{"id":20649,"date":"2023-11-19T09:10:45","date_gmt":"2023-11-19T12:10:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=20649"},"modified":"2023-11-19T09:10:45","modified_gmt":"2023-11-19T12:10:45","slug":"escola-nao-e-quartel-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/escola-nao-e-quartel-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"ESCOLA N\u00c3O \u00c9 QUARTEL&#8230;(JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Em abril de 1999, o mundo se assustava com uma not\u00edcia que parecia fic\u00e7\u00e3o, coisa de filme de terror. Na pequena cidade de Columbine, no estado norte-americano do Colorado, dois jovens invadiram uma escola provocando 15 mortes. Essa tragedia at\u00e9 ent\u00e3o parecia algo distante ainda que plaus\u00edvel naquele contexto em que as armas s\u00e3o liberadas e pessoas transitam com espingardas e revolveres \u00e0 mostra. Para n\u00f3s era algo ex\u00f3tico, coisa de estrangeiro, impens\u00e1vel numa cultura que se dizia sem viol\u00eancia e af\u00e1vel, onde a educa\u00e7\u00e3o decorreria do exerc\u00edcio evolutivo do conv\u00edvio dial\u00f3gico.<\/p>\n<p>Como um fantasma sutil, aos poucos, a cena de l\u00e1 foi se instalando entre n\u00f3s encontrando um Brasil despreparado para entender o fen\u00f4meno. De repente, vimo-nos refletidos em um espelho t\u00e9trico e passamos a viver um dilema esdr\u00faxulo: o que acontece l\u00e1 ecoaria aqui? Haveria nexos causais comuns? Como explicar similitudes e medir diferen\u00e7as? Estas e outras quest\u00f5es t\u00eam se multiplicado, desafiando o entendimento dos ataques que alvejam alunos, crian\u00e7as e jovens, professores e funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Menino-com-arma.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-20650\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Menino-com-arma-450x281.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Menino-com-arma-450x281.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Menino-com-arma-300x188.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Menino-com-arma.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Partamos da negativa: n\u00e3o! N\u00e3o \u00e9 porque ocorre nos Estados Unidos que deveria acontecer aqui. Nada a ver. Impulsos distintos motivam ataques, e em continuidade vale lembrar que agress\u00f5es \u00e0s escolas t\u00eam motiva\u00e7\u00f5es distintas de outras contra igrejas, clubes, hospitais. Fator complementar a ser levado em conta \u00e9 que at\u00e9 28 de outubro de 2002, jamais houve qualquer ataque a escola brasileira. Foi em Salvador, Bahia, que se deu o primeiro destaque fat\u00eddico quando ent\u00e3o um adolescente de 17 anos invadiu um col\u00e9gio e disparou quatro tiros matando uma aluna e ferindo outra. Esse lament\u00e1vel registro valeu como alerta colocando em xeque a concep\u00e7\u00e3o de escola como lugar seguro.<\/p>\n<p>E da\u00ed cresceram as estat\u00edsticas, triste invent\u00e1rio de uma realidade para l\u00e1 de cruel. Em 2011, por exemplo, os jornais divulgavam que naquele ano o Brasil tinha registrado 10 ataques a escolas. Com a assinatura da viol\u00eancia, outro dado alarmante lembrava que somente em 2022 e 2023 (ainda em curso) os n\u00fameros superaram o total registrado em duas d\u00e9cadas. No in\u00edcio do ano, tivemos casos como o ataque executado por um ex-aluno, da escola Monte Mor, de S\u00e3o Paulo, feito com bomba caseira; logo em seguida, tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo, outro menino de 13 anos matou uma professora e feriu quatro alunos; aos 28 de mar\u00e7o, no Rio de Janeiro, outro ataque a faca e dram\u00e1tica ofensiva \u00e0 creche em Santa Catarina, e, ainda em Blumenau, Santa Catarina, um homem invadiu uma creche e matou quatro crian\u00e7as com uma machadinha.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Charge.