{"id":19205,"date":"2021-07-24T13:35:55","date_gmt":"2021-07-24T16:35:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=19205"},"modified":"2021-07-24T13:35:55","modified_gmt":"2021-07-24T16:35:55","slug":"o-amor-e-os-arromanticos-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/o-amor-e-os-arromanticos-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"O AMOR E OS ARROM\u00c2NTICOS (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>amour raison d\u2019\u00eatre<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u201cO amor est\u00e1 no ar\u201d. No ar, cantado, escrito, expresso em conversas, rezas, na imagina\u00e7\u00e3o de todo mundo. E haja filmes, \u00e1lbuns musicais, pe\u00e7as de teatro, \u00f3peras, novelas&#8230; At\u00e9 parece decretado que nascemos unicamente para o amor e que, sem ele, n\u00e3o h\u00e1 motivo para seguir em frente. Assim, tudo converge para a certeza de que o amor se tornou natural a ponto de legitimar a uma tradi\u00e7\u00e3o inventada que funde amar com o existir. Lulu Santos, ali\u00e1s, sintetizou aberturas dizendo que \u00e9 \u201cjusta toda fora de amor\u201d e Milton Nascimento completou garantindo que \u201cQualquer maneira de amor vale amar\u201d. Inescap\u00e1vel, n\u00e9? Temos que amar o pr\u00f3ximo, a fam\u00edlia, a pessoa certa, a natureza, as pedras, nossa casa, os bichos, as flores&#8230;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Milton-Nascimento.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19206\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Milton-Nascimento-450x338.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Milton-Nascimento-450x338.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Milton-Nascimento-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Milton-Nascimento-768x576.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Milton-Nascimento.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>\u201cQualquer maneira de amor vale amar\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Manuel Bandeira, no come\u00e7o do s\u00e9culo XX traduziu um soneto da poetiza brit\u00e2nica Elizabeth Barret Browning, que em 1844 cunhou mensagem definidora do sentimento ao pedir ao amado que a amasse \u201cpelo amor somente\u201d e n\u00e3o pelo que ela seria ou poderia ser (\u201cAma-me pelo por amor do amor, e assim me h\u00e1s de querer por toda a eternidade\u201d). O fundamental \u00e9 estar amando, e se amando estivermos o objeto do amor \u00e9 secund\u00e1rio. Esta, ali\u00e1s, \u00e9 a base do amor rom\u00e2ntico, nascido no s\u00e9culo XII no tr\u00e1gico romance \u201cTrist\u00e3o e Isolda\u201d. Essa trama, ali\u00e1s, se formulou como base para todo grande amor \u201cque s\u00f3 \u00e9 bem grande se for triste\u201d, como queria Vin\u00edcius de Morais que, n\u00e3o satisfeito, completava \u201cpor isso meu amor n\u00e3o tenha medo de sofrer\u201d. Pronto, sintetizada a f\u00f3rmula: n\u00e3o h\u00e1 vida sem amor, n\u00e3o h\u00e1 amor sem sofrimento; vivemos para a amar, amamos para sofrer.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 de arte e cultura popular dissemina-se o culto ao amor emblemado por Leonardo Souza ao dizer \u201co rei dos sentimentos chamado Amor, faz escravos a cada minuto. Quem ousar desobedecer \u00e0s suas leis ser\u00e1 punido por um juiz chamado solid\u00e3o\u201d. Enfim, \u00e9 amar, amar ou morrer triste sem ele. E tudo se integra no que os franceses extremaram como de <em>amour raison d\u2019\u00eatre<\/em>.