{"id":19409,"date":"2021-10-24T08:41:56","date_gmt":"2021-10-24T11:41:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=19409"},"modified":"2021-10-24T08:41:56","modified_gmt":"2021-10-24T11:41:56","slug":"direito-a-memoria-donos-da-historia-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/direito-a-memoria-donos-da-historia-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"DIREITO \u00c0 MEM\u00d3RIA, DONOS DA HIST\u00d3RIA (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>A arte da escrita interior<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Das mais estranhas experi\u00eancias que passamos \u00e9 a aprendizagem, nos bancos escolares, da grafia de nosso nome. \u00c9 claro que isto \u00e9 um processo respeit\u00e1vel, mas, n\u00e3o sei por que dever\u00edamos aprender em casa, com nossos pais. O mesmo se diz sobre a Hist\u00f3ria, enquanto disciplina. Pelos livros, mediada por professores, aos poucos vamos nos instruindo daquela grande Hist\u00f3ria, os feitos gravados em p\u00e1ginas documentadas. Tudo \u00e9 muito solene e distante, \u00e0s vezes profissional e frio demais.<\/p>\n<p>O correr do tempo tem proposto alternativas e, nesse quesito, a eletr\u00f4nica tem possibilitado cortar caminhos. As redes sociais, os blogs e a febre dos <em>stories<\/em> acabam propondo di\u00e1logos com a tal grande Hist\u00f3ria. Em contraste, fala-se de registros de experi\u00eancias retra\u00e7adas no cotidiano, fiadas em tecidos bordados na espontaneidade corriqueira. \u00c9 a\u00ed que entra a mania de mem\u00f3ria. Repararam como hoje tudo \u00e9 \u201cmem\u00f3ria\u201d? Pois bem, este fen\u00f4meno merece algum cuidado, pois parece que veio para ficar.<\/p>\n<p>Ao longo de d\u00e9cadas recentes, ficam claras as preocupa\u00e7\u00f5es de segmentos diversos atentos ao registro de experi\u00eancias pessoais e coletivas. Todo ser humano nasce inscrito em complexas redes que afetam diretamente sua percep\u00e7\u00e3o de mundo. Comungada com atributos biol\u00f3gicos, tais eventos s\u00e3o filtrados por experi\u00eancias individuais, sem perder as marcas da sociedade envolvente. \u00c9, portanto, pela condi\u00e7\u00e3o pessoal que as circunstancias experimentadas por todos \u00e9 assinalada. Deste modo, toda experi\u00eancia pessoal \u00e9 coletiva e toda experi\u00eancia coletiva \u00e9 mediada por rela\u00e7\u00f5es individuais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-19410 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Memoria-1-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Memoria-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Memoria-1-450x253.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Memoria-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Memoria-1-750x420.jpg 750w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Memoria-1.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Uma das manifesta\u00e7\u00f5es mais surpreendentes remete ao direito de registro e an\u00e1lise de fen\u00f4menos que dizem respeito a todos. Em termos de pondera\u00e7\u00f5es, sobre o vivido, uma linha divis\u00f3ria separa o que \u00e9 acad\u00eamico do que n\u00e3o o \u00e9. Uma das presen\u00e7as marcantes da possibilidade de varia\u00e7\u00e3o de procedimentos remete exatamente \u00e0s facilidades de produ\u00e7\u00e3o de registros que se fazem corriqueiras gra\u00e7as \u00e0s conquistas eletr\u00f4nicas. Fam\u00edlias, clubes, grupos de trabalho, associa\u00e7\u00f5es de recrea\u00e7\u00e3o, institui\u00e7\u00f5es em geral, se apresentam como produtoras de documentos, e tamb\u00e9m como agentes anal\u00edticos dos pr\u00f3prios feitos. Subjacente a isto, preside uma quest\u00e3o pouco considerada, mas de contornos pr\u00e1ticos, \u00e9ticos e at\u00e9 morais: quem tem direito de fazer a hist\u00f3ria pessoal e de outros? H\u00e1 privil\u00e9gios ou aptid\u00f5es espec\u00edficas para a vontade de historiar? Afinal, quem \u00e9 quem no conjunto de possibilidades de produ\u00e7\u00e3o de documentos e exerc\u00edcio do exame de projetos sobre registros pessoais e coletivos?