{"id":19998,"date":"2022-10-16T07:37:11","date_gmt":"2022-10-16T10:37:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=19998"},"modified":"2022-10-16T07:38:31","modified_gmt":"2022-10-16T10:38:31","slug":"o-crime-do-1o-bib-de-barra-mansa-elio-gaspari","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/o-crime-do-1o-bib-de-barra-mansa-elio-gaspari\/","title":{"rendered":"O crime do 1\u00ba BIB de Barra Mansa (Elio Gaspari)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>H\u00e1 50 anos, mataram quatro soldados no quartel (foto galp\u00e3o do antigo BIB)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A pesquisadora Glenda Mezarobba localizou no arquivo do Superior Tribunal Militar os cinco volumes do processo que tratou da morte de quatro soldados do 1\u00ba Batalh\u00e3o de Infantaria Blindada (BIB) de\u00a0<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/tudo-sobre\/cidade\/barra-mansa-rj\"><strong>Barra Mansa (RJ)<\/strong><\/a>\u00a0em janeiro de 1972. Essa documenta\u00e7\u00e3o ficou inacess\u00edvel por meio s\u00e9culo, e Mezarobba trouxe-a \u00e0 luz no \u00faltimo n\u00famero da revista <strong>piau\u00ed<\/strong>.<\/p>\n<p>Se a morte de Vladimir Herzog em 1975 abriu uma clivagem na sociedade civil, o caso dos quatro soldados de Barra Mansa abriu uma fenda no meio militar. Fenda pequena e silenciosa.<\/p>\n<p>O crime: no final de 1971, o capit\u00e3o D\u00e1lgio Miranda Niebus foi encarregado pelo comandante do batalh\u00e3o de investigar o tr\u00e1fico de maconha no quartel. Foram presos e torturados mais de dez soldados. No dia 12 de janeiro, dois estavam mortos. Os cad\u00e1veres foram dispersos. Um corpo foi decapitado. Nos dias seguintes morreram mais dois. Um corpo foi parcialmente carbonizado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-19999 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Local-on-de-foi-queimado-300x256.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"256\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Local-on-de-foi-queimado-300x256.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Local-on-de-foi-queimado-450x384.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Local-on-de-foi-queimado.jpg 463w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>O ocultamento: no dia 17 de janeiro, o comandante interino do 1\u00ba BIB, tenente-coronel Gladstone Pernasetti, comunicou a \u201cdeser\u00e7\u00e3o\u201d de quatro soldados.<\/p>\n<p>A den\u00fancia: familiares de um soldado queixaram-se a um padre, e ele contou o caso ao bispo de Volta Redonda, dom Waldyr Calheiros. Ele celebrou a missa de s\u00e9timo dia do jovem e denunciou o que sabia.<\/p>\n<p>Nessa altura, numa r\u00e1pida sucess\u00e3o, aconteceram coisas que n\u00e3o constam do processo. Em sigilo, parte da hierarquia cat\u00f3lica tratava de den\u00fancias de crimes com representantes do governo, e dom Waldyr mencionou o caso ao general Ant\u00f4nio Carlos Muricy, um oficial cat\u00f3lico e valente, que se atracara com um assaltante, tomando um tiro no cora\u00e7\u00e3o. (A bala alojou-se na parte necrosada por um infarto e l\u00e1 ficou, por anos.)<\/p>\n<p>\u2014 Duvido que o Ex\u00e9rcito fa\u00e7a uma coisa dessas \u2014 respondeu Muricy ao bispo.<\/p>\n<p>Muricy contaria mais tarde que foi procurado pelo general Walter Pires, comandante da Brigada de Infantaria Blindada:<\/p>\n<p>\u2014 Estou tomando conhecimento de um caso b\u00e1rbaro. Quero agir para punir os culpados.<\/p>\n<p>Muricy estimulou-o.<\/p>\n<p>(Aqui fica um mist\u00e9rio: foi Pires quem procurou Muricy, ou Muricy quem procurou Pires e deixou o m\u00e9rito para o amigo?)<\/p>\n<p>Dom Waldyr veio a saber que, dias depois, Muricy teria dito:<\/p>\n<p>\u2014 Infelizmente, temos de dar a m\u00e3o \u00e0 palmat\u00f3ria, o bispo tem raz\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-20000 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Corpo-de-M0ncao-300x271.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"271\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Corpo-de-M0ncao-300x271.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Corpo-de-M0ncao-450x407.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Corpo-de-M0ncao.jpg 491w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>No dia 27 de janeiro, o coronel M\u00e1rio Orlando Ribeiro Sampaio, encarregado por Pires de apurar o caso, prendeu os envolvidos, come\u00e7ando pelo capit\u00e3o Niebus. Sucederam-se confiss\u00f5es guardadas na documenta\u00e7\u00e3o do processo. No dia 1\u00ba de fevereiro, o capit\u00e3o revelou que o comandante interino do Batalh\u00e3o sabia de tudo.<\/p>\n<p>Uma semana depois o Minist\u00e9rio do Ex\u00e9rcito reconheceu que os encarregados de investigar o caso da maconha \u201cagiram de maneira conden\u00e1vel e deformada, provocando a morte dos soldados\u201d. \u00c0quela altura, apesar da censura que proibia refer\u00eancias a torturas, o general Gustavo de Moraes Rego comentava a investiga\u00e7\u00e3o no gabinete do presidente eleito Ernesto Geisel, usando a palavra proibida.<\/p>\n<p>O caso de Barra Mansa tramitou em segredo na Justi\u00e7a Militar. Ficou conhecida a senten\u00e7a de nove r\u00e9us. O capit\u00e3o foi condenado a 84 anos de pris\u00e3o, e o tenente-coronel a sete anos. Todas as penas totalizaram 470 anos, mas, ao fim das contas, elas foram fortemente reduzidas.<\/p>\n<p>O rep\u00f3rter Marcelo Auler reconstitui h\u00e1 alguns anos parte do quebra-cabe\u00e7a, Mezarobba documentou o quadro policial e jur\u00eddico do tabuleiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 50 anos, mataram quatro soldados no quartel (foto galp\u00e3o do antigo BIB) A pesquisadora Glenda Mezarobba localizou no arquivo do Superior Tribunal Militar os &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20001,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-19998","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19998"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19998\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20004,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19998\/revisions\/20004"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20001"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}