{"id":19268,"date":"2021-08-15T08:16:31","date_gmt":"2021-08-15T11:16:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=19268"},"modified":"2021-08-15T08:16:51","modified_gmt":"2021-08-15T11:16:51","slug":"champagne-vinhos-enosnobs-enochatos-e-enonerds-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/champagne-vinhos-enosnobs-enochatos-e-enonerds-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"CHAMPAGNE, VINHOS: \u201cenosnobs\u201d, \u201cenochatos\u201d e \u201cenonerds\u201d (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Para Ana Regina<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Foi assim: havia terminado um longo trabalho, anos de pesquisa, meses de escrita, noites acordado, enfim, exaust\u00e3o absoluta. Amigos que acompanharam de longe o percurso resolveram comemorar minha volta \u00e0 vida e marcaram uma reuni\u00e3o virtual. Armado o encontro, chega \u00e0 minha porta uma bel\u00edssima cesta de p\u00e3es variados e pat\u00eas, e, claro, um espumante. Hora combinada ligamos nossos computadores e a festa come\u00e7ou, cada qual em seu quadrado. Fiquei emocionado, emocionad\u00edssimo em ver aquele grupo rendendo uma homenagem a mim.<\/p>\n<p>Em determinado ponto, achei apropriado fazer um pequeno discurso de agradecimento. Contei de meu estado de esp\u00edrito, declinei as dificuldades exaltando o companheirismo de todos, condi\u00e7\u00e3o que me permitiu concluir a miss\u00e3o. Tudo ia bem at\u00e9 que avisei que ia abrir a \u201cgarrafa de champagne\u201d. Um sil\u00eancio se alongou at\u00e9 que um dos \u201cpresentes\u201d resolveu explicar que n\u00e3o se tratava exatamente de \u201cchampagne\u201d e sim de espumante. Pronto, o que seria uma reuni\u00e3o festiva virou aula.<\/p>\n<p>Com paci\u00eancia, tive que ouvir a disserta\u00e7\u00e3o sobre um tipo de vinho de uma regi\u00e3o que fica exatamente a 154 quil\u00f4metros de Paris. Fui avisado que Champagne \u00e9 o nome de uma regi\u00e3o que, ali\u00e1s, tem solo alcalino capaz de produzir uma uva especial. A li\u00e7\u00e3o era bem completa e constava de dados sobre a fermenta\u00e7\u00e3o daquele vinho que, depois de engarrafado, produzia uma segunda fermenta\u00e7\u00e3o natural. Pois bem, notando a empolga\u00e7\u00e3o do \u201cprofessor\u201d, outro parceiro querendo ser mais leve tomou a palavra narrando a hist\u00f3ria de Dom P\u00e9rignon, um religioso que h\u00e1 cerca de 350 anos fora respons\u00e1vel pelas adegas da Abadia de Hautvilleres. A nova prele\u00e7\u00e3o dava conta que o tal abade era cego e ao provar o vinho teria dito uma frase marcante \u201c<em>venham r\u00e1pido irm\u00e3os, venham beber estrelas<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Napoleao-e-o-vinho.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19269\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Napoleao-e-o-vinho-450x253.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Napoleao-e-o-vinho-450x253.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Napoleao-e-o-vinho-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Napoleao-e-o-vinho-750x420.jpg 750w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Napoleao-e-o-vinho.jpg 760w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>\u201cChampanhe! Na vit\u00f3ria voc\u00ea o merece, na derrota voc\u00ea precisa dele\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Estava dada a largada a uma s\u00e9rie de dizeres sobre champagne, algumas delas sa\u00eddas da boca de uma amiga que juraria estar mais para freira do que para sommelier. Mas, se animou ao revelar que Coco Chanel era t\u00e3o chegada que cunhou uma outra p\u00e9rola memor\u00e1vel <em>\u201cS\u00f3 bebo champanhe em duas ocasi\u00f5es: quando estou apaixonada e quando n\u00e3o estou\u201d. E imediatamente emendou outra, atribu\u00edda a atriz Bette Davis \u201cChega o momento da vida de uma mulher em que a \u00fanica coisa que ajuda \u00e9 uma ta\u00e7a de champanhe\u201d<\/em>.