{"id":20108,"date":"2022-12-24T07:39:50","date_gmt":"2022-12-24T10:39:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=20108"},"modified":"2022-12-24T07:47:45","modified_gmt":"2022-12-24T10:47:45","slug":"o-presente-do-ano-gonzagao-e-paulo-vanderley-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/o-presente-do-ano-gonzagao-e-paulo-vanderley-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"O presente do ano: Gonzag\u00e3o e Paulo Vanderley (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Para Renato Teixeira<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Cheguei de longa viagem. Torpor. Mil detalhes atrasados. Como tantas outras vezes repeti: nossa, preciso de novas f\u00e9rias. Era uma pilha de contas, outra de quest\u00f5es de trabalho e a correspond\u00eancia cumulada. N\u00e3o bastasse a demanda, uma caixa grande, cuidadosamente embrulhada, com dois carimbos arregalados, olhava pacientemente para mim. Sim, estava curioso, mas era uma curiosidade paciente, posterg\u00e1vel. Deixei-a no aguardo, resolvi boa parte dos rolos e por fim me permiti uma pausa. Fazia calor, o vinho branco suado era promessa. E foi o que bastou. Como se o esp\u00edrito engarrafado mudasse de frasco, senti-o em mim. Olhei o pacote e, nem t\u00e3o mansamente, peguei uma tesoura e parti para a caixa. Abri. Era um presente. Assustador&#8230;<\/p>\n<p>\u201cFormid\u00e1vel\u201d, foi a primeira palavra aflorada. Formid\u00e1vel no sentido Kantiano, como algo que n\u00e3o se satisfaz em dicion\u00e1rios, grandioso, sublime muito mais que surpreendente. \u201cMeu Deus\u201d, foi a segunda golfada. Em minhas m\u00e3os um livro\/estojo rar\u00edssimo. A capa dizia tudo: \u201cLuiz Gonzaga 110 anos\u201d, com desenho encravado em fina reprodu\u00e7\u00e3o de fundo de couro. Beleza pura. Pandora teria o que aprender com o surtido material colocado estrategicamente sobre um livro de mais de 400 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-20114 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/110-anos-recortada-1-300x287.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"287\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/110-anos-recortada-1-300x287.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/110-anos-recortada-1-450x430.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/110-anos-recortada-1.jpg 492w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Reprodu\u00e7\u00f5es e mais reprodu\u00e7\u00f5es dimensionam o que pode ser considerado material de um museu pessoal do Rei do Bai\u00e3o: a carteira com cart\u00e3o de cr\u00e9dito, uma nota suposta no valor de 110 (anos), a c\u00e9dula de identidade, cartazes, inclusive o maior em tamanho natural, propaganda de shows e outras del\u00edcias. Cuidadosamente elencados em ordem cronol\u00f3gica cat\u00e1logos com todas as grava\u00e7\u00f5es daquele que \u00e9 apontado como \u201co maior artista do Brasil de todos os tempos\u201d.<\/p>\n<p>E haja paix\u00e3o. Desde os 9 anos de idade, menino ainda Paulo Vanderley colecionou fotos, informa\u00e7\u00f5es variadas, incont\u00e1veis entrevistas e milhares de detalhes sobre a experi\u00eancia de quem, respeitosamente, chama de \u201cSeu Luiz\u201d. E tanto apego n\u00e3o \u00e9 sem genealogia, pois o pai, como ele, tamb\u00e9m funcion\u00e1rio do Banco do Brasil, fora amigo do sanfoneiro \u201cLua\u201d. \u00c9 evidente que a orgulhosa nordestinidade ambienta linhagens continuadas, de pai para filho, pois al\u00e9m do falante Paulo Vanderley, sua fam\u00edlia se tran\u00e7ou no projeto amparado por uma cole\u00e7\u00e3o de patrocinadores.<\/p>\n<p>Olhando bem, entrando no livro\/estojo como se deixa conduzido por um guia sabido, d\u00e1-se o entendimento do agitado mapa da vida do Gonzag\u00e3o na nossa vida. Sabedor do que quer dizer, o autor percorre etapas atribuladas de um mocinho que sai de casa para ser artista e se torna senhor. Mil perip\u00e9cias no caminho. Contando causos e mais causos, fiando reportagens, recortando entrevistas, cartas, bilhetes, a vida do Rei do bai\u00e3o \u00e9 revelada. O que se conclui \u00e9 que Luiz Gonzaga foi fecundo inventor de um cancioneiro que consagrou a sanfona, fazendo do bai\u00e3o e de suas varia\u00e7\u00f5es trilha sonora de um Brasil que precisou aprender a se ver no espelho com outra cara.<\/p>\n<p>Cansado de reconhecer belezas em livros e biografias, tenho que cavar muito para dizer que este \u00e9 um livro\/estojo soberano, Rei mesmo, como Gonzag\u00e3o foi. A pesquisa n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 inigual\u00e1vel, mas cai como o mais garboso gib\u00e3o de couro enfeitando um corpo imortalizado na sensibilidade nacional. \u00c9 sim homenagem, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 laudat\u00f3rio, pois fala de momentos dif\u00edceis, tristes com pontas de m\u00e1goas como quando foi barrado em um clube que s\u00f3 permitia brancos. Com compet\u00eancia e gra\u00e7a poliss\u00eamica, o texto atravessa as esperadas agruras das primeiras vezes: do parceiro de estreia, da primeira grava\u00e7\u00e3o, do amor inaugural de uma s\u00e9rie de outros in\u00edcios.<\/p>\n<p>De fato em fato, o livro vai se contando com falas perfumadas pelo bom<\/p>\n<p>humor, simpatia e algumas agulhadas. Conta-se que, certa feita em turn\u00ea, encontrou com o ent\u00e3o vice-presidente Aureliano Chaves que se mostrou interessado em conhec\u00ea-lo. Marcado o encontro, Gonzag\u00e3o cantando pedia para a autoridade olhar pela regi\u00e3o, linda, mas sem \u00e1gua. A passagem do recado mandado ao ladr\u00e3o de sua sanfona favorita \u00e9 t\u00e3o hil\u00e1ria quanto terno \u00e9 o apadrinhamento de jovens valores como Dominguinhos e a doa\u00e7\u00e3o de centenas de sanfonas ofertadas aos iniciantes. A dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 filha Rosinha e os amores, autorizados e bandidos, se combinam de maneira a explicar o reencontro dram\u00e1tico com o filho Gonzaguinha.<\/p>\n<p>N\u00e3o pensem que s\u00f3 com texto escrito se satisfaz essa proposta. N\u00e3o mesmo. A fartura de fotografias e o incr\u00edvel acesso sonoro \u00e9 uma das m\u00e1gicas permitidas. Com o dispositivo de QRCode pode-se ouvir falas, m\u00fasicas, reportagens. Este estojo, creiam, \u00e9 um presente completo e, mais que informativo, \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o na imprensa nacional. E tanta coisa n\u00e3o custa muito, ali\u00e1s. se algu\u00e9m quiser mais informa\u00e7\u00f5es veja o endere\u00e7o: luizluagonzaga.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Renato Teixeira Cheguei de longa viagem. Torpor. Mil detalhes atrasados. Como tantas outras vezes repeti: nossa, preciso de novas f\u00e9rias. 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