{"id":19976,"date":"2022-09-25T10:37:49","date_gmt":"2022-09-25T13:37:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=19976"},"modified":"2022-09-25T13:59:54","modified_gmt":"2022-09-25T16:59:54","slug":"afeto-e-politica-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/afeto-e-politica-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"AFETO E POL\u00cdTICA (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Qualquer processo eleitoral \u00e9 exaustivo. O longo per\u00edodo de apresenta\u00e7\u00e3o dos candidatos, debates sobre programas, acusa\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas alongadas at\u00e9 o dia da vota\u00e7\u00e3o, e depois a publicidade dos resultados com suas (in)conformidades, tudo nos exaure. \u00c0s vezes me dou ao luxo de questionar se al\u00e9m da ineg\u00e1vel afirma\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica h\u00e1 outras vantagens. No caso presente, sem d\u00favidas, a revela\u00e7\u00e3o de quem \u00e9 quem ganha foros de posicionamentos expl\u00edcitos e assim, pelo menos, ficamos sabendo de quantos sa\u00edram do arm\u00e1rio pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Intensificando a ca\u00e7a ao tal lado bom da quest\u00e3o, aprende-se tamb\u00e9m sobre os limites estreitos de nossa (in)toler\u00e2ncia. Sim, somos muito mais intransigentes do que supomos na placidez dos dias comuns. Admitamos, h\u00e1 algo de radical no cora\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Eu, sinceramente, nunca pensei em ter que domar publicamente minhas indigna\u00e7\u00f5es. Por gra\u00e7a de filtros interiores, tenho dosado impulsos e vou exercitando meu melhor \u00e2ngulo educado. Ainda assim, essa herc\u00falea dilig\u00eancia n\u00e3o anula a perplexidade frente a parentes e colegas que, imagino, n\u00e3o poderiam defender as pautas que ostentam. S\u00e3o pais contra filhos, amigos de inf\u00e2ncia contra amados, vizinhos que se rejeitam. Rompimentos&#8230; Cancelamentos&#8230; Desafetos&#8230;<\/p>\n<p>Mas isto seria novidade? Antes n\u00e3o era assim? E n\u00e3o vale apenas medir a temperatura pelo \u201cachismo f\u00e1cil\u201d que, ali\u00e1s, credita ao momento presente a altura dos tempos. O problema \u00e9 velho. Em termos t\u00e9cnicos, por exemplo, existe um grupo dedicado a entender toda essa movimenta\u00e7\u00e3o al\u00e9m do imediato. Componentes acad\u00eamicos do \u201cGrupo de Estudos Eleitorais Brasileiros\u201d (ESEB), desde a d\u00e9cada de 1970, t\u00eam se debru\u00e7ado sobre o tema. Modernamente, o teorema defendido em 1957 por Anthony Downs \u2013 sobre o \u201celeitor m\u00e9dio\u201d \u2013 tem servido de par\u00e2metro para explicar o distanciamento entre duas partes do mesmo todo. Diz aquele economista que h\u00e1 nas maiorias uma busca natural pelo centro. Segundo tal pressuposto, na medida em que falham os argumentos aglutinadores, uma disputa se imp\u00f5e anulando o senso comum.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-19977 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Anthony-Downs-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Anthony-Downs-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Anthony-Downs-450x300.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Anthony-Downs-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Anthony-Downs.jpg 860w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong> Anthony Downs:\u00a0 o \u201celeitor m\u00e9dio\u201d\u00a0 explica o distanciamento entre duas partes<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Quem trabalha com mem\u00f3ria de express\u00e3o oral identifica de outra maneira os res\u00edduos afetivos capitalizados pelas figuras p\u00fablicas. \u00c9 quando manifesta\u00e7\u00f5es subjetivas atuam de maneira a sugerir prefer\u00eancias emocionais. A