{"id":19949,"date":"2022-09-04T08:20:16","date_gmt":"2022-09-04T11:20:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=19949"},"modified":"2022-09-04T08:24:15","modified_gmt":"2022-09-04T11:24:15","slug":"a-semente-da-independencia-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/a-semente-da-independencia-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"A SEMENTE DA INDEPEND\u00caNCIA (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>PAU BRASIL?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 importante na celebra\u00e7\u00e3o dos 200 anos da Independ\u00eancia ir al\u00e9m dos clich\u00eas festejados sem<br \/>\nconte\u00fado cr\u00edtico. \u00c9 incr\u00edvel como, sem no\u00e7\u00f5es de Hist\u00f3ria, a efem\u00e9ride fica fr\u00e1gil e<br \/>\nse reduz a vaga de feriado ou uso pol\u00edtico discut\u00edvel. Foi pensando nisso que ocorreu significar<br \/>\n7 de setembro como oportunidade para transcender apropria\u00e7\u00f5es apressadas, rebaixando o<br \/>\nsentido que teve em 1922.<br \/>\nConv\u00e9m prezar a data da Independ\u00eancia dimensionada no Antigo Sistema Colonial, ou seja,<br \/>\ndepois da expans\u00e3o mar\u00edtima do s\u00e9culo XV, inscrita do \u201cmodo de produ\u00e7\u00e3o escravista\u201d. Por<br \/>\ncerto, o conte\u00fado pol\u00edtico que propugna a autonomia pol\u00edtica de qualquer estado \u00e9 processo<br \/>\ncontinuado, n\u00e3o se limita a um determinado momento ou data. Assim, para aquilatar sua<br \/>\ness\u00eancia hist\u00f3rica torna-se necess\u00e1rio o entendimento do ato batismal. Com naturalidade,<br \/>\npois, desponta a quest\u00e3o: a partir de quando podemos pensar na Independ\u00eancia nacional? Se<br \/>\no 7 de setembro serve como refer\u00eancia divis\u00f3ria, como discutir o tema da autonomia pol\u00edtica<br \/>\natrav\u00e9s dos tempos?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-19950 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Nau-portuguesa-sec-15-300x275.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"275\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Nau-portuguesa-sec-15-300x275.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Nau-portuguesa-sec-15.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><em><strong>Nau portuguesa do s\u00e9culo X<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00c9 pelo entendimento caracterizador do processo como um todo que se recorre \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do<br \/>\nnosso perfil como na\u00e7\u00e3o. Perceber originalidades locais imp\u00f5e supor o amadurecimento da<br \/>\nemancipa\u00e7\u00e3o separatista, constitu\u00edda ao longo de s\u00e9culos, desde muito antes de ocorrer o ato<br \/>\noficial. Neste sentido, lan\u00e7a-se m\u00e3o de andamentos pret\u00e9ritos organizadores de causas que,<br \/>\nali\u00e1s, refletem tens\u00f5es das conquistas. De antem\u00e3o, torna-se necess\u00e1rio levar em conta que o<br \/>\ns\u00e9culo XIX foi de emancipa\u00e7\u00e3o geral nas col\u00f4nias \u2013 com \u00eanfase na Am\u00e9rica \u2013 mas, no contexto<br \/>\nluso-brasileiro deu-se um roteiro diferente, sob a presen\u00e7a de uma casa real europeia.<br \/>\nPensando a \u201chist\u00f3ria de longa dura\u00e7\u00e3o\u201d, ponhamos abaixo alguns mitos derrubados por<br \/>\nexplica\u00e7\u00f5es superadas. E tudo ent\u00e3o pode ser datado a partir do \u201cencontro de culturas\u201d, ou<br \/>\nseja, depois do 22 de abril de 1500. Como ato fundador da longa luta pela nossa Independ\u00eancia<br \/>\n\u00e9 importante retra\u00e7ar a produ\u00e7\u00e3o de documentos atentos \u00e0 chegada das naus que colocaram<br \/>\nfrente a frente ind\u00edgenas nativos e conquistadores.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-19951 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Pedro-Alvares-Cabral-196x300.jpg\" alt=\"\" width=\"196\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Pedro-Alvares-Cabral-196x300.jpg 196w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Pedro-Alvares-Cabral-294x450.jpg 294w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Pedro-Alvares-Cabral.jpg 392w\" sizes=\"auto, (max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><br \/>\nSendo desprez\u00edvel acatar o termo \u201cdescobrimento\u201d &#8211; como se a chegada da frota portuguesa<br \/>\nse desse em um espa\u00e7o antes metaforicamente \u201ccoberto\u201d -, o rumo da certeza de nossa<br \/>\nexist\u00eancia territorial convida conjugar alguns aspectos hoje firmados sem d\u00favidas: o Brasil era<br \/>\nconhecido antes de Cabral chegar, e n\u00e3o \u00e9 cr\u00edvel admitir sequer que fomos \u201cdescobertos por<br \/>\nacaso\u201d, em consequ\u00eancia do desvio de rotas que evitariam calmarias. Pelo reverso, afian\u00e7a-se<br \/>\nque o Brasil fazia parte dos planos n\u00e1uticos expansionistas portugueses, e a exuber\u00e2ncia da<br \/>\nEscola de Sagres \u00e9 prova disso.