{"id":20174,"date":"2023-02-19T10:13:57","date_gmt":"2023-02-19T13:13:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=20174"},"modified":"2023-02-19T10:13:57","modified_gmt":"2023-02-19T13:13:57","slug":"carnaval-vermelho-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/carnaval-vermelho-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"CARNAVAL VERMELHO (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Vermelho paix\u00e3o tomou conta do\u00a0 para\u00edso<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Quando pensei nesta cr\u00f4nica, a ser publicada no domingo de carnaval, logo me veio uma d\u00favida, seria mesmo domingo o primeiro dia dos festejos mom\u00edsticos? Foi o que bastou para reavivar a velha (e deliciosa) pol\u00eamica cara aos antrop\u00f3logos: o que seria o carnaval, um tr\u00edduo que inverte o cotidiano (DaMatta), ou uma express\u00e3o apocal\u00edtica do dia a dia (Renato Ortiz)? N\u00e3o me canso de recuperar esse debate porque o tenho na conta dos mais explicativos do cotidiano brasileiro. Sim, recorto o tema na singularidade de nossa cultura, mesmo respeitando todos os outros, muitos carnavais. Ali\u00e1s, como diz Morais Moreira pela voz da Gal Costa \u201cvem meu amor, feito louca, que a vida t\u00e1 pouca, eu quero muito mais, mais que essa dor que arrebenta, a paix\u00e3o violenta, oitenta carnavais\u201d.<\/p>\n<p>No caso da invers\u00e3o da rotina di\u00e1ria, ter\u00edamos alguns atestados musicais que, como tantos, pontificam a permissividade excepcional da data. Talvez, nessa linha, o consagrado Z\u00e9 Keti tenha o trono no \u201ccarnaval desengano\u201d onde declara \u201cdeixei a dor em casa me esperando\u201d e, prossegue na evid\u00eancia de que, por fim, na quarta-feira d\u00e1-se um ponto na interrup\u00e7\u00e3o pois \u201csempre desce o pano\u201d e ent\u00e3o tudo n\u00e3o passaria de uma \u201cesperan\u00e7a que gente, longe vem na esperan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Sebe-e-duas-baianas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-20175\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Sebe-e-duas-baianas-338x450.jpg\" alt=\"\" width=\"338\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Sebe-e-duas-baianas-338x450.jpg 338w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Sebe-e-duas-baianas-225x300.jpg 225w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Sebe-e-duas-baianas.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 338px) 100vw, 338px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Mestre Sebe n\u00e3o perde a oportunidade<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Na contram\u00e3o, desmentindo a fantasia dos tr\u00eas dias onde pobre vira rico, homem vira mulher, gente vira bicho, outra s\u00e9rie de letras mostra que, como quer Karan Cavallero, \u201ctodo dia \u00e9 carnaval, todo dia \u00e9 fevereiro\u201d ou como refor\u00e7a Pablo Vitar em composi\u00e7\u00e3o com Rico Daslasam \u201ceu n\u00e3o espero o carnaval chegar para ser vadia, sou todo dia, sou todo dia\u201d.<\/p>\n<p>Margeando o debate te\u00f3rico, fato concreto evidencia o carnaval como festa da irrever\u00eancia. \u00c9 verdade que h\u00e1 uma din\u00e2mica quase incontrol\u00e1vel nas altera\u00e7\u00f5es processadas ano a ano. Interessa, contudo, notar que alheio \u00e0s mudan\u00e7as, um elemento subsiste: a irrever\u00eancia. Sim, h\u00e1 algo de fascinante neste quesito, pois independente de todos os mil lances novidadeiros potencializa-se algo que convida supor atrevimento, ou uma esp\u00e9cie de bronca no sistema e nas inst\u00e2ncias de poder.<\/p>\n<p>Em qualquer g\u00eanero de manifesta\u00e7\u00e3o carnavalesca, a cr\u00edtica sempre d\u00e1 um jeitinho de aparecer. Desde as mais formais e persistentes express\u00f5es, como por exemplo a entrega da chave da cidade para o Rei Momo, preside certa aprecia\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 ordem simb\u00f3lica, como se o governo, provis\u00f3rio, fosse da permissividade. N\u00e3o h\u00e1 como negar o substrato dionis\u00edaco que reponta com a liberdade permitida nesses dias. O di\u00e1logo contr\u00e1rio a ordem e aos chamados \u201cbons costumes\u201d tamb\u00e9m integra a pauta provada na pouca roupa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Sebe-e-bandeira-do-Salgueiro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-20176\" src=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Sebe-e-bandeira-do-Salgueiro-338x450.jpg\" alt=\"\" width=\"338\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Sebe-e-bandeira-do-Salgueiro-338x450.jpg 338w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Sebe-e-bandeira-do-Salgueiro-225x300.jpg 225w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Sebe-e-bandeira-do-Salgueiro.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 338px) 100vw, 338px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>N\u00e3o deixou de tomar a ben\u00e7\u00e3o da bandeira do Salgueiro<\/strong><\/p>\n<p>Acatando o suposto da irrever\u00eancia, \u00e9 importante perceber o significado complementar das m\u00e1scaras. \u00c9 claro que n\u00e3o se exige responsabilidade anal\u00edtica de todos os foli\u00f5es. Preza-se a legitimidade do uso de qualquer fantasia sem inten\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas, mas, quando se prop\u00f5em considera\u00e7\u00f5es sobre a mem\u00f3ria coletiva, sobre o inconsciente social, t\u00eam-se revela\u00e7\u00f5es importantes. \u00c9 exatamente neste sentido que penso nas escolhas populares usadas por frequentadores de blocos. Tento prestar bastante aten\u00e7\u00e3o nos tipos estampados nesses artefatos que s\u00e3o bem baratos e de f\u00e1cil aquisi\u00e7\u00e3o. Tanto aposto nessas escolhas que jogo minhas fichas nas cr\u00edticas pol\u00edticas \u00e0s figuras depostas pelo voto popular.<\/p>\n<p>E assim, a pol\u00edtica n\u00e3o entra apenas nos grupos sem enredos. As grandes escolas de samba tamb\u00e9m incorporaram pautas sociais e por elas filtram-se debates sobre racismo, quest\u00f5es da cultura de minorias, de destaques pol\u00edticos. Um breve passeio pelos sambas de enredo deste ano mostra, inclusive, a tentativa de se reescrever a hist\u00f3ria da humanidade segundo outras tradi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o as consagradas pela historiografia oficial. O caso da sempre inovadora Salgueiro, do Rio de Janeiro, \u00e9 prova disso. Exaltando o vermelho, em sugestiva alus\u00e3o ao momento pol\u00edtico que vivemos, diz passagem do samba de oito autores \u201cvermelha paix\u00e3o salgueirense, que invade a alma, t\u00e1 no sangue da gente, o morro desce na batida do tambor\u201d e, quase sem sutileza, conclui \u201cvermelha paix\u00e3o salgueirense&#8230; o morro desce na batida do tambor, nesse del\u00edrio que o artista se inspirou\u201d e pontifica \u201cfeliz \u00e9 aquele que tem o Salgueiro\u00a0no cora\u00e7\u00e3o\u201d. Entenderam?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vermelho paix\u00e3o tomou conta do\u00a0 para\u00edso Quando pensei nesta cr\u00f4nica, a ser publicada no domingo de carnaval, logo me veio uma d\u00favida, seria mesmo domingo &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20177,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-20174","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20174","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20174"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20174\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20178,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20174\/revisions\/20178"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20177"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20174"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20174"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20174"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}