{"id":21081,"date":"2024-08-11T09:39:41","date_gmt":"2024-08-11T12:39:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=21081"},"modified":"2024-08-11T09:39:41","modified_gmt":"2024-08-11T12:39:41","slug":"sobre-barba-e-depilacao-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/sobre-barba-e-depilacao-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"SOBRE BARBA E DEPILA\u00c7\u00c3O&#8230; (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Mestre Sebe afirma que em dias de humor se diverte\u00a0 com o exigente dever di\u00e1rio e que desenvolveu alguns truques facilitadores de di\u00e1logos com o espelho. Ser\u00e1?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Fazer a barba \u00e9 um ritual pouco discut\u00edvel. Ainda que haja quem fa\u00e7a mecanicamente e nem registre, h\u00e1 os que n\u00e3o gostam ou, melhor dizendo, para alguns chega a ser pr\u00e1tica muitas vezes amaldi\u00e7oada. Como eu, n\u00e3o s\u00e3o poucos os homens que detratam o barbear di\u00e1rio comparando-o a exerc\u00edcios aborrecidos, obriga\u00e7\u00e3o civilizat\u00f3ria question\u00e1vel. J\u00e1 ouvi compara\u00e7\u00f5es estapaf\u00fardias dizendo, por exemplo, que o barbear cotidiano equivale \u00e0 TPM masculina. Sabe-se, \u00e9 verdade, que, \u00e0 guisa de culto, muitos cuidam de valorizar de diferentes formas o conjunto da insistente pelugem facial. Com cavanhaques bem desenhados, barbichas caprichadas ou bigodes talhados segundo padr\u00f5es variados, ex\u00f3ticos ou sugestivos, n\u00e3o faltam os que ostentam virtudes que atestariam masculinidade e distin\u00e7\u00e3o. Esses passam tempo cuidando do rosto como se fosse garantia de sucesso ou atestado de algum poder de sedu\u00e7\u00e3o. S\u00e3o, contudo, o outro lado da moeda corrente.<\/p>\n<p>Alguns exemplares da fauna \u201ctestosteronada\u201d, insatisfeitos com o branqueamento causado pelo peso dos anos, tingem os pelos do rosto como se a barba colorida disfar\u00e7asse a idade ou ajudasse na harmoniza\u00e7\u00e3o. Tudo em nome de boa estampa, mas, para os advers\u00e1rios desse detalhe da vaidade masculina, para os que, como eu, que t\u00eam pregui\u00e7a e cultivam dias dispens\u00e1veis do macabro ritual, cabe a pergunta: para qu\u00ea, ou para quem nos sacrificamos tanto? Outro dia fui mais longe e inconformado me questionei se o eixo da Terra motivaria movimento diverso caso n\u00e3o cumpr\u00edssemos a pr\u00e1tica convencional. E at\u00e9 lembrei-me de Lobato e supus uma outra \u201cReforma da Natureza\u201d.<\/p>\n<p>Sou dos que preferem ficar sem barba, sem bigode, sem cavanhaque. Outrora tentei todas essas formas e aquelas experi\u00eancias serviram para garantir minha op\u00e7\u00e3o pela \u201ccara limpa\u201d. Devo dizer que sou careca e quando me miro nos pares tamb\u00e9m carentes de cabelos refa\u00e7o meu dilema est\u00e9tico e reafirmo o rid\u00edculo do \u201cteto destelhado versus cara barbuda\u201d. De tal forma isso me desassossega que quando encontro um careca com barba imagino-o com a cabe\u00e7a virada.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Caricatura.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21082\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Caricatura-373x450.jpg\" alt=\"\" width=\"373\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Caricatura-373x450.jpg 373w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Caricatura-249x300.jpg 249w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Caricatura.jpg 478w\" sizes=\"auto, (max-width: 373px) 100vw, 373px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em dias de humor melhor at\u00e9 me divirto um pouco com o exigente dever di\u00e1rio e assim desenvolvi alguns truques facilitadores de di\u00e1logos com o espelho. Com espuma farta, por exemplo, cubro a parte peluda que insiste em crescer e vou brincando, fazendo manobras arrojadas com o aparelho. H\u00e1 algo de art\u00edstico nisso. Ali\u00e1s, entendo Camus com seu S\u00edsifo di\u00e1rio e tento disfar\u00e7ar a trag\u00e9dia com o divertimento. E, dia desse, at\u00e9 com solenidade intelectual me vi ressuscitando Bertrand