brasil, em pleno 2025, ainda flerte com o avesso da civilidade, pensando em inaugurar rodeios ou, pior, em desenterrar a barb\u00e1rie das touradas. Basta um olhar para a Europa, ber\u00e7o de tantas tradi\u00e7\u00f5es que um dia exaltaram o embate entre homem e touro, para perceber o clima de mudan\u00e7a. L\u00e1, a \u201cfiesta brava\u201d definha. Cidades como <strong>Barcelona<\/strong> j\u00e1 baniram as touradas em 2010. Nas <strong>Ilhas Can\u00e1rias<\/strong>, o veto veio em 1991. Testemunhei emocionado em Valladolid o esfor\u00e7o para a extin\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica. A cada ano, novas pra\u00e7as se fecham e o apelo pela dignidade animal ressoa nas ruas com ativistas incans\u00e1veis denunciando a crueldade inerente a cada estocada de espada. O touro, nesse picadeiro de horror, n\u00e3o \u00e9 um advers\u00e1rio, mas uma v\u00edtima predeterminada, submetida a um estresse indiz\u00edvel, ferimentos e, por fim, a uma morte lenta e angustiante.<\/p>\n<p>Enquanto o mundo civilizado, incluindo grandes na\u00e7\u00f5es com ra\u00edzes profundas na tauromaquia, avan\u00e7a para o desuso de tais shows, o Brasil parece flertar com um retrocesso perturbador. Projetos de lei e iniciativas locais para a constru\u00e7\u00e3o de novas arenas de rodeio argumentam que s\u00e3o \u201ctradi\u00e7\u00f5es culturais\u201d, mas isso j\u00e1 n\u00e3o se sustenta diante do sofrimento expl\u00edcito imposto aos animais. O <strong>Supremo Tribunal Federal j\u00e1 firmou entendimento de que pr\u00e1ticas cru\u00e9is n\u00e3o s\u00e3o protegidas pelo direito \u00e0 cultura quando violam princ\u00edpios \u00e9ticos e legais (ADI 4.983\/MT)<\/strong>. Entendeu ou precisa desenhar? Nenhuma heran\u00e7a cultural justifica a tortura.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/morte-homem-tourada-espanha-conexao-planeta.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21600\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/morte-homem-tourada-espanha-conexao-planeta-450x263.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"263\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/morte-homem-tourada-espanha-conexao-planeta-450x263.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/morte-homem-tourada-espanha-conexao-planeta-300x176.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/morte-homem-tourada-espanha-conexao-planeta-768x449.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/morte-homem-tourada-espanha-conexao-planeta.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>As campanhas contr\u00e1rias a rodeios e touradas no Brasil ganham for\u00e7a, unindo protetores de animais, ambientalistas, juristas e cidad\u00e3os comuns. O clamor \u00e9 claro: o sofrimento dos touros, cavalos e demais animais envolvidos nesses espet\u00e1culos \u00e9 ineg\u00e1vel. Nos rodeios, os bois s\u00e3o induzidos ao p\u00e2nico e \u00e0 exaust\u00e3o por la\u00e7os e arreios apertados, que lhes causam dor intensa e podem provocar les\u00f5es graves, fraturas e at\u00e9 a morte. Os cavalos s\u00e3o submetidos a estresse extremo e riscos de acidentes. A <strong>Lei 10.220\/2001<\/strong>, que regulamenta rodeios, \u00e9 insuficiente para coibir a viol\u00eancia intr\u00ednseca a essas pr\u00e1ticas. N\u00e3o h\u00e1 \u201carte\u201d na coa\u00e7\u00e3o, nem \u201cesporte\u201d na imposi\u00e7\u00e3o de medo e dor a um animal.<\/p>\n<p>E tem a plateia. Essa gente que aplaude, vibra, se deleita com o sofrimento alheio. O que acontece na cabe\u00e7a de quem acha isso divertido? A psicologia social j\u00e1 mostrou que espet\u00e1culos que normalizam a agress\u00e3o dessensibilizam a gente, banalizam a dor, refor\u00e7am comportamentos que n\u00e3o queremos na nossa sociedade. Aplaudir um touro sendo espetado ou um boi caindo exausto no rodeio n\u00e3o \u00e9 celebrar \u201chabilidade\u201d; \u00e9 celebrar a covardia, a subjuga\u00e7\u00e3o de um ser que n\u00e3o tem como se defender. Que sadismo coletivo \u00e9 esse, mascarado de folclore?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Rodeio.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-21601\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Rodeio.jpeg\" alt=\"\" width=\"430\" height=\"286\" \/><\/a><\/p>\n<p>A justificativa de que esses eventos geram turismo e arrecada\u00e7\u00e3o para as prefeituras \u00e9, no m\u00ednimo, desavergonhada. O argumento econ\u00f4mico \u00e9 juridicamente fr\u00e1gil, pois o <strong>interesse p\u00fablico n\u00e3o pode legitimar atividades il\u00edcitas (art. 170, CF\/88)<\/strong>, muito menos aquelas que ferem a moralidade administrativa e os princ\u00edpios da prote\u00e7\u00e3o animal. Fomentar um <strong>\u201cturismo s\u00e1dico\u201d<\/strong>, que se alimenta do sofrimento alheio, \u00e9 uma mancha na imagem de qualquer cidade que aspire lugar respeit\u00e1vel. A pr\u00f3pria <strong>Constitui\u00e7\u00e3o Federal, em seu art. 225<\/strong>, imp\u00f5e ao Estado e \u00e0 coletividade o dever de proteger os animais. Decis\u00f5es como a do TJ-RS (Ap. 70087605094) j\u00e1 afirmaram que rodeios violam esse mandamento quando submetem animais a situa\u00e7\u00f5es de estresse extremo e les\u00f5es. Munic\u00edpios que incentivam tais pr\u00e1ticas sob o pretexto de atrair turismo est\u00e3o, na verdade, fomentando um ciclo perverso de viol\u00eancia, manchando a imagem do Brasil perante o mundo, especialmente quando o pa\u00eds \u00e9 signat\u00e1rio de tratados como a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Animais (UNESCO\/1978). Prefeituras que autorizam novos rodeios ou touradas n\u00e3o apenas desrespeitam a legisla\u00e7\u00e3o ambiental, mas tamb\u00e9m assumem uma postura regressiva, ignorando a tend\u00eancia global de aboli\u00e7\u00e3o dessas pr\u00e1ticas. Se a cultura evolui, o ordenamento jur\u00eddico deve acompanhar, assegurando que nenhuma tradi\u00e7\u00e3o se sustente sobre o sofrimento. Legisladores e ju\u00edzes devem agir com base em princ\u00edpios \u00e9ticos, n\u00e3o em apelos passionais de uma minoria que ainda encontra prazer na dor alheia.<\/p>\n<p>A verdadeira cultura n\u00e3o sangra. N\u00e3o tortura. N\u00e3o se diverte com o desespero. E o Direito, como express\u00e3o da justi\u00e7a, n\u00e3o pode compactuar com a barb\u00e1rie. O lugar do sofrimento animal n\u00e3o \u00e9 no picadeiro, mas sim no passado, como um triste lembrete do que a humanidade foi capaz, mas que n\u00e3o mais aceita ser cruel, insens\u00edvel e capaz de trocar a dor por um punhado de dinheiro vindo de um turismo torpe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De vez em quando, a gente respira fundo e tenta entender, mas tem hora que n\u00e3o d\u00e1. 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