{"id":19165,"date":"2021-07-04T08:47:52","date_gmt":"2021-07-04T11:47:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=19165"},"modified":"2021-07-04T08:47:52","modified_gmt":"2021-07-04T11:47:52","slug":"cringe-a-vergonha-alheia-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/cringe-a-vergonha-alheia-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"CRINGE: A VERGONHA ALHEIA (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Cringe-2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19166\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Cringe-2-392x450.png\" alt=\"\" width=\"392\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Cringe-2-392x450.png 392w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Cringe-2-261x300.png 261w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Cringe-2.png 403w\" sizes=\"auto, (max-width: 392px) 100vw, 392px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Confesso que de in\u00edcio n\u00e3o dei muita bola (\u201cmuita bola\u201d, que coisa antiga, n\u00e9?). A insist\u00eancia do termo cringe na m\u00eddia, contudo, me fez mudar de ideia e dedicar algum tempo para entender melhor do que se trata, pois logrou largo destaque nos notici\u00e1rios, comp\u00f4s preocupa\u00e7\u00f5es sobre o jeito atual de comunica\u00e7\u00e3o et\u00e1ria, preencheu espa\u00e7os das redes sociais. Tudo a partir de protagonistas ainda jovens, gente que nasceu sob a \u00e9gide da internet e, por isso, se julga no direito de demarcar territ\u00f3rio cr\u00edtico. Delimitar espa\u00e7os, no caso, significa desqualificar os imediatamente mais velhos.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma luta surda por traz do que parece brincadeira ou modismo. \u00c9 a\u00ed que significados in\u00e9ditos atuam como recursos depreciativos do \u201coutro\u201d, e ent\u00e3o um estoque de refer\u00eancias serve para ridicularizar os \u201cmais velhinhos\u201d que s\u00e3o evidenciados como \u201cnovos dinossauros\u201d. \u00c9 assim que, de jeito \u00e0s vezes pouco sutil, o segmento imediatamente mais datado vai sendo exclu\u00eddo. O tema, muito al\u00e9m do pitoresco, \u00e9 complexo e implica exame de mem\u00f3ria afetiva, pois a desvaloriza\u00e7\u00e3o dos \u201cvelh\u00edssimos\u201d provoca nostalgia e assim faz recuperar a simpatia dos rejeitados pelos agora tamb\u00e9m ultrapassados. Sim, h\u00e1 ondas de considera\u00e7\u00f5es nessa guerra plena de fluxos e refluxos. \u00c9, ali\u00e1s, nesse jogo que n\u00f3s vovozinhos voltamos a ser \u201ctolerados\u201d e logramos ter nosso estilo de vida promovido a vintage. E vintage pode.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Geracoes-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19167\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Geracoes-2-450x253.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Geracoes-2-450x253.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Geracoes-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Geracoes-2.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Volta ser permitido falar de coisas \u201cdo tempo da vov\u00f3\u201d, do \u201carco da velha\u201d e podemos, novamente, usar palavras e express\u00f5es como \u201cxuxu beleza\u201d, \u201cbarra limpa\u201d, \u201cbotar pra quebrar\u201d, \u201cestourar a boca do bal\u00e3o\u201d. \u201cChato de galocha\u201d era t\u00e3o comum como \u201cdeu bode\u201d, \u201cbatata\u201d, \u201ctamanho fam\u00edlia\u201d, \u201cbocomoco\u201d e \u201cbola pra\u00e7a\u201d. \u201cBola pra frente\u201d come\u00e7ou ser usado depois da volta do nosso escrete (\u201cescrete\u201d, aiaiai) em modesto quarto lugar, em 1974, na Alemanha. Ah, tinha a lista dos diminutivos tipo \u201cjoinha\u201d, \u201cfichinha\u201d, \u201cbacaninha\u201d. N\u00e3o era um \u201cbarato\u201d? N\u00e3o era \u201csupimpa\u201d? Essas refer\u00eancias, diga-se, perpetuam sentido para n\u00f3s, pessoas nascidas durante ou logo depois da Segunda Guerra Mundial. Sim, houve um intenso aumento populacional desde o fim do conflito terminado em 1945, \u00e9poca em que os nascidos naquele<\/p>\n<p>contexto foram reconhecidos como <em>baby boomers<\/em>. Talvez, a marca mais n\u00edtida desse bando sejam os contados diretos, o cara a cara, com interfer\u00eancias m\u00ednimas de m\u00e1quinas. Da\u00ed o valor da fala oralizada em express\u00f5es contagiantes. Da\u00ed tamb\u00e9m um estilo de vida que nos marca pelas dificuldades no manejo da multid\u00e3o de m\u00e1quinas, principalmente eletr\u00f4nicas. Com certa arrog\u00e2ncia n\u00f3s, <em>baby boomers<\/em>, testemunhamos a contracultura e nos orgulhamos de, mais ou menos, levantar as bandeiras revolucion\u00e1rias de 1968, dos tais \u201canos rebeldes\u201d.