{"id":19294,"date":"2021-08-28T21:01:27","date_gmt":"2021-08-29T00:01:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=19294"},"modified":"2021-08-28T21:09:21","modified_gmt":"2021-08-29T00:09:21","slug":"burca-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/burca-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"BURCA (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Sem d\u00favida, a <em>burca<\/em> \u00e9 um dos itens mais perturbadores da experi\u00eancia contempor\u00e2nea. Pe\u00e7a simb\u00f3lica, a roupa usada por seguidoras da leitura radical do Alcor\u00e3o obedece ao <em>purdah<\/em>, mandamento que prescreve a cobertura do corpo feminino por entender que o rosto constitui parte \u00edntima da mulher. Como polo de tens\u00e3o, essa veste capitaliza conflitos que se extremam entre o oriente e o ocidente. A par das propostas oferecidas pela ind\u00fastria da moda no circuito ocidental, criou-se uma discuss\u00e3o mais profunda, relativa ao uso da <em>burca<\/em> e suas rela\u00e7\u00f5es sociopol\u00edticas. O mesmo se diz sobre julgamentos que anulam explica\u00e7\u00f5es de usu\u00e1rios que a defendem. Antes, cabe dizer que a burca \u00e9 usada principalmente no Afeganist\u00e3o que, ali\u00e1s, nem sempre foi o que se mostra hoje.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cabul.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19300\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cabul-450x245.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"245\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cabul-450x245.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cabul-300x163.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cabul-768x418.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cabul.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Cabul \u00e9 uma cidade que existe h\u00e1 mais de 3.500 anos<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Conv\u00e9m lembrar que at\u00e9 a segunda parte do s\u00e9culo passado, Cabul foi uma cidade atraente, compondo inclusive o roteiro do turismo ex\u00f3tico. Nos anos da contracultura ocidental, os afeg\u00e3os conviveram com hippies psicod\u00e9licos que buscavam as cidades m\u00edsticas da \u00cdndia ou do Nepal. Cabul era parada obrigat\u00f3ria e nesse circuito, ali\u00e1s, vale citar o famoso <em>Magic Bus<\/em> que sa\u00eda da Amsterd\u00e3 lotada de entusiastas da cultura \u201cpaz e amor\u201d, com muito rock e maconha. Esse per\u00edodo correspondia \u00e0 culmin\u00e2ncia da abertura para o ocidente, proposta por Mohannax Zahir, X\u00e1 (1914 \u2013 2007) que estudou na Fran\u00e7a e que, ao assumir o comando do pa\u00eds em 1933, foi o primeiro a se opor publicamente aos har\u00e9ns e \u00e0 poligamia masculina.<\/p>\n<p>Naquele ent\u00e3o, mulheres podiam andar livremente sem companhia masculina, viajar, ir \u00e0 praia, ter neg\u00f3cios e estudar. As lojas de Paris e de Nova York difundiam a marca afeg\u00e3 \u201cBiba\u201d, famosa pelas minissaias, botas e muitos bordados estravagantes com linhas coloridas e chap\u00e9us espalhafatosos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cabul-ante-do-Taliba-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19301\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cabul-ante-do-Taliba-450x300.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cabul-ante-do-Taliba-450x300.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cabul-ante-do-Taliba-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cabul-ante-do-Taliba-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cabul-ante-do-Taliba-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cabul-ante-do-Taliba-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>A juventude do Afeganist\u00e3o j\u00e1 viveu com mais liberdade<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Tudo isso, por\u00e9m, viu fim em 1973, gra\u00e7as a disputas de fundamentalistas isl\u00e2micos que, em plena Guerra Fria, se investiram de poderes para refutar o que n\u00e3o fosse isl\u00e2mico, inclusive domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Conv\u00e9m lembrar que o Afeganist\u00e3o tem posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica entre China, Paquist\u00e3o, \u00cdndia, Ir\u00e3 sendo, portanto, geopoliticamente importante. Entre sanhas tribais, os talib\u00e3s distinguiram-se desde 1996, fundando o Estado Isl\u00e2mico do Afeganist\u00e3o, impondo regras que inclu\u00edam c\u00f3digos de roupas que exigiam absoluto recato e austeridade.<\/p>\n<p>Tudo prescrito pela <em>sharia<\/em>, lei isl\u00e2mica que proibia influ\u00eancias ocidentais: m\u00fasica, cinema, televis\u00e3o, refrigerantes, perfumes, sabonetes, e claro roupas variadas. \u00c9 sabido que a <em>burca<\/em> \u00e9 anterior, existindo desde o s\u00e9culo XIX, mas seu uso sofreu varia\u00e7\u00f5es no mundo \u00e1rabe onde se exercita o uso do <em>hijab,<\/em> ou seja, a cobertura que tem diferentes concep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Diferentes-hijabs-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-19306 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Diferentes-hijabs-1-450x230.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"230\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Diferentes-hijabs-1-450x230.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Diferentes-hijabs-1-300x154.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Diferentes-hijabs-1-768x393.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Diferentes-hijabs-1.jpg 1020w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Diferentes tipos de roupa das mulheres de acordo com o islamismo<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A <em>burca<\/em>, que se tornou tradu\u00e7\u00e3o do radicalismo talib\u00e3, sempre na cor azulada, \u00e9 pe\u00e7a \u00fanica com uma rede que permite a respira\u00e7\u00e3o e o olhar. H\u00e1 casos ainda mais extremos onde recomenda-se o uso de luvas para que nada seja exposto. Uma varia\u00e7\u00e3o menos r\u00edgida \u00e9 o <em>nikab<\/em>, popular veste preta, que permite exposi\u00e7\u00e3o dos olhos da usu\u00e1ria. H\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de usos bem mais leves como o <em>chador<\/em>, <em>abaya<\/em>, <em>al-amira<\/em> e at\u00e9 as mais comuns como o <em>hijab<\/em> e a <em>shayka<\/em>, len\u00e7os que deixam o rosto livre.<\/p>\n<p>O interessante dessa hist\u00f3ria \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o das mulheres isl\u00e2micas que, ao rev\u00e9s da perplexidade ocidental, apresentam vers\u00f5es escandalizadas da nossa moda. Percebendo-nos como escravizadores, os olhares isl\u00e2micos radicais notam formas de submiss\u00e3o das mulheres ocidentais exatamente pela exposi\u00e7\u00e3o do corpo, facilita\u00e7\u00e3o sexual e pela competi\u00e7\u00e3o vaidosa de roupas que se atualizam no ritmo consumista. O tema, contudo, ganha novas dimens\u00f5es na medida em que muitos pa\u00edses da Europa t\u00eam proibido o uso da burca por raz\u00f5es de seguran\u00e7a, pois atentados foram perpetrados em v\u00e1rias regi\u00f5es por pessoas \u201cescondidas\u201d em burcas ou <em>nikab<\/em>. Al\u00e9m disto, alguns problemas de sa\u00fade tamb\u00e9m valem como argumentos condenat\u00f3rios por impedir a produ\u00e7\u00e3o de vitamina D, favorecer c\u00e2ncer de pele, e por quest\u00f5es de ventila\u00e7\u00e3o do corpo. Enfim, os problemas causados pela simbologia da <em>burca<\/em> s\u00e3o polarizados, mas a quest\u00e3o complexa deve ser discutida e n\u00e3o vista na simplicidade do fanatismo e da condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem d\u00favida, a burca \u00e9 um dos itens mais perturbadores da experi\u00eancia contempor\u00e2nea. 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