{"id":20292,"date":"2023-05-10T10:38:14","date_gmt":"2023-05-10T13:38:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=20292"},"modified":"2023-05-10T10:38:14","modified_gmt":"2023-05-10T13:38:14","slug":"rita-eterna-rebelde-paulo-de-tarso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/rita-eterna-rebelde-paulo-de-tarso\/","title":{"rendered":"Rita, eterna rebelde (Paulo de Tarso)"},"content":{"rendered":"<p>Nunca imaginei que teria de enfrentar o dilema de registrar alguma lembran\u00e7a sobre Rita Lee. N\u00e3o tivemos nenhuma viv\u00eancia pessoal. Mas vivi o dia a dia que transformaram aquela gringa de origem confederada sulista derrotada na guerra civil norte-americana que cantava e gingava como as nossas cabrochas. Apesar de seu in\u00edcio quase cl\u00e1ssico e baterista. Eu nasci em Santa B\u00e1rbara d\u2019Oeste onde residiu a fam\u00edlia Jones, antes de incluir o sobrenome Lee em homenagem ao general confederado Robert Lee.<\/p>\n<p>Conheci nossa musa em 1965. Eu imagino que os mais vigilantes dir\u00e3o: \u201cA banda Mutantes foi criada em 1966. T\u00e1 oquei?\u201d Foi na Livraria Ponto de Encontro, na rec\u00e9m-criada Galeria Metr\u00f3pole, que se consolidava como refer\u00eancia da modernidade paulistana. Ali funcionava o Jogral, um boteco musical onde se apresentavam os amigos de Luiz Carlos Paran\u00e1 como Paulinho Vanzolini, Chico Buarque (fez uma m\u00fasica sobre o viol\u00e3o que ali esqueceu), Chico Maranh\u00e3o entre outros. O restaurante japon\u00eas no primeiro andar era imbat\u00edvel.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Formacao-original-Mutantes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-20293\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Formacao-original-Mutantes-450x259.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"259\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Formacao-original-Mutantes-450x259.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Formacao-original-Mutantes-300x173.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Formacao-original-Mutantes.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Forma\u00e7\u00e3o original dos Mutantes: Rita, S\u00e9rgio e Arnaldo Baptista<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Ponto de Encontro foi criado por um grupo de intelectuais e artistas que tentavam construir um espa\u00e7o para debater ideias sem a censura da ditadura que comemorava o primeiro dos 21 anos que durou aquele 1\u00ba de abril de 1964. Era um espa\u00e7o excepcional que agregava pessoas e servi\u00e7os diferenciados. O grupo Os Mutantes ainda inominado \u00e9 um exemplo. Jo\u00e3o Carlos de Souza Meirelles, um jovem engenheiro polit\u00e9cnico de origem quatrocentona foi quem bolou, aglutinou as cabe\u00e7as pensantes e transformou a ideia em neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Estudante de economia na USP, eu gostava de ler um livro, tomar uma cerveja, ouvir palestras antes de ir para o Jogral curtir o som paulistano com a cachacinha que Vanzolini guardava para os mais chegados.<\/p>\n<p>Uma noite como outra qualquer, em 1965 (na minha cabe\u00e7a), o Ponto de Encontro apresentou tr\u00eas garotos que nem nome tinham. Corrigindo, dois garotos e uma menina ainda adolescente (Rita teria 17 anos pelas minhas contas). O repert\u00f3rio era uma miscel\u00e2nea de m\u00fasica cl\u00e1ssica em forma e ritmo de jazz, rock e um pouco de m\u00fasica brasileira. Essa miscel\u00e2nea agradou o ecl\u00e9tico p\u00fablico. Eu nunca mais esqueci.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Vestida-de-presa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-20294\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Vestida-de-presa-450x283.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"283\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Vestida-de-presa-450x283.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Vestida-de-presa-300x188.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Vestida-de-presa-768x483.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Vestida-de-presa.jpg 834w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Vestiu-se de &#8220;presidi\u00e1ria&#8221; no primeiro show ap\u00f3s a pris\u00e3o em 1976<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A m\u00fasica estava se consolidando como forma de express\u00e3o da resist\u00eancia \u00e0 ditadura que ainda se escondia atr\u00e1s de institui\u00e7\u00f5es desvirtuadas como o parlamento, a Justi\u00e7a, as universidades p\u00fablicas. Os festivais de m\u00fasica eram espa\u00e7os onde se enfrentavam propostas mais engajadas com as menos comprometidas. Em 1967, o grupo que se batizou de Os Mutantes acompanhou Gilberto Gil em Domingo no Parque, vice-campe\u00e3 na 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival de MPB na TV Record. Ponteio de Edu Lobo e interpretada por Mar\u00edlia Medalha levou o caneco.<\/p>\n<p>O clima pol\u00edtico dos anos de chumbo era muito pesado. Em abril de 1972, por exemplo, nossa unanimidade Elis Regina n\u00e3o resistiu a press\u00e3o feita pelo Ex\u00e9rcito e pol\u00edcia pol\u00edtica e cantou o hino nacional no Quartel General dos militares. A cerim\u00f4nia foi transmitida pela televis\u00e3o. Enquanto assistia, Henfil, irm\u00e3o do exilado Betinho, sacou papel e l\u00e1pis e fez uma s\u00e9rie de charges cr\u00edticas \u00e0 postura de Elis, apresentada como se fosse o pr\u00f3prio funeral. Fato que a marcou para o resto de sua curta vida da nossa Pimentinha.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Henfil.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-20295\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Henfil-450x126.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"126\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Henfil-450x126.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Henfil-300x84.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Henfil-768x214.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Henfil.jpg 1079w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em 1976 foi a vez de Rita Lee que teve seu apartamento invadido por policiais que alegaram ser uma busca por maconha. A ditadura n\u00e3o suportava o sucesso da roqueira junto \u00e0 juventude que vivia o auge da rebeldia beatnik dos cabeludos vestidos com roupas t\u00edpicas que marcaram gera\u00e7\u00f5es. Rita estava gr\u00e1vida quando presa. Foi surpreendida quando seus carcereiros anunciaram a visita de outra celebridade: Elis Regina e seu filho Jo\u00e3o, ainda menino. Rita registrou no seu livro a cena que havia revelado em uma entrevista.<\/p>\n<p>Epis\u00f3dios como esses inspiraram nosso Chico Buarque que escreveu em Jorge Maravilha: \u201cvoc\u00eas n\u00e3o gostam de mim, mas sua filha gosta\u201d. N\u00e3o podia imaginar que registrava em seus versos a marca registrada de Rita Lee, a eterna rebeldia que n\u00e3o suportava a caretice.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca imaginei que teria de enfrentar o dilema de registrar alguma lembran\u00e7a sobre Rita Lee. N\u00e3o tivemos nenhuma viv\u00eancia pessoal. 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