{"id":20998,"date":"2024-06-16T08:35:35","date_gmt":"2024-06-16T11:35:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=20998"},"modified":"2024-06-16T08:35:35","modified_gmt":"2024-06-16T11:35:35","slug":"sao-joao-acende-a-fogueira-do-meu-coracao-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/sao-joao-acende-a-fogueira-do-meu-coracao-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"S\u00c3O JO\u00c3O, ACENDE A FOGUEIRA DO MEU CORA\u00c7\u00c3O (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>S\u00e3o Jo\u00e3o, Santo Ant\u00f4nio e S\u00e3o Pedro s\u00e3o festejados em junho<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Ando com uma saudade danada de meus juvenis dias festivos. Quando o inverno ainda era frio (lembram-se disso?), na minha cidade do interior havia festejos para todos os gostos: reza para devotos (com direito a novenas); quermesses com barraquinhas vendendo quitutes de milho, pinh\u00e3o e doces cristalizados; dan\u00e7a para a mo\u00e7ada que gostava de quadrilha e at\u00e9 sei de v\u00e1rios namoricos que come\u00e7aram por esse tempo. Junho era aguardado e at\u00e9 me lembro de uma pol\u00eamica que mantive por anos, com uma tia ador\u00e1vel, muito cat\u00f3lica, devota de S\u00e3o Jo\u00e3o. O pomo de nossa disc\u00f3rdia n\u00e3o era a \u201cma\u00e7\u00e3 do amor\u201d (que ali\u00e1s, conheci em uma dessas movimentadas noites, num parque de divers\u00e3o). O que nos dividia era a insist\u00eancia dela em dizer que todos erravam ao dizer \u201cfesta junina\u201d e que deveria me corrigir assumindo que o correto era \u201cfesta joanina\u201d. O argumento capital dessa tia de nome Julieta era que os outros santos comemorados no mesmo m\u00eas, Ant\u00f4nio e Pedro, eram menores, muito menores. Cresci, e no arquivo da saudade daqueles tempos procurei saber mais dessa tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Festa-junina.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20999\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Festa-junina.jpeg\" alt=\"\" width=\"276\" height=\"183\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Uma festa que ainda resiste ao tempo<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Desde o come\u00e7o de nossa coloniza\u00e7\u00e3o, um dos cinco santos mais prezados pelos povoadores era S\u00e3o Jo\u00e3o, em particular por aqueles que provinham da cidade do Porto, que tem esse santo como patrono que, como dizem, desbancou em 1911 a antiga patronesse Nossa Senhora de Vandoma. Conta a moderna tradi\u00e7\u00e3o que tudo come\u00e7ou com a prepara\u00e7\u00e3o da vinda do rei que visitaria a cidade, mas que nunca chegou. Com a recep\u00e7\u00e3o preparada, o povo decidiu anualmente repetir a festa que, afinal, disfar\u00e7ava a frustra\u00e7\u00e3o e assim passou a homenagear o santo do dia. A par do anedot\u00e1rio, outra d\u00favida passou a reinar porque dizia respeito a incoer\u00eancia entre o esp\u00edrito da festa e a escolha daquele santo de biografia t\u00e3o sisuda. Afinal, como um ser t\u00e3o austero virou motivo de festan\u00e7a t\u00e3o alegre? Minha tia nunca explicou isso, pelo contr\u00e1rio ressaltava a severidade daquele ser ranzinza que se isolava no deserto, vestia-se com pele de animais, jejuava e quando comia, abastecia-se de gafanhotos. Ent\u00e3o como m\u00fasica, dan\u00e7a, fogueira teriam composto o ritual? Ali\u00e1s, o caso das fogueiras interessa muito, pois serve como chave para algum entendimento da mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Santa Izabel, m\u00e3e de Jo\u00e3o, de idade avan\u00e7ada, n\u00e3o poderia mais engravidar. S\u00e3o Zacarias, o marido, numa noite estrelada e fria, recebeu a visita do anjo Gabriel que, por intercess\u00e3o da Virgem Maria, prima de Izabel, havia conseguido o milagre. Curiosa e exultante, a gravida indagou a data do parto e ent\u00e3o a M\u00e3e de Jesus anunciou que uma fogueira se acenderia na noite certa (e o tal dia foi 24 de junho), \u00e9poca em que, no hemisf\u00e9rio Norte, o dia \u00e9 mais longo. Exatamente seis meses depois, 24 de dezembro, nasceria o primo em segundo grau, Jesus, que mais tarde, pelas m\u00e3os de Jo\u00e3o, seria batizado no Rio Jord\u00e3o. Assim, duas explica\u00e7\u00f5es se completariam: porque a data e porque a fogueira, e, de brinde ainda corria a justificativa do enorme n\u00famero de telas renascentistas figurando os dois meninos: S\u00e3o Jo\u00e3o e Jesus.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Sao-Zacarias-e-o-anjo-Gabriel.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21000\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Sao-Zacarias-e-o-anjo-Gabriel.jpg\" alt=\"\" width=\"336\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Sao-Zacarias-e-o-anjo-Gabriel.jpg 336w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Sao-Zacarias-e-o-anjo-Gabriel-252x300.jpg 252w\" sizes=\"auto, (max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>S\u00e3o Zacarias, em noite estrelada, recebeu a visita do anjo Gabriel<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se pode esquecer que toda lenda tem vida pr\u00f3pria e progrediu mundo ib\u00e9rico afora implicando recomenda\u00e7\u00f5es como: jamais apagar a fogueira, pois isto esfriaria nascimentos familiares; pular a fogueira traria sorte e realiza\u00e7\u00e3o de tr\u00eas desejos; fazer roda no sentido do rel\u00f3gio afastaria maus agouros comunit\u00e1rios e estreitaria os la\u00e7os de amizade. Por\u00e9m, nem s\u00f3 de liga\u00e7\u00f5es crist\u00e3s sobreviveu a festa. Alguns defendem sua origem no s\u00e9culo III, em festins evocativos da fertilidade. H\u00e1 registros de manifesta\u00e7\u00f5es com fogueira, entre pag\u00e3os, na \u00e9poca das colheitas, que no solst\u00edcio de ver\u00e3o, agradeciam pelos sucessos nas planta\u00e7\u00f5es. Alguns autores v\u00e3o al\u00e9m e ligam essa vers\u00e3o \u00e0 linhagem cat\u00f3lica mostrando que a pr\u00e1tica de bal\u00f5es \u00e9 uma sauda\u00e7\u00e3o aos c\u00e9us pelas gra\u00e7as recebidas e pelas vindouras.<\/p>\n<p>No Brasil, em particular no Nordeste, ao contr\u00e1rio do Sul e Sudeste, manteve-se a celebra\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jo\u00e3o que \u00e9 hoje um evento tur\u00edstico da maior grandeza. Independente disso, no meu \u00edntimo, ainda preside a recorda\u00e7\u00e3o dos dias encantados de minha mocidade, e pensando nessas aventuras, ou\u00e7o baixinho a mem\u00f3ria resistindo e, mesmo desafinado, h\u00e1 um coro de anjos caipirinhas entoando o verso de outro Jo\u00e3o (de Barro) pedindo na \u201cCapelinha\u201d para manter acesa a fogueira de S\u00e3o Jo\u00e3o&#8230; \u201cS\u00e3o Jo\u00e3o, S\u00e3o Jo\u00e3o, acende a fogueira do meu cora\u00e7\u00e3o\u201d&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Jo\u00e3o, Santo Ant\u00f4nio e S\u00e3o Pedro s\u00e3o festejados em junho Ando com uma saudade danada de meus juvenis dias festivos. 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