{"id":19529,"date":"2021-12-26T00:30:15","date_gmt":"2021-12-26T03:30:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=19529"},"modified":"2021-12-26T00:30:58","modified_gmt":"2021-12-26T03:30:58","slug":"pos-natal-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/pos-natal-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"P\u00d3S-NATAL (JC Sebe Bom Meihy)  \u00a0"},"content":{"rendered":"<p>Mill\u00f4r Fernandes dizia que o Natal \u00e9 mais uma daquelas datas que mudam para continuar tudo do mesmo jeito. Perplexidades \u00e0 parte, lembremos que antes, em 1901, Machado de Assis sentenciava, no c\u00e9lebre \u201cSoneto de Natal\u201d, a frase em torno da qual muitos adultos gravitam: \u201cMudaria o Natal ou mudei eu?\u201d. O melanc\u00f3lico apelo machadiano remete \u00e0s medita\u00e7\u00f5es de um velho que \u201cao relembrar os dias de pequeno\u201d n\u00e3o mais encontra \u201cas sensa\u00e7\u00f5es de sua idade antiga\u201d. A profundidade corrosiva contida neste desafio indagador sugere a passagem do tempo como alquebra da alegria e do encantamento. E o Natal, no presente sem alguma magia, seria atesado das ilus\u00f5es que se fragmentam em progress\u00f5es amea\u00e7adoras de futuros melhores. E ainda reponta a frase fatal de Unamuno pontificando que o \u201csentido tr\u00e1gico da vida mede a dist\u00e2ncia entre o que fomos em crian\u00e7a e o que nos tornamos depois\u201d, e conclui \u201cquando as comemora\u00e7\u00f5es perdem as cores da meninice \u00e9 porque envelhecemos sem volta\u201d.<\/p>\n<p>Com essa quest\u00e3o me atordoando, tropecei no \u00f3bvio: n\u00e3o basta mais resumir tudo a um \u201cgosto X n\u00e3o gosto\u201d, a um \u201cmudou X mudei eu\u201d, ou mesmo em aspirado \u201ctomara que passe logo\u201d. \u00c9 preciso mais, muito mais, e n\u00e3o h\u00e1 como fugir de argumenta\u00e7\u00f5es explicativas, afinal o Natal \u00e9 a mesma data do calend\u00e1rio insistente, repete ano a ano o 25 de dezembro, mas em ess\u00eancia tudo \u00e9 diferente. O Papai Noel se modernizou tanto e com sutileza perversa tomou o lugar do aludido Santo-menino-redentor. E nessa lida, o casebre edificou-se em Shoppings, e as oferendas dos Magos viraram mercadoria calculadas em cifr\u00f5es inflacionados.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-19530 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Machado_de_Assis-243x300.jpg\" alt=\"\" width=\"243\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Machado_de_Assis-243x300.jpg 243w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Machado_de_Assis-365x450.jpg 365w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Machado_de_Assis-768x948.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Machado_de_Assis-1245x1536.jpg 1245w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Machado_de_Assis.jpg 1646w\" sizes=\"auto, (max-width: 243px) 100vw, 243px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Machado de Assis \u201cMudaria o Natal ou mudei eu?&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>E que dizer das atualiza\u00e7\u00f5es na imagem do que um dia foi o modesto \u201cbom velhinho\u201d. Remo\u00e7ado, assumiu a fantasia da \u201cterceira idade\u201d, e pintado de afortunado, bem nutrido, foi incorporando o novo esp\u00edrito do mundo capitalista. E quanta sutileza: h\u00e1 propaganda dele fumando Pall Mall, baforando charuto, tomando Coca-Cola. As feministas inventaram a Mam\u00e3e Noel; o movimento negro o fez mulato; os gays coloriram suas roupas. Tudo, \u00e9 claro, em nome da paz, da conc\u00f3rdia e da uni\u00e3o, estas, ali\u00e1s, funcionando como mensagens pr\u00e9-fabricadas e que viraram votos propalados \u00e0 <em>todes<\/em>, n\u00e3o mais restrito aos \u201chomens de boa vontade\u201d.<\/p>\n<p>O esvaziamento da celebra\u00e7\u00e3o religiosa que marca(va) o nascimento de Cristo aponta tamb\u00e9m para o final do ano, condi\u00e7\u00e3o que agrava os conte\u00fados comemorativos sintetizados em agendas consumistas. Espanta muito, por exemplo, constatar que o sisudo e poderoso grupo que dirige a Comunidade Europeia recentemente gastou sess\u00f5es multiplicadas para discutir a troca do consagrado \u201cFeliz Natal\u201d por um politicamente correto \u201cBoas festas\u201d, isto em nome da diversidade inclusiva. Essas eventuais oficializa\u00e7\u00f5es de nomenclatura, no entanto, se formulam in\u00fateis e est\u00e3o atrasadas, pois as altera\u00e7\u00f5es n\u00e3o decorrer\u00e3o dos nomes, j\u00e1 se instalaram na atmosfera da modernidade.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que tudo tem halos de finura que permite vest\u00edgios de mem\u00f3rias passadistas. Mas o empenho religioso que vigora apesar do decl\u00ednio n\u00e3o se justifica em posturas individuais, verdadeiras exce\u00e7\u00f5es, posto que a indica\u00e7\u00e3o m\u00edtica n\u00f3rdica do velhinho com suas renas j\u00e1 est\u00e1 estabelecida e enfeita vitrines e posts de redes sociais. Sabe, d\u00f3i um pouco pensar que o cumprimento efusivo tem hora marcada e o que deveria funcionar como sentimento leg\u00edtimo e aut\u00eantico se assume como se um despertador mec\u00e2nico, preparado para alertar o momento exato da \u201cnoite feliz\u201d. Como obriga\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, de maneira pouco leal, vestimos roupas novas, nos abra\u00e7amos como se amanh\u00e3 fosse um dia de triunfo. E com brindes saudamos o nascimento de um Cristo proscrito, como se l\u00e1 fora n\u00e3o houvesse verdadeiros Cristos passando fome, sem abrigo, buscando emprego e carentes de abra\u00e7os sociais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-19531 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/31-Dezembro-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/31-Dezembro-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/31-Dezembro-450x253.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/31-Dezembro.jpg 711w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Dia de mudan\u00e7a?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>E quem garante que o 31 de dezembro \u00e9 dia de mudan\u00e7a? Quem tem esperan\u00e7a que ano eleitoral, com as campanhas que j\u00e1 se desenham, ser\u00e1 promessa de virada? Pensando o Natal como marco deste 2021, pode-se supor o futuro como amea\u00e7a clara. Pessimista eu? N\u00e3o. Nem realista sou. Tudo que proponho \u00e9 que assumamos o \u201cP\u00f3s-Natal\u201d, e, a partir da consci\u00eancia de um tempo que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 novo, mudemos. Mudemos em conjunto. E ent\u00e3o, que venha 2022. Vamos conversar mais no ano que vem&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mill\u00f4r Fernandes dizia que o Natal \u00e9 mais uma daquelas datas que mudam para continuar tudo do mesmo jeito. 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