<strong> \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O duelo seguia firme at\u00e9 que um terceiro participante proclamou frases de estadistas chegados ao produto. Uma de Napole\u00e3o Bonaparte: \u201c<em>Champanhe! Na vit\u00f3ria voc\u00ea o merece, na derrota voc\u00ea precisa dele\u201d<\/em>. Outra de Winston Churchill \u201c<em>Lembrem-se, Senhores: N\u00e3o \u00e9 pela Fran\u00e7a que lutamos, \u00e9 pelo champanhe!\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Gente, comecei a me sentir mal. Bateu-me a sensa\u00e7\u00e3o de ignor\u00e2ncia, intruso, me vi um p\u00e1ria do mundo do \u201cenomundo\u201d. Simplismos \u00e0 parte, depois de aberta a garrafa e vertido o espumante (aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o era champagne), na solid\u00e3o de meu recolhimento, decidi buscar explica\u00e7\u00f5es no google. Aiaiaiai, por qu\u00ea? Comecei ler tanta coisa, mas tanta, at\u00e9 que, por fim, achei algo que realmente me cativou: defini\u00e7\u00f5es sobre uma tend\u00eancia crescente na sociedade, os \u201cenosnobes\u201d. Deitei e rolei.<\/p>\n<p>Meu primeiro regozijo veio pela origem de \u201cesnobe\u201d, do latim \u201c<em>sine nobile<\/em>\u201d, adorei saber que a express\u00e3o \u201csem nobreza\u201d passou para a l\u00edngua inglesa como <em>snob<\/em> e da\u00ed copiamos para esnobe, significando exatamente o diverso. E \u201cenosnobe\u201d \u00e9 a reuni\u00e3o de dois ramos de \u201capreciadores\u201d de vinhos: \u201cenochatos\u201d e os \u201cenonerds\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Garrafa-de-Champagne.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19270\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Garrafa-de-Champagne.jpg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"183\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Beber champanhe, \u00e9 sempre um momento de comemora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Por l\u00f3gico, dei estrada \u00e0s diferen\u00e7as e aprendi mais um cap\u00edtulo dessa hist\u00f3ria. O \u201cenochato\u201d \u00e9 aquele que em p\u00fablico assume a cara de Deus no Ju\u00edzo Final, e com uma ta\u00e7a (sempre cheia na medida exat\u00edssima) a coloca contra a luz, sacode levemente cinco vezes, da esquerda para a direita, e depois \u00e0 altura do nariz aspira e emite algo como \u201caroma amadeirado, colora\u00e7\u00e3o c\u00f3rea, leveduras marroquinas, com notas de c\u00e2nfora\u201d.<\/p>\n<p>O \u201cenonerd\u201d \u00e9 um pouco diferente, mais completo, pois seu discurso se completa com defini\u00e7\u00f5es sobre o ano da safra, tipo de madeira dos ton\u00e9is, tempo de armazenamento, a qualidade da rolha, hist\u00f3rico da garrafa e do r\u00f3tulo. Creio que o \u201cenonerd\u201d precisa humilhar, posto que um de seus cap\u00edtulos preferidos se refere ao custo do precioso l\u00edquido. Um detalhe fundamental para o \u201cenonerd\u201d \u00e9 seu conhecimento geogr\u00e1fico, sendo capaz de precisar se o vinho \u00e9 Australiano, Sul-africano ou liban\u00eas.<\/p>\n<p>Sabe o que conclu\u00ed disso tudo? Vou descansar um pouco e voltarei a campo para escrever mais sobre a alegria de um bom vinho na companhia de ignorantes, de gente como eu que n\u00e3o entende disso. Juro que farei tudo para n\u00e3o entrar no \u201cenomundo\u201d dos \u201cenoidiotas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Ana Regina Foi assim: havia terminado um longo trabalho, anos de pesquisa, meses de escrita, noites acordado, enfim, exaust\u00e3o absoluta. 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