{"id":20222,"date":"2023-03-25T16:54:18","date_gmt":"2023-03-25T19:54:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=20222"},"modified":"2023-03-25T16:54:18","modified_gmt":"2023-03-25T19:54:18","slug":"da-tragedia-a-farsa-em-um-ato-eduardo-affonso-oglobo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/da-tragedia-a-farsa-em-um-ato-eduardo-affonso-oglobo\/","title":{"rendered":"Da trag\u00e9dia \u00e0 farsa, em um ato (Eduardo Affonso, OGlobo)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Quatro anos \u00e9 pouco para botar um pa\u00eds nos eixos, mas tempo de sobra para acertar o tom<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na equipe de transi\u00e7\u00e3o de todo governo, deveria haver uma turma de carpinteiros. Caberia a eles, ainda antes da posse, desmontar o palanque. As pe\u00e7as seriam encaixotadas, e as caixas trancadas a cadeado \u2014 daqueles com temporizador, para s\u00f3 permitir a abertura da\u00ed a quatro anos.<\/p>\n<p>Isso evitaria no governante a tenta\u00e7\u00e3o de permanecer encarapitado no p\u00falpito, microfone em punho, agarrado \u00e0s promessas que n\u00e3o cumprir\u00e1. Sem o pedestal, s\u00f3 lhe restaria p\u00f4r os p\u00e9s no ch\u00e3o e governar.<\/p>\n<p>Figurinistas tamb\u00e9m seriam fundamentais. Trajes, acess\u00f3rios e adere\u00e7os de campanha (bandeiras, bon\u00e9s, camisetas) voltariam para o arm\u00e1rio, onde ficariam guardados a sete chaves. Um novo figurino \u2014 o de estadista \u2014 entraria em cena, em substitui\u00e7\u00e3o ao de candidato.<\/p>\n<p>Iluminadores se encarregariam de jogar nova luz sobre o eleito. Sem tantos filtros, sem \u00e1reas de sombra. Apaga-se a luz c\u00eanica \u2014 a dos truques de m\u00e1gica, feita para esconder, desviar a aten\u00e7\u00e3o \u2014 e acende-se outra, aquela dos centros cir\u00fargicos.<\/p>\n<p>Um bom cen\u00f3grafo vetaria o uso de cercadinhos \u2014 tanto os de gradis de alum\u00ednio para militantes, na cal\u00e7ada, quanto os de sof\u00e1s, nos sal\u00f5es, para entrevistas chapas-brancas. Esse profissional saberia que a fase de picadeiro ficou para tr\u00e1s e que a plateia agora \u00e9 o pa\u00eds inteiro.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Equipe-de-Transicao.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-20223\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Equipe-de-Transicao-450x300.webp\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Equipe-de-Transicao-450x300.webp 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Equipe-de-Transicao-300x200.webp 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Equipe-de-Transicao-768x512.webp 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Equipe-de-Transicao.webp 924w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Equipe de transi\u00e7\u00e3o de Lula reunida antes durante governo de Bolsonaro<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Vencida a etapa de transi\u00e7\u00e3o, seria de bom alvitre incluir na equipe um roteirista. N\u00e3o para criar um personagem (que j\u00e1 existe e deve ser bom \u2014 tanto que pareceu veross\u00edmil a milh\u00f5es de eleitores), mas para evitar que ele se perca no papel. Para lembr\u00e1-lo de que h\u00e1 um roteiro (tamb\u00e9m conhecido como \u201cprograma de governo\u201d) a seguir. Um arco dram\u00e1tico (e bota dram\u00e1tico nisso!) que vai do rescaldo de uma calamidade at\u00e9 a reconcilia\u00e7\u00e3o de um povo consigo mesmo.<\/p>\n<p>Uma figura arcaica e praticamente extinta pode ser de grande valia nessa trupe: o ponto. Uma esp\u00e9cie de grilo falante \u2014 ou superego bonzinho \u2014 que sopre no ouvido do ator-governante aquilo que \u2014 por falha de mem\u00f3ria, de convic\u00e7\u00e3o ou de car\u00e1ter \u2014 ele pare\u00e7a ignorar, mas que estava bem claro no script. Perd\u00e3o, majestade, mas teorias de conspira\u00e7\u00e3o e as feiquenius pertencem a eles \u2014 essas coisas quem diz \u00e9 o vil\u00e3o, esqueceu? Desculpe, milorde, mas esse vocabul\u00e1rio chulo acaba nos colocando no mesmo n\u00edvel daquele a quem nos quer\u00edamos mostrar superiores. N\u00e3o, Excel\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 hora de falar em vingan\u00e7a \u2014 o amor venceu, lembra?<\/p>\n<p>Mesmo o ator mais tarimbado trope\u00e7a. Tem um branco. Erra a marca\u00e7\u00e3o. Protagonista, descuida de abrir espa\u00e7o aos coadjuvantes. Cai na armadilha de atuar apenas para a fila do gargarejo. E se encanta com os pr\u00f3prios cacos, em preju\u00edzo da dramaturgia que a plateia esperava ver.<\/p>\n<p>Nada que n\u00e3o se possa corrigir ao longo da temporada \u2014 quatro anos \u00e9 pouco para botar um pa\u00eds nos eixos, mas tempo de sobra para acertar o tom.<\/p>\n<p>Tudo fica mais complicado quando o ator principal \u00e9, tamb\u00e9m, autor, diretor e animador da claque. Mas, enquanto o p\u00fablico pagante \u2014 que, por acaso, \u00e9 o dono do teatro \u2014 n\u00e3o come\u00e7ar a vaiar, a atirar ovos e tomates, d\u00e1 para salvar o espet\u00e1culo. E impedir que a pe\u00e7a anterior, de triste mem\u00f3ria, entre de novo em cartaz.<\/p>\n<p>Podiam come\u00e7ar chamando os carpinteiros para desmontar o palanque.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quatro anos \u00e9 pouco para botar um pa\u00eds nos eixos, mas tempo de sobra para acertar o tom Na equipe de transi\u00e7\u00e3o de todo governo, &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20224,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-20222","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20222","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20222"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20222\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20225,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20222\/revisions\/20225"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20224"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}