{"id":20352,"date":"2023-06-11T08:26:57","date_gmt":"2023-06-11T11:26:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=20352"},"modified":"2023-06-11T08:26:57","modified_gmt":"2023-06-11T11:26:57","slug":"um-conto-de-fada-carioca-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/um-conto-de-fada-carioca-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"UM CONTO DE FADA CARIOCA (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Rosinha e Weslley oficiando o pr\u00f3prio casamento<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Derreti! De verdade aconteceu um dos encontros mais deparados de minha experi\u00eancia de octogen\u00e1rio. Era domingo e eu, como sempre, levantei-me antes do sol se dizer. Gosto do friozinho do fim de outono e com caf\u00e9 forte e quente destilava os acontecimentos de minha experi\u00eancia envelhecente. Devo contar que pela manh\u00e3 sempre sou otimista e n\u00e3o moderei esperan\u00e7as capazes de animar a nova fase imposta \u00e0 minha vida.<\/p>\n<p>Sei l\u00e1 por que, no c\u00e9u ainda escuro daquele projeto de dia, brilhou em minha lembran\u00e7a uma frase de Drummond que sempre me instiga: \u201ctudo \u00e9 poss\u00edvel, s\u00f3 eu imposs\u00edvel\u201d. E no reino das possibilidades soltei meus melhores apelos de supera\u00e7\u00e3o. E juntei as pequenas vit\u00f3rias de minha luta silente e pessoal. Desde que o mal considerou morada em meu corpo, passado o momento de tens\u00e3o hospitalar, resolvi rever crit\u00e9rios de continuidades. Devo confessar que foi breve o embate entre o esmorecimento e a redefini\u00e7\u00e3o do futuro. Tomada a decis\u00e3o, perfilei as pequenas vit\u00f3rias do bom combate apoiado em afinadas leituras, sele\u00e7\u00e3o de preocupa\u00e7\u00f5es, idas ao teatro e bons filmes, conversas multiplicadas com gente amada, caminhadas nos fins de tarde. Enfim&#8230;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Pao-de-Acuccar.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-20353\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Pao-de-Acuccar-450x338.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Pao-de-Acuccar-450x338.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Pao-de-Acuccar-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Pao-de-Acuccar-768x576.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Pao-de-Acuccar.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>O P\u00e3o de A\u00e7\u00facar se impunha majestoso<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O dia deu as caras e eu decidi me movimentar. Como moro em Copacabana, fa\u00e7o sempre caminho inverso de quantos optam pela \u201cPrincesinha do mar\u201d. Sai em busca de espa\u00e7o tranquilo, o Aterro do Flamengo. E com minha cadeira de praia, jornal em punho quis gozar a manh\u00e3 que latejava em mim. O tempo estava risonho e distribu\u00eda del\u00edcias: sol ameno, brisa suave, c\u00e9u sem nuvem e o mar azulzinho mexia-se tranquilo valorizado por montanhas de fundo \u2013 e nada mais que o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar se impunha majestoso. Tudo lindo, lindo, lindo e gostoso demais.<\/p>\n<p>Resolvi dar passos \u00e0 minha caminhada e flanando surpreendia pequenos grupos festejando anivers\u00e1rios infantis, empolgantes festas de formatura ao ar livre, pessoas passeando com c\u00e3es amados. Olha, tudo estava t\u00e3o singelamente espl\u00eandido que me fartei da melhor autocomplac\u00eancia. De tal jeito senti-me enlevado que ao ser tocado no ombro, com pedido para tirar uma foto, me assustei. Sabe, vendo de agora, tenho a certeza de que meu anjo da guarda estava de bom humor.<\/p>\n<p>Com o celular do rapaz em m\u00e3os, fiquei surpreso ao saber que se tratava de um jovem casal, gente modesta e, ambos formando-se um em sua completude, queriam registrar um momento especial\u00edssimo de suas vidas. Nem acreditei no que via. S\u00f3 os dois \u2013 ela Rosinha, ele Weslley \u2013 juntos oficiando o pr\u00f3prio casamento. E era t\u00e3o singular e desprovido o evento que me vi comovido, acarinhado pelo melhor que a vida poderia me oferecer: testemunha de uma festa ins\u00f3lita. Ele de bermuda quase branca e chinelo de dedo; ela descal\u00e7a, com grinalda de flores naturais foi logo dizendo \u201ceu mesma fiz\u201d e explicava que o vestido era \u201cuma reforma\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/b0afc378-4be0-4c15-8734-5f945df4c73c.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-20354\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/b0afc378-4be0-4c15-8734-5f945df4c73c-338x450.jpg\" alt=\"\" width=\"338\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/b0afc378-4be0-4c15-8734-5f945df4c73c-338x450.jpg 338w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/b0afc378-4be0-4c15-8734-5f945df4c73c-225x300.jpg 225w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/b0afc378-4be0-4c15-8734-5f945df4c73c.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 338px) 100vw, 338px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em><strong>Grupos festejando anivers\u00e1rios infantis e festas de formatura ao ar livre<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Permitam-me repetir que n\u00e3o havia ningu\u00e9m, nada de padrinhos, convidados, damas de honra. Nada, nada, nada. Ningu\u00e9m, apenas gaivotas que espiavam alienadas&#8230; e eu de fot\u00f3grafo improvisado. Enlevo puro! Cliquei o beijo nupcial e, entrevistador que sou, n\u00e3o resisti a uma conversinha: que est\u00e1 acontecendo? E a como quem soltasse perfume a mo\u00e7a devolveu \u201cresolvemos assim, s\u00f3 n\u00f3s dois, sem mais ningu\u00e9m\u201d e completou \u201co casamento \u00e9 nosso, s\u00f3 nosso, de mais ningu\u00e9m\u201d. E com certa finura arrematou \u201cn\u00f3s e o senhor que apareceu para tirar a foto\u201d.<\/p>\n<p>Dei mais uma olhada no derredor e l\u00e1 estava o mar lindo, a montanha m\u00e1gica, a brisa leve, o sil\u00eancio e o amor de Rosinha e do Weslley. Eram pobres, chegaram na mesma moto com a qual o rapaz ganha a vida fazendo entregas. As flores da grinalda e do buqu\u00ea eram do jardim da patroa da mo\u00e7a \u2013 que n\u00e3o foi convidada. Pedi para abra\u00e7ar o casal e depois do acalanto, comovido, vi a noiva atirar o buque no mar dizendo \u201c\u00e9 para Iemanj\u00e1\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Meu caminho de volta foi estranho. Nem acreditava no ocorrido e pensei no dilema proposto por Hemingway a Santiago no \u201cO Velho e o Mar\u201d e considerei n\u00e3o contar esta hist\u00f3ria para ningu\u00e9m, mas voltou-me a proposta de Drummond \u201cTudo \u00e9 poss\u00edvel, s\u00f3 eu imposs\u00edvel\u201d. \u00c9 imposs\u00edvel eu n\u00e3o repartir este conto de fadas urbano, carioca, meu e agora dos leitores&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rosinha e Weslley oficiando o pr\u00f3prio casamento Derreti! De verdade aconteceu um dos encontros mais deparados de minha experi\u00eancia de octogen\u00e1rio. 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