Russel como o profundo e filos\u00f3fico \u201cParadoxo do barbeiro\u201d: pois afinal, se um \u00fanico barbeiro de uma cidade barbeia todo mundo, quem barbearia o barbeiro? Ou ele seria o \u00fanico barbudo, v\u00edtima da pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o? Profundo isso, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Sim, procuro transformar em arte esse ato de estrita intimidade pessoal. Tem dias que deixo cavanhaques de espuma, em outros permito costeletas atrevidas, h\u00e1 vezes que admito varia\u00e7\u00f5es conhecidas como \u201cde lenhador\u201d, \u201cespartana\u201d, \u201cviking\u201d e, imagine, at\u00e9 me dei ao luxo de buscar no Google alguns modelitos (os interessados podem ir ao <a href=\"https:\/\/www.gillette.com.br\/pt-br\/dicas-para-barbear\/estilos-de-barba\/quinze-principais-estilos-de-barba\">https:\/\/www.gillette.com.br\/pt-br\/dicas-para-barbear\/estilos-de-barba\/quinze-principais-estilos-de-barba<\/a>). Sabe, \u00e9 engra\u00e7ado desenhar ilus\u00f5es provis\u00f3rias e brincar com a pr\u00f3pria cara na base do \u201ccomo ficaria\u201d. No comum das vezes, me recrio com bigodes estapaf\u00fardios e assim sa\u00fado Chaplin, Capit\u00e3o Gancho, Clark Gable, Salvador Dali. Jamais Hitler. Jamais. Durante essa farra reservada, os sagrados minutos que gasto em frente ao espelho me permitem olhar no fundo do que sou e garantir minha op\u00e7\u00e3o pela apar\u00eancia discreta, algo mais pr\u00f3ximo da Criatura do que do Criador segundo proposta de Michelangelo na Capela Sistina. Ah, quando me dou esse tipo de deriva\u00e7\u00e3o, at\u00e9 pe\u00e7o licen\u00e7a a Rossini e \u201cF\u00edgaro c\u00e1, Figaro, l\u00e1\u201d me imagino num palco atuando como o Barbeiro de Sevilha.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/barbeando-a-cabeca.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21083\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/barbeando-a-cabeca-450x318.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/barbeando-a-cabeca-450x318.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/barbeando-a-cabeca-300x212.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/barbeando-a-cabeca-768x543.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/barbeando-a-cabeca.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quando suposto no feminino, pelos na face evocam p\u00e2nicos e dimensionam pavores eloquentes. Sei de mulheres que se sacrificaram muito para se livrar do que \u00e9 atraente no sexo oposto. Gra\u00e7as a essa ojeriza das mulheres, segmentos masculinos t\u00eam se beneficiado de avan\u00e7os no tratamento de outros pelos. Sal\u00f5es e academias se especializam na elimina\u00e7\u00e3o dos referidos empecilhos que agora tem aberto portas para a clientela complementar. Laser, cera quente, parafina, tudo tem sido adaptado para os candidatos a bonit\u00f5es de plant\u00e3o. Pois \u00e9, a \u201chomarada\u201d est\u00e1 fugindo da apar\u00eancia viril e adere a visuais <em>clean<\/em>, e haja pelo para tirar. Devo dizer, contudo, que h\u00e1 um lugar onde nem mesmo os mais radicais homens devem suportar pelos&#8230; nos ouvidos. De resto, pelo por pelo, louvo os que preferem ficar pelados na cara e peludos no resto do corpo. Lembro-me, ali\u00e1s, de Dercy Gon\u00e7alves pontificando que \u201chomem j\u00e1 nasce enfeitado\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mestre Sebe afirma que em dias de humor se diverte\u00a0 com o exigente dever di\u00e1rio e que desenvolveu alguns truques facilitadores de di\u00e1logos com o &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21084,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-21081","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21081","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21081"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21081\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21085,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21081\/revisions\/21085"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21084"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}