{"id":19682,"date":"2022-04-03T08:48:34","date_gmt":"2022-04-03T11:48:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=19682"},"modified":"2022-04-03T08:49:16","modified_gmt":"2022-04-03T11:49:16","slug":"nao-se-fazem-mais-avos-como-antes-nao-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/nao-se-fazem-mais-avos-como-antes-nao-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"N\u00c3O SE FAZEM MAIS AV\u00d3S COMO ANTES, N\u00c3O? (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Com certeza, minha gera\u00e7\u00e3o &#8211; o pessoal de 6, 7 d\u00e9cadas ou mais &#8211; vive experi\u00eancias inenarr\u00e1veis em termos de transforma\u00e7\u00f5es de relacionamentos pessoais. Para o bem ou para o mal, muitas coisas mudaram. Muitas. As transforma\u00e7\u00f5es tidas como progresso se fazem sentir em todos os quadrantes da experi\u00eancia humana e isso justifica o registro de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos evidenciando um ponto de n\u00e3o retorno \u201c<em>eu j\u00e1 estou com o p\u00e9 na estrada\/ Qualquer dia a gente se v\u00ea\/ Sei que nada ser\u00e1 como antes, amanh\u00e3<\/em>\u201d. A insist\u00eancia dessa can\u00e7\u00e3o em minha mem\u00f3ria fez pensar nas mudan\u00e7as operadas na surdina dos dias que se modernizaram de maneira sutil e inequ\u00edvoca. Seria f\u00e1cil exemplificar com evolu\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas tipo autom\u00f3veis, aparelhos de r\u00e1dios, telefones, milagres conquistados pela medicina, engenharia, qu\u00edmica e outras \u00e1reas das ci\u00eancias. Dif\u00edcil mesmo \u00e9 aquilatar as altera\u00e7\u00f5es comportamentais operadas em nossos procedimentos familiares, no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas, cotidianas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-19683 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Jose_Saramago-300x267.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Jose_Saramago-300x267.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Jose_Saramago-450x401.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Jose_Saramago-768x684.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Jose_Saramago.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Saramago: o s\u00e1bio do meu av\u00f4 n\u00e3o lia e n\u00e3o escrevia<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Confesso: sou louco por hist\u00f3rias de av\u00f3s. No plano da chamada \u201calta literatura\u201d, por exemplo, refer\u00eancias ilustres me fazem rever passagens enternecedoras como o discurso de Jos\u00e9 Saramago ao receber o Nobel em 1988 quando revelava que \u201c<em>o homem mais s\u00e1bio que conheci em toda a minha vida n\u00e3o sabia ler nem escrever<\/em>\u201d. E progredia lembrando que entre as pessoas que o definiram estavam seus av\u00f3s analfabetos, lavradores pobres. Mas devo ir mais longe no encal\u00e7o da considera\u00e7\u00e3o sobre o afeto aos pais de nossos pais. E n\u00e3o tem jeito de esquecer o impacto sentido quando, ainda menino no col\u00e9gio interno, li de Jos\u00e9 Lins do Rego \u201c<em>Hist\u00f3rias da velha Tot\u00f4nia<\/em>\u201d, texto sobre a avozinha que contava hist\u00f3rias continuadas para os netos. Filho de libaneses, jamais deixo o breve texto de Milton Hatoum \u201c<em>Elegia para todas as av\u00f3s<\/em>\u201d onde declara em nome dos netos que \u201c<em>todos os av\u00f3s s\u00e3o seres inesquec\u00edveis<\/em>\u201d, e mais adiante decreta \u201c<em>claro, av\u00f3s geralmente n\u00e3o imp\u00f5em limites, seus netos j\u00e1 nascem anjos<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m esquece tamb\u00e9m das av\u00f3s dos contos da carochinha, principalmente do \u201cChapeuzinho vermelho\u201d que desde 1697 encanta o mundo. No \u00e2mbito brasileiro os casos se multiplicam em nomes como Ana Maria Machado, Rute Rocha, Cora Coralina e, principalmente, Monteiro Lobato com a sabichona Dona Benta. Em todas as situa\u00e7\u00f5es, sempre se repete o suposto afeto que marca o imagin\u00e1rio geral. E como esse encantamento fascina, acalma, nos faz melhores! Sabe, para mim, av\u00f3s fecham o c\u00edrculo m\u00ednimo do pertencimento.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-19684 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Dona-Benta-213x300.jpg\" alt=\"\" width=\"213\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Dona-Benta-213x300.jpg 213w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Dona-Benta-320x450.jpg 320w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Dona-Benta-768x1082.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Dona-Benta.jpg 852w\" sizes=\"auto, (max-width: 213px) 100vw, 213px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Dona Benta sabia tudo<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Pois \u00e9, crescemos enfeiti\u00e7ados por uma ideia preestabelecida de av\u00f3s, em particular pelas vovozinhas que sempre tinham receitas de p\u00e3es, doces, geleias. \u00c9 bem poss\u00edvel que n\u00f3s mesmos tenhamos refer\u00eancias sobre tais tipos, mas e n\u00f3s como av\u00f3s? O simples enunciado desta pergunta me faz estremecer. Tanto no feminino como no masculino, \u00e9 improv\u00e1vel que ainda hoje sejamos capazes de preencher os quesitos dos vovozinhos e vovozinhas do passado \u2013 mesmo de uma gera\u00e7\u00e3o atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Tudo mudou no universo das percep\u00e7\u00f5es parentais. Filhos moram longe, trabalham demais, t\u00eam alternativas de lazer que n\u00e3o incluem os velhos, e assim por diante. No mesmo ritmo de mudan\u00e7a de h\u00e1bitos, os netos t\u00eam outros interesses onde nem sempre cabemos como participantes. \u00c9 verdade que isso tem um avesso, pois muitas mulheres &#8211; e mesmo homens &#8211; n\u00e3o querem ser comparados aos vovozinhos fofos de outrora.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-19685 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/avo-e-neta.jpg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"183\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Ser\u00e1 que n\u00e3o fazem mais av\u00f3s como antigamente?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>E ent\u00e3o repontam os casos de antigamente, aquelas hist\u00f3rias em que os netinhos vinham para a casa dos vov\u00f4s e vov\u00f3s com f\u00f4lego capaz de transfundir energia aos velhos. Isso tudo acabou, pois \u00e9 garantido que n\u00e3o se fazem mais velhos como antigamente. Confidenciando essas coisas com meus bot\u00f5es, fico pensando no que perdemos. E at\u00e9 me conformo achando que talvez tenha desenvolvido mais e melhor meu papel de av\u00f4 agora quando os netos n\u00e3o s\u00e3o mais pirralhos inquietos e ouvintes de historinhas do \u201carco da velha\u201d. Sim, ser av\u00f4 de jovens \u00e9 mais alcan\u00e7\u00e1vel do que de crian\u00e7as. De toda forma, mais do que nunca \u00e9 v\u00e1lido n\u00e3o perder o contato e, na atualiza\u00e7\u00e3o conceitual, n\u00e3o jogar fora o amor inerente a quantos reconhecem o tempo como senhor da verdade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com certeza, minha gera\u00e7\u00e3o &#8211; o pessoal de 6, 7 d\u00e9cadas ou mais &#8211; vive experi\u00eancias inenarr\u00e1veis em termos de transforma\u00e7\u00f5es de relacionamentos pessoais. 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