{"id":20254,"date":"2023-04-16T08:10:28","date_gmt":"2023-04-16T11:10:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=20254"},"modified":"2023-04-16T08:10:28","modified_gmt":"2023-04-16T11:10:28","slug":"povos-originarios-e-nossa-indiferenca-ou-ignorancia-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/povos-originarios-e-nossa-indiferenca-ou-ignorancia-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"POVOS ORIGIN\u00c1RIOS E NOSSA INDIFEREN\u00c7A (ou ignor\u00e2ncia?) &#8211; JC Sebe Bom Meihy"},"content":{"rendered":"<p>O enredo celebrativo do m\u00eas de abril \u00e9 t\u00e3o amplo e variado que abriga contradi\u00e7\u00f5es ir\u00f4nicas. Nem \u00e9 preciso come\u00e7ar pelo primeiro de abril, Dia da Mentira. O ponto de inflex\u00e3o se d\u00e1 na proximidade do Dia do Ind\u00edgena, 19 de abril, em rela\u00e7\u00e3o ao 22 de abril, quando se comemora a chegada dos europeus, portugueses, ao nosso solo. A complicar o paradoxo da combina\u00e7\u00e3o, entre um e outro, temos o 21 Dia de Tiradentes, dia dedicado ao her\u00f3i precursor da Independ\u00eancia. Basta elencar tais refer\u00eancias para ficar impl\u00edcita a evoca\u00e7\u00e3o de Stanislau Ponte Preta no \u201csamba do crioulo doido\u201d. Bobagens a parte, o contradit\u00f3rio est\u00e1 criado e agendado oficialmente.<\/p>\n<p>Para felicidade geral da na\u00e7\u00e3o, estamos em um ponto da cr\u00edtica hist\u00f3rica em que fatos, conceitos, teorias, s\u00e3o revisitados, promovendo interpreta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias. Lembro-me, garoto ainda, aluno de grupo escolar quando os professores ensinavam sobre uma \u201ccasualidade\u201d no \u201cDescobrimento\u201d e que os \u201cnativos\u201d receberam bem os portugueses \u2013 e isto era ilustrado com o quadro \u201cA primeira missa\u201d de Victor Meirelles. E dizia-se que os invasores vinham nos \u201ccivilizar pelo cristianismo\u201d. Ent\u00e3o, os \u201cpovos nativos\u201d eram \u201cconvidados \u00e0 convers\u00e3o\u201d integrando o vasto Imp\u00e9rio portugu\u00eas. Porque \u201ceram pregui\u00e7osos\u201d e n\u00e3o se adaptavam devidamente ao trabalho, os \u201cselvagens\u201d foram substitu\u00eddos pelos negros africanos, motivando o formid\u00e1vel com\u00e9rcio escravagista. E assim caminhavam as li\u00e7\u00f5es escolares&#8230;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Primeira-Missa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-20255\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Primeira-Missa-450x344.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Primeira-Missa-450x344.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Primeira-Missa-300x230.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Primeira-Missa-768x588.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Primeira-Missa.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Rios de tinta correram at\u00e9 que se mudassem tais pressuposi\u00e7\u00f5es euroc\u00eantricas, formatadoras de uma sociedade hierarquizada e de submiss\u00f5es. O filtro historiogr\u00e1fico foi reparando olhares enviesados e, aos poucos, iam-se somando pesquisas plurais, acionadoras de revers\u00f5es que come\u00e7am a produzir efeitos. Ainda h\u00e1 muito a andar, muito, mas j\u00e1 se vislumbram quest\u00f5es que exigem reposicionamentos pr\u00f3ximos dos direitos humanos e a\u00e7\u00f5es capazes de motivar pol\u00edticas p\u00fablicas adequadas \u00e0 nossa realidade. Por l\u00f3gico, a arena democr\u00e1tica reivindicat\u00f3ria est\u00e1 aberta a quantos buscam seu lugar social.<\/p>\n<p>Em termos de movimentos emancipacionista, no cen\u00e1rio atual, os negros est\u00e3o a frente, conseguindo se impor e galgando conquistas justas, capazes de requalificar a dignidade que merecem como povos transplantados \u00e0 for\u00e7a. A par desse contingente que perfaz 54% da nossa popula\u00e7\u00e3o, outro segmento se alinha, os primeiros habitantes que agora conseguiram um Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas e cresce na corre\u00e7\u00e3o de postulados favor\u00e1veis ao reconhecimento desse grupo como um todo. N\u00e3o se pode dizer que a inquieta\u00e7\u00e3o frente aos povos ind\u00edgenas \u00e9 nova. J\u00e1 em 1943, em plena vig\u00eancia do Estado Novo, o vision\u00e1rio Marechal Rondon levou avante uma reivindica\u00e7\u00e3o plantada no M\u00e9xico em 1940 quando o Congresso Indigenista Interamericano, motivou criar em toda a Am\u00e9rica um dia especialmente dedicado a esses grupos.