mem\u00f3ria \u2013 individual ou social \u2013 funciona ent\u00e3o como uma esp\u00e9cie de reserva de afetos armazenados. Uma das dimens\u00f5es de quantos professam essa corrente sonda, no campo pol\u00edtico, as refer\u00eancias aos candidatos. \u00c9 quando a afei\u00e7\u00e3o se manifesta como express\u00e3o de valores essenciais. Figuras gostadas s\u00e3o conhecidas pelos \u201cnomes do cora\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, pela designa\u00e7\u00e3o familiar, algo como Jos\u00e9 ou Maria. Os amados de verdade, aqueles benquistos al\u00e9m da conta, ganham diminutivos carinhosos como Z\u00e9, Z\u00e9zinho ou Maria ou Mariazinha. H\u00e1 gradua\u00e7\u00f5es sutis nessas alus\u00f5es. Muitas vezes, em lugar dos primeiros nomes, apelidos meigos afloram convocando paradoxos contradit\u00f3rios.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7o, por exemplo, casos em que \u201cmosquito\u201d, \u201cgarnis\u00e9\u201d, \u201cboi\u201d, \u201ccadela\u201d, se ami\u00fadam de maneira af\u00e1vel, n\u00e3o como ofensa.<\/p>\n<p>Em termos pol\u00edticos o caso de Get\u00falio Vargas serve de exemplo que potencializa prefer\u00eancias distribu\u00eddas por fases variadas de sua longa atua\u00e7\u00e3o na cena nacional. Em situa\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, eleito, era chamado de Get\u00falio, ou mesmo de \u201cvelhinho\u201d (\u201co sorriso do velhinho faz a gente trabalhar\u201d, dizia o jingle da campanha de 1950). J\u00e1 nos turnos ditatoriais, era solenemente Vargas, ou mais grave, Presidente Vargas. Nos bra\u00e7os do povo, quantas vezes n\u00e3o era referido como \u201cGeg\u00ea\u201d?! Com igual for\u00e7a ganha relevo outra situa\u00e7\u00e3o igualmente emblem\u00e1tica, a de Juscelino que em diversas situa\u00e7\u00f5es passou por v\u00e1rios acolhimentos: s\u00f3 Juscelino, Non\u00f4, JK e sempre Kubistchek pelos advers\u00e1rios.<\/p>\n<p>A proposta tem complexidades merecedoras de cuidados: alguns nomes s\u00e3o colocados em observa\u00e7\u00e3o constante e imp\u00f5em-se de maneira autorit\u00e1ria, exigindo inclusive, al\u00e9m do registro civil, seja adicionado o sobrenome: Jos\u00e9 Serra, Fernando Collor de Mello, Sergio Cabral Filho.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-19978 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/FHC-e-ACM-recortada-300x233.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"233\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/FHC-e-ACM-recortada-300x233.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/FHC-e-ACM-recortada.jpg 429w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>ACM (Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es) e FHC<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Na mesma linha, conv\u00e9m colocar os famosos por se conferirem pela sobriedade dos sobrenomes, ou nomes de fam\u00edlia: Palocci, Guedes, Meirelles. Todos os ditadores, sem exce\u00e7\u00e3o, s\u00e3o identificados pelos sobrenomes: Costa e Silva, M\u00e9dici, Figueiredo, Maduro, Chaves. \u00c9 curioso que mesmo alguns eleitos invocam a solenidade do sobrenome: Dutra, Trump, Temer, isso, diga-se, revela cerim\u00f4nia e distanciamento.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m lembrar que h\u00e1 enigmas, casos que ser\u00e3o julgados pela hist\u00f3ria e assim cita-se por not\u00e1vel o caso de FHC e ACM que, ali\u00e1s, deixa rastro alongado em seu neto. De toda forma, h\u00e1 de se relevar a import\u00e2ncia da mem\u00f3ria plenificada de afetos, e, mais que isso como a pol\u00edtica revela nossa alma. Ali\u00e1s, como voc\u00ea se refere ao candidato que vai merecer seu voto?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qualquer processo eleitoral \u00e9 exaustivo. 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