{"id":19310,"date":"2021-09-05T08:13:13","date_gmt":"2021-09-05T11:13:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=19310"},"modified":"2021-09-05T08:18:52","modified_gmt":"2021-09-05T11:18:52","slug":"covidioma-a-lingua-pandemica-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/covidioma-a-lingua-pandemica-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"COVIDIOMA, A L\u00cdNGUA PAND\u00caMICA! (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Aceita\u00e7\u00e3o de novas palavras, blursday, \u00e9 um problema global acelerado pela pandemia<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Lembro-me com clareza do tempo em que se combatia com vigor tudo que vinha \u201cde fora\u201d. No col\u00e9gio interno onde estudei, os padres alertavam contra estrangeirismos: anglicismo, galicismo, espanholismo. Bom mesmo seria o portugu\u00eas casti\u00e7o, algo achegado a Camilo Castelo Branco, E\u00e7a de Queiroz e J\u00falio Diniz. Ah, os tempos em que se aprendia latim no gin\u00e1sio, e t\u00ednhamos que falar corretamente sem erros ou marcas de express\u00e3o. Logicamente, d\u00e9cadas mudaram, e tivemos que nos adaptar \u00e0 \u201cdemocratiza\u00e7\u00e3o do uso da l\u00edngua\u201d. As grandes matrizes colonizadoras, respons\u00e1veis pelas \u201csupera\u00e7\u00f5es\u201d das falas nativas tamb\u00e9m se viram abaladas. De todas \u2013 ingl\u00eas, franc\u00eas, espanhol e portugu\u00eas \u2013 a nossa foi a mais afetada. Fosse pela for\u00e7a do tupi, resistente at\u00e9 o s\u00e9culo XVIII, ou pelo patrim\u00f4nio africano, incorporamos um vast\u00edssimo vocabul\u00e1rio, e junto criamos entona\u00e7\u00f5es que nos distinguem.<\/p>\n<p>A recente moderniza\u00e7\u00e3o urbana, capitalista e industrial, carreou novos desafios que, de modo sutil, sugere o ingl\u00eas como uma esp\u00e9cie de v\u00edrus lingu\u00edstico que se infiltra de maneira quase que natural em nosso corpo lingu\u00edstico. O advento do computador, por seu turno, nos imp\u00f4s verbos inc\u00f4modos, mas perfeitamente naturalizados, e assim \u201cdeletamos\u201d, \u201cprintamos\u201d, \u201ctwitamos\u201d, ficamos \u201con line\u201d, incorporamos o \u201cWhatsApp\u201d, o \u201cfotoshop\u201d, e no lugar de mandar mensagens, enviamos \u201ce-mails\u201d (que ali\u00e1s j\u00e1 est\u00e1 meio fora de moda).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Eca-de-Queiroz.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19311\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Eca-de-Queiroz-378x450.jpg\" alt=\"\" width=\"378\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Eca-de-Queiroz-378x450.jpg 378w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Eca-de-Queiroz-252x300.jpg 252w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Eca-de-Queiroz-768x914.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Eca-de-Queiroz.jpg 1013w\" sizes=\"auto, (max-width: 378px) 100vw, 378px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>O portugu\u00eas casti\u00e7o, como o de E\u00e7a de Queiroz, estaria em extin\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Diria que tudo seguia um curso estranhamente progressivo quando, n\u00e3o mais que de repente, uma enxurrada de novos termos nos acomete de maneira avassaladora. De tal forma o fen\u00f4meno cresceu que chamou a aten\u00e7\u00e3o dos atualizadores do grupo respons\u00e1vel pelo \u201cVocabul\u00e1rio Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa\u201d (VOLP), mecanismo regulador da fala nacional, \u00f3rg\u00e3o ligado \u00e0 Academia Brasileira de Letras. Imaginemos: dos 1 600 verbetes inseridos na nova vers\u00e3o do Dicion\u00e1rio, mais de 5% se relacionam diretamente com o Covid 19 (sim, Covid \u00e9 usado no masculino). E respeite-se tamb\u00e9m as decorr\u00eancias, algo do tipo \u201chome office\u201d, \u201cteletrabalho\u201d, \u201clockdown\u201d, \u201cvideoconfer\u00eancia\u201d. Sugere-se, inclusive uma nova \u00e1rea de estudos reconhecida como \u201ccovidioma\u201d, pode? \u00c9 bem prov\u00e1vel que tudo tenha sido decantado durante o \u201cblursday\u201d, sentimento dominante em quantos, no confinamento, n\u00e3o percebiam mais a mudan\u00e7a do tempo, algo como se todos os dias fossem iguais.