<\/p>\n<p>O grupo seguinte, conhecido como \u201cgera\u00e7\u00e3o X\u201d foi composto por pessoas nascidas na d\u00e9cada de 1960 indo at\u00e9 os anos 70, crescendo na era do florescimento dos ambientes digitais. Esses, filhos dos <em>boomers<\/em>, cuidaram de valorizar instrumentos facilitadores da velocidade capaz de substituir o olho no olho.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Millenium-e-Z.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19168\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Millenium-e-Z-450x253.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Millenium-e-Z-450x253.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Millenium-e-Z-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Millenium-e-Z-768x432.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Millenium-e-Z-750x420.jpg 750w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Millenium-e-Z-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Millenium-e-Z.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Seguindo, o pr\u00f3ximo grupo et\u00e1rio ficou conhecido como \u201cgera\u00e7\u00e3o Y\u201d ou Millenials, tipos nascidos dos anos de 1981 at\u00e9 1996. Pois bem, \u00e9 exatamente esse grupo que passa a ser alvo da atual \u201cgera\u00e7\u00e3o Z\u201d que se arvora criticando a anterior. Produtos de um mundo digital, novos recursos s\u00e3o usados a fim de perfilar uma caricatura nos moldes do mesmo passadismo que nos acusaram. Nascidos e criados j\u00e1 sob os efeitos da internet, os atual\u00edssimos \u201cZs\u201d elaboraram um c\u00f3digo cr\u00edtico que arrola usos de roupas, modos de falar, h\u00e1bitos alimentares. Tudo sob o r\u00f3tulo \u201cvergonha alheia\u201d. \u201cPagar mico\u201d tornou-se penalidade para quantos resistem os supostos avan\u00e7os dos \u201cYs\u201d. No lugar cataloga-se os mandamentos do que \u00e9 \u201cser moderninho\u201d.<\/p>\n<p>Sob a apar\u00eancia de liberdade, os c\u00f3digos propostos s\u00e3o de ares t\u00e3o autorit\u00e1rios quando surpreendentes. Vejamos: tomar caf\u00e9 da manh\u00e3 com qualquer requinte m\u00ednimo \u00e9 censur\u00e1vel. N\u00e3o se pode mais dizer que vai ao banco e a express\u00e3o \u201cpagar boleto\u201d provoca risos soltos. Fico pensando nos porqu\u00eas justificadores do n\u00e3o uso do t\u00e3o \u00fatil \u201cgoogle\u201d. Ali\u00e1s, as men\u00e7\u00f5es a coisas ligadas ao computador s\u00e3o essenciais e desanimam tantos que a t\u00e3o duras penas aprenderam a usar os emoges \u2013 ali\u00e1s, as carinhas, cora\u00e7\u00f5ezinhos, flores, est\u00e3o entre os mais conden\u00e1veis pecados dos \u201cZs\u201d. Igualmente proscrito os \u201ckkkkkk\u201d, \u201crsrsrs\u201d, \u201cfui\u201d. Escrever ou postar fotos nos \u201cstories\u201d \u00e9 coisa de antigamente. Sinto-me atingido quando aprendo que n\u00e3o posso usar caixa alta nos textos de WhatsApp e que a abreviatura \u201czap\u201d equivale a cancelamento. Incluir conversa sobre s\u00e9ries na tv \u00e9 pena de morte.<\/p>\n<p>A lista avan\u00e7a quando remete \u00e0 moda, pois mulher usar batom de cor forte ou esmalte berrantes \u00e9 pecado mortal \u2013 unhas amarelas ou azuis, jamais \u2013 e at\u00e9 os pr\u00e1ticos jeans t\u00eam restri\u00e7\u00f5es pois n\u00e3o podem ser justos demais e nem de cores muito claras ou escuras. Se quiser ser <em>up to date<\/em> n\u00e3o reparta o cabelo no meio, e se usar bigode, n\u00e3o deixe as pontas viradas para cima. E assim vai&#8230;<\/p>\n<p>Como leg\u00edtimo representante <em>boomer <\/em>devo agradecer a reconsidera\u00e7\u00e3o pelos valores de meu tempo de juventude, e dizer que assisto de camarote os efeitos dos conflitos de gera\u00e7\u00f5es, agora vendo os \u201cZs\u201d criticando os \u201cYs\u201d. Pe\u00e7o aos deuses, deusas, orix\u00e1s e encantados que tenham tempo para observar o que acontecer\u00e1 com a gera\u00e7\u00e3o \u201cC\u201d (C de covid). Haja tempo.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, tchauzinho, j\u00e1 que minha turma ganha o direito de \u201cpagar mico\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confesso que de in\u00edcio n\u00e3o dei muita bola (\u201cmuita bola\u201d, que coisa antiga, n\u00e9?). 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