{"id":21047,"date":"2024-07-07T08:26:36","date_gmt":"2024-07-07T11:26:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=21047"},"modified":"2024-07-07T08:32:04","modified_gmt":"2024-07-07T11:32:04","slug":"com-a-palavra-as-mulheres-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/com-a-palavra-as-mulheres-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"COM A PALAVRA AS MULHERES (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Atena, a deusa das artes e do conhecimento, foi concebida pela uni\u00e3o de Zeus com M\u00e9tis que, temeroso do poderio da filha, engoliu a esposa <\/strong><\/em><\/p>\n<p>As novas agendas culturais enredam temas desafiantes. Um dos tra\u00e7os dessa postura remete ao lugar dos cidad\u00e3os nas respectivas malhas sociais. Referenciar posicionamentos em espa\u00e7os devidos demanda discutir quest\u00f5es que tran\u00e7am posturas \u201ctradicionais\u201d e conquistas juridicamente progressivas. Fala-se em redefinir situa\u00e7\u00f5es que precisam ser refeitas para que a din\u00e2mica hist\u00f3rica cumpra seu destino: um conv\u00edvio humano mais justo porque pactuado. Parte-se, pois, do suposto que percebe na viv\u00eancia social a orienta\u00e7\u00e3o desej\u00e1vel para esquemas democr\u00e1ticos que estariam atentos ao dever de associar seus participantes, todos. Indistintamente.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0s pautas favor\u00e1veis aos espa\u00e7os dignos, destacam-se temas que cruzam quest\u00f5es de ra\u00e7as, classes, faixas et\u00e1rias, credos, orienta\u00e7\u00e3o sexual, caracter\u00edsticas corporais. Os papeis de g\u00eanero, entre outros t\u00f3picos, se destacam fazendo emergir desafios que precisam ser redefinidos. O resultado que temos hoje \u00e9 produto de constru\u00e7\u00e3o cultural que remete \u00e0s origens religiosas ou mitol\u00f3gicas, presentes em diversas matrizes. A distin\u00e7\u00e3o de g\u00eanero funciona como uma esp\u00e9cie de pecado original das culturas, e isto implica a retomada hist\u00f3rica como argumento capaz de explicar tens\u00f5es que eclodem no que conhecemos como movimentos feministas e nas lutas pelos direitos humanos.<\/p>\n<p>Desde a raiz, identificam-se condi\u00e7\u00f5es excepcionais de algumas mulheres que, contudo, figuram como exce\u00e7\u00f5es: Afrodite, Gaia, Pandora, Hera, Diana, Pacha Mama, Rainha Zinga e tantas outras. Como deusas, tais entidades foram aproximadas da sabedoria, natureza, ca\u00e7a, amor e da origem da vida. Mas tudo muito aleg\u00f3rico, sem atingir o comum das pessoas. Lembremo-nos, por exemplo, que Atena, a deusa das artes e do conhecimento, foi concebida pela uni\u00e3o de Zeus com M\u00e9tis que, temeroso do poderio da filha, engoliu a esposa que, num jogo m\u00e1gico, teria transformado a mulher gr\u00e1vida em mosca. Atena, portanto, nasceu da cabe\u00e7a do pai, n\u00e3o do ventre da m\u00e3e.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Hegel.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21049\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Hegel.jpg\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"369\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Hegel.jpg 420w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Hegel-300x264.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Hegel foi o fil\u00f3sofo mais consequente<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que o primeiro movimento a reivindicar espa\u00e7o para a condi\u00e7\u00e3o feminina tenha sido delegado por Safo que, nascida em Lesbos, na antiguidade cl\u00e1ssica, em 625 a.C., foi aproximada do lesbianismo e, assim, malvista. De toda forma, por essa iniciativa anunciava-se uma luta da mulher pelo controle de seu corpo. Desde a nascen\u00e7a do debate sobre governo houve rea\u00e7\u00f5es subjetivas que determinavam o poder a partir do controle da mulher e da maternidade. Algumas linhagens de argumentos se expressaram, por exemplo, em atitudes como a de Pit\u00e1goras que via no feminino uma estirpe distinta do homem, pois elas teriam se originado nas trevas. Arist\u00f3teles reconhecia no masculino a atividade de poder e na mulher, passiva, a condi\u00e7\u00e3o de recebedora do s\u00e9mem apenas gestado no ventre materno.