<\/p>\n<p>A justificativa para tanta rever\u00eancia a essas novidades vocabulares justifica inclusive a cria\u00e7\u00e3o de um campo de estudos que passa a interessar \u00e0 medicina pedi\u00e1trica e \u00e0 psicologia, o \u201ccoronababy\u201d, estudo do comportamento de crian\u00e7as geradas ou nascidas na vig\u00eancia do Corona. E por falar em \u201ccovidioma\u201d, n\u00e3o se pode esquecer do \u201ccovidiv\u00f3rcio\u201d, pr\u00e1tica posta em uso durante a fase de reclus\u00e3o a que casais que n\u00e3o sabiam que o conv\u00edvio intenso lhes era insuport\u00e1vel. \u00c9 verdade que se deu tamb\u00e9m o oposto, ou seja, casais que se viveram o \u201ccovidilove\u201d, aqueles que se (re)apaixonaram, e (re)descobriram o significado do \u201cat\u00e9 que morte nos separe\u201d durante a pandemia.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Lockdown.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19312\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Lockdown-450x245.jpeg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"245\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Lockdown-450x245.jpeg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Lockdown-300x164.jpeg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Lockdown.jpeg 677w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Termos como <\/strong><\/em><strong>lockdown<\/strong><em><strong> foram incorporados at\u00e9 pelas autoridades<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Ainda que ache muito criativo e curioso o processo como um todo, confesso que alguns novos verbetes me assustam, mas, mais que qualquer outro o \u201cnomofobia\u201d ganhou disparado. Para quem n\u00e3o sabe o que \u00e9 isto, eu explico: \u00e9 o medo patol\u00f3gico, alucinante mesmo, de ficar sem contato com o mundo, de se sentir esquecido. Este grave p\u00e2nico se manifesta pelo pavor de ficar sem conex\u00e3o via internet. Ah! H\u00e1 tamb\u00e9m o \u201ccovidamigo\u201d, ou seja, a descoberta de um melhor amigo feito na fase da reclus\u00e3o, claro, mediado pelo celular ou computador. E tem o \u201capaixonavid\u201d, aqueles que, mesmo sem contato direto, f\u00edsico, se enamoraram por meio da eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p>A par de tantas tolices, um termo tem merecido carinho especial, o \u201ccoronaplauso\u201d, ou seja, o agradecimento aos cuidadores dos adoecidos que, mesmo \u00e0 dist\u00e2ncia, s\u00e3o dignos de tanto respeito. No mais, na contram\u00e3o dessa sauda\u00e7\u00e3o, ressalto outro termo, o \u201ccovidiota\u201d que, ali\u00e1s, explica o \u201ccovidioma\u201d, no m\u00e1ximo \u00e9 catarse esdr\u00faxula&#8230; mas at\u00e9 que diverte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aceita\u00e7\u00e3o de novas palavras, blursday, \u00e9 um problema global acelerado pela pandemia Lembro-me com clareza do tempo em que se combatia com vigor tudo que &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19313,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-19310","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19310","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19310"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19310\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19317,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19310\/revisions\/19317"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19313"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19310"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19310"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19310"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}