\u00a0De in\u00edcio, falava-se em \u201cDia do \u00cdndio\u201d, termo que causava constrangimento, pois continha uma carga de preconceitos que transpareciam no julgamento tradicional de \u201cpovos primitivos\u201d, \u201cselvagens\u201d e incompat\u00edveis com a \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d. Para combater tais interpreta\u00e7\u00f5es, buscou-se primeiro troc\u00e1-la por \u201cind\u00edgena\u201d valorizando uma cultura aut\u00f4noma, condi\u00e7\u00e3o conseguida em 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Povo-indigena.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-20256\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Povo-indigena-450x253.jpeg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Povo-indigena-450x253.jpeg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Povo-indigena-300x169.jpeg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Povo-indigena-768x432.jpeg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Povo-indigena-750x420.jpeg 750w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Povo-indigena-1140x641.jpeg 1140w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Povo-indigena.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Quantos ind\u00edgenas temos?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Interessa demonstrar que junto com avan\u00e7os, em ordem progressivamente reversa, os ataques t\u00eam proposto consequ\u00eancias dram\u00e1ticas, algumas indicando cat\u00e1strofes genocidas. A come\u00e7ar pelos n\u00fameros, s\u00e3o postas quest\u00f5es grav\u00edssimas como a indefini\u00e7\u00e3o dos totais: quantos ind\u00edgenas temos; quais as caracter\u00edsticas culturais de cada grupo; como preservar suas l\u00ednguas; quais as estrat\u00e9gias de contato com os grupos reclusos; que tratamento deve ser aplicado aos ind\u00edgenas urbanos; e como proceder com cotas estudantis e, mais que tudo, como aprender que eles s\u00e3o agentes da pr\u00f3pria vida?<\/p>\n<p>S\u00edntese de toda afli\u00e7\u00e3o que vivemos, os recentes problemas dos Yanomami projetam um quadro desafiador e exigente de explica\u00e7\u00f5es e muitos debates p\u00fablicos. Sem lembrar, por exemplo, que s\u00e3o os ind\u00edgenas que mant\u00e9m a floresta viva, que s\u00e3o eles que sabem lidar com a mata, por ignor\u00e2ncia, determinados setores reclamam do tamanho das reservas projetando situa\u00e7\u00f5es apenas cab\u00edveis na l\u00f3gica do lucro imediato, sem no\u00e7\u00e3o do significado da import\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia no conjunto global. E no Norte do pa\u00eds temos cerca de 250 mil ind\u00edgenas carentes de aten\u00e7\u00e3o efetiva e continuada.<\/p>\n<p>E conv\u00e9m falar de n\u00fameros posto abrir pistas para se pensar em programas especiais, atentos a defini\u00e7\u00e3o de nossa requalifica\u00e7\u00e3o como brasileiros. Os dados de 2010 \u2013 o \u00faltimo censo \u2013 arrolam cerca de 900 mil ind\u00edgenas divididos em cerca de 300 unidades ou povos. Com um patrim\u00f4nio cultural de mais de 220 l\u00ednguas vivas, temos uma carga de responsabilidade a exigir envolvimento de todos, n\u00e3o apenas de pol\u00edticos e especialistas.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente neste quesito que atua a absoluta e irrestrita necessidade do protagonismo ind\u00edgena. N\u00e3o \u00e9 \u201csobre eles\u201d, \u00e9 \u201ccom eles\u201d que temos que agir. Neste sentido, fico imaginando a beleza que seria criar uma universidade ind\u00edgena, uma institui\u00e7\u00e3o capaz de extrair do vitimismo usual culturas que t\u00eam a vivacidade do v\u00ednculo com a terra. Uma institui\u00e7\u00e3o deste calibre honraria uma causa digna da condi\u00e7\u00e3o humana. Estudemos o caso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O enredo celebrativo do m\u00eas de abril \u00e9 t\u00e3o amplo e variado que abriga contradi\u00e7\u00f5es ir\u00f4nicas. 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