{"id":21179,"date":"2024-10-20T08:41:14","date_gmt":"2024-10-20T11:41:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=21179"},"modified":"2024-10-20T08:54:39","modified_gmt":"2024-10-20T11:54:39","slug":"entre-promessas-e-caminhos-romarias-jc0-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/entre-promessas-e-caminhos-romarias-jc0-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"ENTRE PROMESSAS E CAMINHOS: ROMARIAS (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Escultura em pe\u00e7as de a\u00e7o da imagem de N.S. Aparecida maior que o Cristo no Rio, inaugurada na festa de 2023, constru\u00edda por Gilmar Pina, de Ilha Bela, que aprendeu a esculpir com areias da praia e latinhas vazias<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0J\u00e1 disse que outubro \u00e9 um m\u00eas perturbador. Arauto do fim do ano, os longos 31 dias parecem indecisos, contrapondo o cansa\u00e7o da jornada anual com a esperan\u00e7a de um tempo novo que promete ser melhor, diferente, renovado. Entre a consci\u00eancia das frustra\u00e7\u00f5es n\u00e3o compensadas e a ilus\u00e3o de novas oportunidades, ficamos num limbo. Nesse vacilo, entre o velho e o novo, fazemos votos e torcemos \u2014 o que, para muitos, equivale a rezar, entendendo por ora\u00e7\u00f5es um conjunto ilus\u00f3rio de aspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Romeiros-a-Aparecida.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21183\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Romeiros-a-Aparecida-450x253.jpeg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Romeiros-a-Aparecida-450x253.jpeg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Romeiros-a-Aparecida-300x169.jpeg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Romeiros-a-Aparecida.jpeg 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Romeiros ocupam boa parte de rodovias que levam a Aparecida do Norte<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que esse sentimento seja comum a todo o Ocidente, mas entre n\u00f3s ele ganha um contorno especial, t\u00edpico, abrasileirado, caracter\u00edstico da nossa cultura que, ali\u00e1s, n\u00e3o renuncia \u00e0s esperan\u00e7as canalizadas por matrizes religiosas. E ent\u00e3o cantamos juntos, torcemos juntos, rezamos juntos. E sabe-se: rezar juntos \u00e9 um santo rem\u00e9dio. Dessa fraternidade emerge, ent\u00e3o, a no\u00e7\u00e3o de comunidade de f\u00e9, que convoca posicionamentos e \u00e9 t\u00e3o forte que anula polariza\u00e7\u00f5es, junta diferen\u00e7as e promove unidade. Isso \u00e9 evolvente. N\u00e3o posso dizer que sou cat\u00f3lico praticante, mas tamb\u00e9m n\u00e3o me garanto um agn\u00f3stico convicto. Sou o que sou: ora professo, ora n\u00e3o professo, mas jamais deixei de buscar. \u00c9 a\u00ed que meu lado historiador ecoa do passado e me divido entre duas for\u00e7as que exigem justificativas que, expostas a duas celebra\u00e7\u00f5es outubrinas sugerem posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Novena-e-festa-NS-Aparecida.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21180\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Novena-e-festa-NS-Aparecida-450x236.webp\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Novena-e-festa-NS-Aparecida-450x236.webp 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Novena-e-festa-NS-Aparecida-300x158.webp 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Novena-e-festa-NS-Aparecida.webp 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Desde pequeno, sempre fui fascinado por manifesta\u00e7\u00f5es de f\u00e9, e duas delas, em particular, mexem com minha imagina\u00e7\u00e3o: a Romaria de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte, estado de S\u00e3o Paulo, e o C\u00edrio de Nazar\u00e9, no Par\u00e1. Em ambos os eventos, milh\u00f5es de brasileiros se juntam, cada um dimensionando seus pedidos, promessas e esperan\u00e7as, em celebra\u00e7\u00f5es que parecem unir o c\u00e9u e a terra. Vendo as comemora\u00e7\u00f5es recentes, via acendida em minha o sonho de atualizar essas experi\u00eancias, vivendo-as de perto, visitando essas duas festas e decidindo, enfim, qual delas, para mim, representa melhor o