{"id":21250,"date":"2024-12-01T07:59:57","date_gmt":"2024-12-01T10:59:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=21250"},"modified":"2024-12-01T07:59:57","modified_gmt":"2024-12-01T10:59:57","slug":"no-escurinho-do-cinema-ainda-estou-aqui-e-malu-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/no-escurinho-do-cinema-ainda-estou-aqui-e-malu-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"NO ESCURINHO DO CINEMA: \u201cAINDA ESTOU AQUI\u201d E \u201cMALU\u201d (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Eunice real e a Eunice representada pela genialidade de Fernanda Torres<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Sempre gostei de cinema. Sempre. E meu prazer maior implicava ir \u00e0s primeiras sess\u00f5es \u2013 que antes cham\u00e1vamos de matin\u00e9. Com a sala quase sempre vazia, eu me sentia meio dono da fun\u00e7\u00e3o. E, claro, com pipoca. Tinha o h\u00e1bito de ir duas vezes por semana, e esses dias eram especiais. Fazia minha caminhada de cerca de dois quil\u00f4metros, matando dois coelhos com uma cajadada s\u00f3. Voltava a p\u00e9, e a pauta era deglutir aspectos do filme. Ah, de prefer\u00eancia sozinho. Para ambientar o programa, sempre que poss\u00edvel lia as cr\u00edticas, visando estabelecer um di\u00e1logo entre a orienta\u00e7\u00e3o especializada e meu ponto de vista. Quase sempre discordava.<\/p>\n<p>Com a chegada da pandemia, fui obrigado a mudar meus h\u00e1bitos. Assinei canais de filmes e, com alguma naturalidade, fui mudando meus gostos. Antes, via sempre os lan\u00e7amentos e apostava nos vencedores dos grandes pr\u00eamios. Durante a pandemia, com uma oferta ainda maior e mais variada, procurei compensar os prazeres dos cinemas de rua ou shoppings pela facilidade do cinema dom\u00e9stico. Logo aprendi que n\u00e3o seria conveniente supor uma disputa entre as duas alternativas, mas sim aproveitar o melhor de cada uma.<\/p>\n<p>Passadas as ondas de COVID-19, a tentativa de retomar os antigos h\u00e1bitos se apresentou como um desafio. Continuei \u00e0 ca\u00e7a dos lan\u00e7amentos, mas agora em uma nova pauta, muito menos entusiasmado com as idas semanais \u00e0s salas. Confesso que, no \u00edntimo, havia sempre a tenta\u00e7\u00e3o de voltar \u00e0 pr\u00e1tica antiga, mas&#8230; cada dia parecia surgir um novo motivo para adiar. E adiei at\u00e9 a semana passada. \u00c9 l\u00f3gico que houve uma festa interior, pois fui for\u00e7ado a reconhecer que se passaram cinco anos desde a \u00faltima vez que frequentei o cinema. E n\u00e3o foi t\u00e3o natural voltar. N\u00e3o s\u00f3 pela mudan\u00e7a na minha atitude, mas tamb\u00e9m pelas altera\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o f\u00edsico: novas cores na fachada, a livraria ao lado substitu\u00edda por uma lanchonete e as poltronas com novas cores. O p\u00fablico ainda estava escasso e at\u00e9 supus identificar alguns velhos frequentadores. E dei conta do quanto o tempo tinha passado.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Eunice-com-filhos.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21251\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Eunice-com-filhos-450x253.png\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Eunice-com-filhos-450x253.png 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Eunice-com-filhos-300x169.png 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Eunice-com-filhos-768x432.png 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Eunice-com-filhos-750x420.png 750w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Eunice-com-filhos.png 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Em &#8220;Ainda estou aqui&#8221; o drama \u00e9 exposto por pequenos detalhes dilacerantes<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O motor da minha mudan\u00e7a tinha nome: fui ver primeiro o filme <strong>Ainda Estou Aqui<\/strong>, e no dia seguinte, <strong>Malu<\/strong>. Frente ao primeiro, at\u00e9 senti que n\u00e3o assistia um enredo in\u00e9dito, mas sim a confirma\u00e7\u00e3o de uma produ\u00e7\u00e3o magn\u00edfica, amplamente divulgada, premiada, primorosamente dirigida por Walter Salles e protagonizada por Fernanda Torres, uma de minhas atrizes favoritas. O outro, embora com algumas varia\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m foi recomendado pela dire\u00e7\u00e3o de Pedro Freire e interpreta\u00e7\u00f5es impec\u00e1veis de Yara Novaes, Carol Duarte, \u00c1tila Bee, entre outros.