<\/p>\n<p>L\u00e1 atr\u00e1s, no amanhecer da racionaliza\u00e7\u00e3o, os gregos propuseram sementes que germinaram interpreta\u00e7\u00f5es sobre o amor. Em particular no ocidente, algumas f\u00f3rmulas foram assumidas como pressupostos religiosos e em particular a cultura judaico-crist\u00e3 fez viver o ideal \u201c\u00c1gape\u201d, do amor universal irrestrito. \u201cDeus \u00e9 amor\u201d est\u00e1 nos Evangelhos. O \u201camai-vos uns aos outros\u201d virou uma esp\u00e9cie de pressuposto vivencial, passagem para ganhar o c\u00e9u. Antes os cl\u00e1ssicos gregos colocaram premissas fundamentais para a defini\u00e7\u00e3o do perturbador sentimento. Na mesa as teorias de Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles. O maior destaque deve ser reconhecido na proposta de Plat\u00e3o que identificou o \u201cAmor Eros\u201d. Reconhecendo o peso das paix\u00f5es, do erotismo e da beleza humana, cabia reconhecer os impulsos e os desejos na busca de experi\u00eancias amorosas. Em contraste a esse sentimento avassalador, outra sugest\u00e3o amorosa decorria do \u201camor plat\u00f4nico\u201d, aquele dirigido a sociedade sem depend\u00eancias sentimentais persoalizadas. Na mesma linha do amor humanit\u00e1rio, Arist\u00f3teles se destacou com a defini\u00e7\u00e3o de amor \u201cPhilia\u201d, associado a alegria social e a harmonia duradora entre humanos e a natureza.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Philia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19207\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Philia.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Philia.jpg 350w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Philia-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Philia-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Philia-80x80.jpg 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Philia, significa atra\u00e7\u00e3o, oposta a fobia, que faz refer\u00eancia ao mal<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O alargamento das conquistas e a sequente ordem social universalizante, contudo, demandou organiza\u00e7\u00e3o para as manifesta\u00e7\u00f5es amorosas e a institui\u00e7\u00e3o do casamente funcionou como divisor entre o idealizado para casais e o amor social. Um resumo da hist\u00f3ria do amor pode ser lido num cl\u00e1ssico e pol\u00eamico livro escrito pelo sui\u00e7o Denis Rugemont \u201cHist\u00f3ria do amor no ocidente\u201d.<\/p>\n<p>O arco percorrido pela tradi\u00e7\u00e3o amorosa \u00e9 longo e intrincado, mas chegou aos nossos dias propondo uma quest\u00e3o inescap\u00e1vel: podemos viver sem manifesta\u00e7\u00f5es amorosas expl\u00edcitas. O tema, sinceramente, destitui a fatalidade do sentimento como se fosse eterno, inerente \u00e0 vida. E h\u00e1 grupos que, em diversas linhas, come\u00e7am propor situa\u00e7\u00f5es diferentes. Bauman, no comentado \u201cAmor L\u00edquido\u201d, insistia na transitoriedade dos sentimentos no mundo p\u00f3s-moderno. V\u00e1rios autores t\u00eam tocado no tema do poliamor, da poligamia amorosa, das varia\u00e7\u00f5es afetivas combinadas e transit\u00f3rias. Bem complexo o assunto, sabe-se. Nesse emaranhado, chama aten\u00e7\u00e3o uma nova corrente que n\u00e3o deixa de lado certa logica: a \u201cdesrromantiza\u00e7\u00e3o\u201d dos afetos. Os chamados \u201carrom\u00e2nticos\u201d n\u00e3o desdenham o amor, mas n\u00e3o o entendem como obriga\u00e7\u00e3o vital, ou inscrito na eternidade dos tempos. Pode-se viver sem amor e sem necessidade de declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas disso. A quest\u00e3o que salta leva a suposi\u00e7\u00e3o dessa forma de vida. Afinal, podemos viver bem sem amar o amor rom\u00e2ntico? \u00c9 poss\u00edvel ser arrom\u00e2ntico?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>amour raison d\u2019\u00eatre \u201cO amor est\u00e1 no ar\u201d. No ar, cantado, escrito, expresso em conversas, rezas, na imagina\u00e7\u00e3o de todo mundo. 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