cora\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p>A Romaria de Aparecida acontece todos os anos desde 1717, mas ganhou express\u00e3o nacional em 1980 com a decreta\u00e7\u00e3o do Feriado da Padroeira \u2013 e, hoje, sua grandiosidade me impressiona e comove. A Bas\u00edlica de Nossa Senhora Aparecida, imponente e majestosa, recebe peregrinos de todas as partes do pa\u00eds. Homens e mulheres atravessam dist\u00e2ncias, muitas vezes a p\u00e9, carregando cruzes, rezas e devo\u00e7\u00e3o. Confesso que me comovo muito observando a for\u00e7a desse movimento. \u00c9 o Brasil caminhante, humilde, devoto, em busca de milagres e prote\u00e7\u00e3o da santa padroeira. A multid\u00e3o vestida de f\u00e9 \u00e9 um retrato de um Brasil que, apesar das dificuldades, acredita no divino, no poder de Nossa Senhora Aparecida para iluminar seus caminhos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Povo-no-Cirio-de-Nazare.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21181\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Povo-no-Cirio-de-Nazare-450x269.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Povo-no-Cirio-de-Nazare-450x269.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Povo-no-Cirio-de-Nazare-300x179.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Povo-no-Cirio-de-Nazare-768x459.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Povo-no-Cirio-de-Nazare.jpg 1170w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Bel\u00e9m \u00e9 tomada por fi\u00e9is que ocupam a capital do Par\u00e1<\/strong><\/em><\/p>\n<p>De outro lado, o C\u00edrio de Nazar\u00e9, no Par\u00e1, surgida em 1793, carrega sua pr\u00f3pria aura m\u00e1gica. L\u00e1, as ruas de Bel\u00e9m se tornam rios humanos, guiados pela imagem de Nossa Senhora de Nazar\u00e9, tamb\u00e9m chamada de \u201cNazinha\u201d pelos devotos. A corda, um s\u00edmbolo de uni\u00e3o e sacrif\u00edcio, \u00e9 puxada com fervor, conectando milhares de fi\u00e9is em um s\u00f3 corpo de f\u00e9. As prociss\u00f5es, o cheiro das flores e o calor amaz\u00f4nico transformam o C\u00edrio em algo \u00fanico. O Norte se revela em toda a sua pot\u00eancia religiosa e cultural, com sua m\u00fasica, seu ritmo e sua profunda conex\u00e3o com o divino.<\/p>\n<p>Entre essas duas festas, fico me perguntando qual delas traduz melhor o Brasil que busco entender. \u00c9 o Brasil de Aparecida, marcado por sua for\u00e7a em vencer as longas jornadas da vida? Ou o Brasil do C\u00edrio, com sua energia vibrante, sua festa calorosa e suas tradi\u00e7\u00f5es enraizadas na cultura amaz\u00f4nica?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/corda-cirio2.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21182\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/corda-cirio2-450x300.webp\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/corda-cirio2-450x300.webp 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/corda-cirio2-300x200.webp 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/corda-cirio2.webp 746w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>S\u00edmbolo de uni\u00e3o e sacrif\u00edcio, a corda \u00e9 puxada com fervor por fi\u00e9is como um s\u00f3 corpo de f\u00e9<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Sinto que um dia vou precisar caminhar nas estradas rumo a Aparecida e mergulhar no rio humano do C\u00edrio para, finalmente, decidir. Mas talvez, no fim, a resposta n\u00e3o esteja em qual das festas \u201cmelhor\u201d representa o Brasil, e sim em como, juntas, elas mostram diferentes faces de um pa\u00eds t\u00e3o vasto e diverso. Afinal, somos esse povo que se equilibra entre o sacrif\u00edcio silencioso e a celebra\u00e7\u00e3o vibrante, entre o Sudeste e o Norte, entre a terra e o divino.<\/p>\n<p>E, quem sabe, ao caminhar por esses dois santu\u00e1rios de f\u00e9, eu compreenda que o Brasil n\u00e3o precisa de uma defini\u00e7\u00e3o \u00fanica. Ele \u00e9 m\u00faltiplo, como suas romarias, e sempre encontra novos caminhos para expressar sua devo\u00e7\u00e3o, sua luta e sua esperan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escultura em pe\u00e7as de a\u00e7o da imagem de N.S. 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