<br \/>\nConsideremos alguns fatores importantes: desde 1351 o nome \u201cBracir\u201d figurava em mapas,<br \/>\nsendo indicado como uma ou muitas ilhas ao Ocidente da costa portuguesa. Outros nomes<br \/>\nconfirmam essa tese, pois estudiosos encontram variantes como Brasil, Brazille, Braxili, entre<br \/>\ntantos outros. A quest\u00e3o desafiante remete ao questionamento: \u201cmas n\u00e3o foi devido a<br \/>\nextra\u00e7\u00e3o de pau-brasil, na fase de explora\u00e7\u00e3o da costa (1501-1549), que nos distinguimos<br \/>\ncomo brasileiros\u201d? Importante n\u00e3o fugir deste dilema. Era comum ao tempo nominar lugares<br \/>\nsupostos com termos alvissareiros, assim como as imaginadas \u201cIlhas Afortunadas\u201d. O<br \/>\nimagin\u00e1rio m\u00edtico teria valorizado a brasa (cor vermelha, s\u00edmbolo do fogo) como tom<br \/>\npurificador &#8211; como, ali\u00e1s, justificam-se as fogueiras da Inquisi\u00e7\u00e3o. Fala-se, pois, que o encontro<br \/>\ndo pau-brasil deu sentido \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o anterior e n\u00e3o inaugurou uma fase nova.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-19952 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Elevacao_da_Cruz_em_Porto_Seguro-300x213.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Elevacao_da_Cruz_em_Porto_Seguro-300x213.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Elevacao_da_Cruz_em_Porto_Seguro-450x320.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Elevacao_da_Cruz_em_Porto_Seguro.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Montagem da cruz em Porto Seguro, imagem do Museu Nacional<\/strong><\/em><\/p>\n<p>De toda forma, a denomina\u00e7\u00e3o conveniente ao oficialismo lusitano opunha dois projetos<br \/>\ndistintos: um primeiro, barroco, ligado \u00e0 religiosidade que evocava homenagem ao Lenho<br \/>\nSagrado, que identificava a \u201cIlha de Vera Cruz\u201d (Cruz Verdadeira), mais tarde, depois<br \/>\nde constatada a extens\u00e3o territorial, adotou-se \u201cTerra de Vera Cruz\u201d. O segundo projeto, o econ\u00f4mico, se<br \/>\nimp\u00f4s na medida do progresso da extra\u00e7\u00e3o da madeira valiosa. Vale notar certa mescla entre a<br \/>\nproposta religiosa e a econ\u00f4mica, na medida em que a cruz de Cristo teria sido de pau-<br \/>\nvermelho.<br \/>\nRastro implac\u00e1vel da tradi\u00e7\u00e3o do Brasil como terra \u201cdescoberta\u201d, por acaso, se ligava \u00e0 l\u00f3gica<br \/>\nm\u00edstica do destino, ou seja, cabia a Portugal, por designa\u00e7\u00e3o divina, cristianizar a terra dos<br \/>\n\u201cselvagens\u201d e isso em compensa\u00e7\u00e3o \u00e0s demandas protestantes que dividiam o rebanho de<br \/>\nCristo. A eventual contrapartida viria pela inclus\u00e3o do contingente nativo que, afinal, n\u00e3o teria<br \/>\ntido a oportunidade da experi\u00eancia do \u201cpovo de Deus\u201d. Conv\u00e9m lembrar que a ideia de<br \/>\npertencimento determinava a integra\u00e7\u00e3o justificadora da no\u00e7\u00e3o de Imp\u00e9rio que, afinal,<br \/>\ncumpria um designo crist\u00e3o que efetivaria a profecia b\u00edblica que rezava o fim dos tempos com<br \/>\n\u201cum s\u00f3 rebanho e um s\u00f3 Pastor\u201d (Jo\u00e3o 10: 14-16).<br \/>\nPara razo\u00e1vel compreens\u00e3o da nossa Independ\u00eancia, cumpre determinar o elo inaugural do<br \/>\nv\u00ednculo com Portugal, s\u00f3 assim, depois de tramar propostas capazes de permiss\u00e3o de<br \/>\nautonomias, \u00e9 poss\u00edvel compreender o sentido da luta emancipacionista. A Independ\u00eancia,<br \/>\npois, come\u00e7a com o sentido do nexo imposto pelos conquistadores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PAU BRASIL? \u00c9 importante na celebra\u00e7\u00e3o dos 200 anos da Independ\u00eancia ir al\u00e9m dos clich\u00eas festejados sem conte\u00fado cr\u00edtico. \u00c9 incr\u00edvel como, sem no\u00e7\u00f5es de &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19953,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-19949","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19949","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19949"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19949\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19955,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19949\/revisions\/19955"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19953"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19949"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19949"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19949"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}