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20651\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Charge.webp\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Charge.webp 400w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Charge-300x248.webp 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Seria dispens\u00e1vel listar casos que replicam detalhes de uma viol\u00eancia que precisa ser vista sob o signo de motiva\u00e7\u00f5es complexas. \u00c9 f\u00e1cil mostrar que esses acontecimentos t\u00eam ocorrido tamb\u00e9m fora do Brasil, mas isto n\u00e3o explica nossa realidade e se n\u00e3o prestarmos aten\u00e7\u00e3o nos impulsos derivados de nosso contexto acabaremos por adotar medidas de preven\u00e7\u00e3o que podem fazer sentido alhures. \u00c9 l\u00f3gico que h\u00e1 semelhan\u00e7as, mas s\u00e3o as diferen\u00e7as que devem orientar nossas pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>N\u00e3o resta d\u00favidas que c\u00e1 como acol\u00e1 a como\u00e7\u00e3o tome conta do entorno sempre machucado pelas agress\u00f5es. Tamb\u00e9m \u00e9 comum a suposi\u00e7\u00e3o de motivos pessoais como vingan\u00e7a ou bullying, mas, sem d\u00favidas, as limita\u00e7\u00f5es brasileiras ao uso de armas de fogo \u00e9 elemento explicativo para alternativas, em particular com armas brancas. Talvez a diferen\u00e7a mais significativa se d\u00ea em fun\u00e7\u00e3o dos impulsos pol\u00edticos que l\u00e1 determinam mais claramente os ataques feitos, quase sempre, por rebeldia ou motiva\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica extremada.<\/p>\n<p>Recentemente, entre n\u00f3s, uma corrente ganha for\u00e7a: o uso de port\u00f5es com guardas que, supostamente, intimidariam os agressores. Mesmo levando-se em conta a relativa efic\u00e1cia dessas medidas, h\u00e1 segmentos que se posicionam contra por quest\u00f5es filos\u00f3ficas: escola \u00e9 lugar de di\u00e1logo, de troca de experi\u00eancias educacionais, de aprendizagem e n\u00e3o de intimida\u00e7\u00e3o. E nesses contextos n\u00e3o cabem vigias e aparatos que, al\u00e9m de reafirmar a continuidade dos atos invasivos, anulam o prop\u00f3sito da educa\u00e7\u00e3o. O governo passado implantou, com enormes gastos, uma s\u00e9rie de escolas chamadas \u201cc\u00edvico-militares\u201d onde um contingente com treinamento policialesco compartilha a atividade institucional. Despreparados para o trato com protocolos da educa\u00e7\u00e3o escolar, sem tiroc\u00ednio algum, a simples presen\u00e7as desses tipos compromete liberdades civis e limitam direitos dos estudantes. A implanta\u00e7\u00e3o de comportamentos autorit\u00e1rios prop\u00f5e uma hierarquiza\u00e7\u00e3o de obedi\u00eancia pela for\u00e7a e n\u00e3o pelo convencimento democr\u00e1tico e dial\u00f3gico. Sobretudo, tais condutas arrasam a forma\u00e7\u00e3o do pensamento cr\u00edtico.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Escola-civico-militar-simbolo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-20653\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Escola-civico-militar-simbolo-450x439.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"439\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Escola-civico-militar-simbolo-450x439.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Escola-civico-militar-simbolo-300x293.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Escola-civico-militar-simbolo-768x750.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Escola-civico-militar-simbolo.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>E h\u00e1 comprometimento com o curr\u00edculo que passaria a focar mais disciplinas seletivas em detrimento de olhares human\u00edsticos. Os uniformes propostos anulariam caracter\u00edsticas diferenciais e exalta\u00e7\u00f5es patrioteiras substituiriam argumentos depurados. Tudo em favor de uma disciplina imposta e n\u00e3o conquistada. H\u00e1 ainda um fator fundamental: a exclud\u00eancia, pois as tais escolas n\u00e3o admitem estudantes que n\u00e3o sejam selecionados por crit\u00e9rios de aptid\u00e3o. E os outros? pergunta-se. Vamos pensar juntos e deixar claro, como ponto de partida, que escola n\u00e3o \u00e9 quartel e que alunos n\u00e3o s\u00e3o soldados. Viva a escola p\u00fablica, cr\u00edtica e de qualidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em abril de 1999, o mundo se assustava com uma not\u00edcia que parecia fic\u00e7\u00e3o, coisa de filme de terror. 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