<\/p>\n<p>Ambos os filmes s\u00e3o baseados em &#8220;fatos reais&#8221;, abordando passagens relativas a duas fam\u00edlias cariocas. Em <strong>Ainda Estou Aqui<\/strong>, o enredo versa sobre o drama da fam\u00edlia Paiva durante a Ditadura Militar no Brasil. O foco \u00e9 a a\u00e7\u00e3o da matriarca Eunice Paiva em busca de seu marido, Rubens Paiva, deputado \u201cdesaparecido\u201d nos anos de chumbo. A luta desesperada da fam\u00edlia \u00e9 temperada por um ambiente de medo e incerteza, com trilha sonora de Tim Maia, Gal Costa e Caetano Veloso.<\/p>\n<p><strong>Malu<\/strong>, por sua vez, percorre tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es de mulheres, come\u00e7ando por Malu, uma atriz sempre em busca de trabalho, e seu conflito com a m\u00e3e conservadora e a filha dividida entre as duas. Em ambos os filmes hist\u00f3rias de afetos parentais, nas duas experi\u00eancias um grande trauma centraliza a hist\u00f3ria, e a supera\u00e7\u00e3o \u00e9 a raz\u00e3o moral para a sobreviv\u00eancia e lutas pessoais que se emendam na hist\u00f3ria nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Malu.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21252\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Malu-450x338.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Malu-450x338.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Malu-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Malu.jpg 574w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>&#8220;Malu&#8221; exp\u00f5e conflito de gera\u00e7\u00f5es e traumas familiares<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Uma diferen\u00e7a fundamental chamou minha aten\u00e7\u00e3o: em <strong>Malu<\/strong>, a aceita\u00e7\u00e3o da problem\u00e1tica e a busca de mudan\u00e7as na vida real ocorrem de forma mais intimista, com uma cinematografia simples e naturalista. A dire\u00e7\u00e3o opta por um ritmo mais lento, refletindo o processo gradual de cura das protagonistas. J\u00e1 em <strong>Ainda Estou Aqui<\/strong>, a movimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 maior, com uma constru\u00e7\u00e3o tensa, impulsionada por fatores externos de abrang\u00eancia pol\u00edtica. Ambos os filmes se destacaram na Mostra SP, com <strong>Ainda Estou Aqui<\/strong> sendo aclamado pelo p\u00fablico, enquanto <strong>Malu<\/strong> recebeu o Pr\u00eamio Paradiso, incentivando o cinema nacional, o que refor\u00e7a a import\u00e2ncia dessas produ\u00e7\u00f5es no cen\u00e1rio cinematogr\u00e1fico de 2024.<\/p>\n<p>Para mim, no entanto, o grande pr\u00eamio foi outro: voltar ao escurinho do cinema. Sentar-me novamente naquela sala, cercado pela penumbra, sentindo o cheiro de pipoca no ar e mergulhando na m\u00e1gica da tela grande foi como recuperar um peda\u00e7o esquecido de mim mesmo. O verdadeiro pr\u00eamio n\u00e3o foi escolher entre Malu e Eunice, mas reatar meu pr\u00f3prio la\u00e7o com o cinema.<\/p>\n<p>E se me perguntarem qual a sensa\u00e7\u00e3o, diria que \u00e9 como reencontrar um velho amigo. Ele mudou; eu tamb\u00e9m. Mas, de algum modo, ainda somos os mesmos. Afinal, no fundo, o cinema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre as hist\u00f3rias que vemos na tela, mas sobre as que ele nos ajuda a contar dentro de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eunice real e a Eunice representada pela genialidade de Fernanda Torres Sempre gostei de cinema. Sempre. 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