<\/p>\n<p>Mais do que a profissionaliza\u00e7\u00e3o das an\u00e1lises sociais, o desejo de lugar hist\u00f3rico d\u00e1 palco a alternativas que permitem conv\u00edvio entre pesquisas promovidas por especialistas e amadores, em qualquer campo. Democraticamente, a possibilidade \u00e9 de todos, mas h\u00e1 de se respeitar os c\u00f3digos comunicativos de cada situa\u00e7\u00e3o, bem como habilidades sist\u00eamicas treinadas. A recolha de elementos registrados tanto pode ser feita por qualquer interessado como por especialistas que se preparam para tanto. H\u00e1, contudo, crit\u00e9rios e exig\u00eancias diferentes. Al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o documental, fala-se tamb\u00e9m em exames anal\u00edticos que, afinal, passam pela mesma triagem.<\/p>\n<p>Qualquer men\u00e7\u00e3o que demande hist\u00f3ria \u00e9 produzida e elaborada na mem\u00f3ria. Desta certeza pode-se aferir que a consci\u00eancia \u00e9 inerente \u00e0 vida de quem guarda sensa\u00e7\u00f5es. Como condi\u00e7\u00e3o existencial, a mem\u00f3ria equivale \u00e0 exist\u00eancia. A falibilidade da vida individual, contudo, tem transcend\u00eancias que encadeiam a vida social. Os indiv\u00edduos morrem, inevitavelmente, mas suas experi\u00eancias materializadas em registros comunicam, no coletivo, o sentido da vida comunit\u00e1ria. Neste sentido, pode-se dizer que h\u00e1 uma imortalidade da mem\u00f3ria, ainda que haja transitoriedade na contribui\u00e7\u00e3o pessoal. No vai-e-vem progressivo das experi\u00eancias grupais, o progresso dos mecanismos de registros corresponde evolu\u00e7\u00e3o das formas de constitui\u00e7\u00e3o dos objetos portadores de significados.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-19411 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Narrativa-242x300.jpg\" alt=\"\" width=\"242\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Narrativa-242x300.jpg 242w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Narrativa.jpg 350w\" sizes=\"auto, (max-width: 242px) 100vw, 242px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>As narrativas, em geral, dizem sobre o passado<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o da intimidade indissoci\u00e1vel entre o que se registra e como os registros s\u00e3o feitos, exige que se historie alguns passos decisivos na ordem din\u00e2mica das mat\u00e9rias. Como marco divisor inexor\u00e1vel, a escrita se porta como estojo onde se arquivam as manifesta\u00e7\u00f5es da mem\u00f3ria materializada. Fala-se, portanto, de duas maneiras de transmiss\u00e3o dos registros de mem\u00f3ria: a oralidade e a escrita. Ainda que presidam intera\u00e7\u00f5es constantes e aceleradas, a radicalidade dessas matrizes requer cuidados: uma coisa \u00e9 transmiss\u00e3o oral; outra \u00e9 a transmiss\u00e3o escrita. C\u00f3digos diferentes, o oral se distingue do escrito desde suas propostas de registros. A mem\u00f3ria de transmiss\u00e3o oral depende de processos \u2013 pessoais e coletivos \u2013 que exigem conex\u00f5es emocionais. A mem\u00f3ria de transmiss\u00e3o escrita se ordena segundo certa racionalidade. Entre uma e outra, o uso dos sentidos atua como f\u00f3rmula vari\u00e1vel. O tato, por exemplo, organiza as solu\u00e7\u00f5es escritas de maneira a processar a mem\u00f3ria segundo modos diversos da fala.<\/p>\n<p>\u00c9 incerto o futuro dos estudos sobre a mem\u00f3ria e sobre seus efeitos na produ\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria. O que se mostra sagrado e democr\u00e1tico, contudo, \u00e9 a nossa possibilidade de aproveitar a eletr\u00f4nica e pensar nos registros que queremos deixar. Viva a Hist\u00f3ria dos historiadores, mas viva tamb\u00e9m aquela que decorre dos nossos registros de mem\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A arte da escrita interior Das mais estranhas experi\u00eancias que passamos \u00e9 a aprendizagem, nos bancos escolares, da grafia de nosso nome. \u00c9 claro que &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19412,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-19409","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19409","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19409"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19409\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19413,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19409\/revisions\/19413"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19412"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19409"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}