<\/p>\n<p>E o debate cumulativo dos argumentos filos\u00f3ficos progrediu com a qualifica\u00e7\u00e3o do pensamento tomista que percebia alguma igualdade entre o masculino e feminino, mas apenas depois da morte. Em termos de defini\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, contudo, os grandes cortes tem\u00e1ticos ocorrem na modernidade, j\u00e1 com David Hume no texto \u201cSobre o amor e o casamento\u201d e com Condorcet no ensaio \u201cSobre a admiss\u00e3o das mulheres ao direito de cidadania\u201d. \u00c9 importante dizer, ainda, que tais avan\u00e7os n\u00e3o tenham sido lineares, posto que autores importantes na constitui\u00e7\u00e3o do pensamento ocidental, viam a mulher de forma diminu\u00edda, como Kant no fundamental texto \u201cObserva\u00e7\u00f5es sobre o sentimento do belo e do sublime\u201d, e, mais ainda, no contundente texto de Rousseau \u201cEm\u00edlio ou a educa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Simone-de-Beauvoir.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21050\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Simone-de-Beauvoir-450x254.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"254\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Simone-de-Beauvoir-450x254.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Simone-de-Beauvoir-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Simone-de-Beauvoir.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Simone de Beauvoir, um dos s\u00edmbolos da nova mulher<\/strong><\/em><\/p>\n<p>De todos os fil\u00f3sofos que alongaram a discuss\u00e3o sobre o papel do homem e da mulher, sob a \u00f3tica do poder, Hegel foi o mais consequente, pois metaforizou as diferen\u00e7as entre macho e f\u00eamea usando a imagem dos animais em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s plantas. O homem, pela postura altiva, forte, m\u00e1scula, \u00e1gil, seria \u201canimal\u201d. A mulher, pela passividade e disposi\u00e7\u00e3o mais est\u00e1tica, seria como \u201cplanta\u201d, mais suscept\u00edvel \u00e0 sensibilidade. Entre um e outro, sob o olhar hegeliano, o vigor masculino capaz de governar, exigir, comandar. A mulher, sens\u00edvel, seria sempre v\u00edtima do pr\u00f3prio temperamento materno e por isso comandante invi\u00e1vel. E foram precisos rios de tintas e muitos debates \u2013 al\u00e9m de dores e lutas cidad\u00e3s \u2013 para debelar subalternidades filtradas por preceitos religiosos, teorias \u201ccient\u00edficas\u201d, preceitos de uma certa biologia\/pol\u00edtica discriminat\u00f3ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o seria exagero dizer que vivemos novo tempo e muito se deve \u00e0 nova mulher que renasce em obras libertadoras como as de Simone de Beauvoir, Hannah Arendt, Adelaide Carraro, Heloisa Teixeira. Vivemos, assim, um tema que sintetiza muito da quest\u00e3o nacional: o papel da mulher e a quest\u00e3o da regulamenta\u00e7\u00e3o do aborto. Com a hist\u00f3ria na m\u00e3o, independente de princ\u00edpios morais, \u00e9 de se perguntar se n\u00e3o \u00e9 hora da mulher se pronunciar acima de dizeres masculinos. Em contraste, cabe perguntar aos homens, que por tantos s\u00e9culos dominaram sociedades, se n\u00e3o seria tempo de reconhecer os novos tempos. Com a palavra, em primeiro lugar, as mulheres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atena, a deusa das artes e do conhecimento, foi concebida pela uni\u00e3o de Zeus com M\u00e9tis que, temeroso do poderio da filha, engoliu a esposa &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21052,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-21047","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21047"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21047\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21051,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21047\/revisions\/21051"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21052"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}