{"id":19111,"date":"2021-06-13T08:58:23","date_gmt":"2021-06-13T11:58:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=19111"},"modified":"2021-06-13T08:58:23","modified_gmt":"2021-06-13T11:58:23","slug":"para-pensar-o-negacionismo-brasileiro-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/para-pensar-o-negacionismo-brasileiro-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"PARA PENSAR O NEGACIONISMO BRASILEIRO (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Pe\u00e7o licen\u00e7a para dizer que h\u00e1 m\u00e9todo no caos que vivemos. E hist\u00f3ria tamb\u00e9m. Nem tudo \u2013 ali\u00e1s, muito pouco \u2013 \u00e9 o que parece na cena da pol\u00edtica circense que se posta diariamente aos nossos olhos e que nos distrai perversamente. Rimos, indignamo-nos, ficamos chocados, at\u00f4nitos at\u00e9, mas \u00e9 importante que se clarifique que este \u00e9 mesmo o prop\u00f3sito que, afinal, nos paralisa. Ainda que figuras brutas, grotescas, bufas, ostentem ignor\u00e2ncia como pol\u00edtica, \u00e9 preciso despertar nossa desconfian\u00e7a e reconhecer inten\u00e7\u00f5es que v\u00e3o para al\u00e9m da apar\u00eancia med\u00edocre.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Evolucao-para-todos-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19113\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Evolucao-para-todos-1-450x300.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Evolucao-para-todos-1-450x300.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Evolucao-para-todos-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Evolucao-para-todos-1.jpg 512w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O jogo \u00e9 consequente e o que est\u00e1 em disputa \u00e9 o nosso futuro democr\u00e1tico. N\u00e3o, eles n\u00e3o s\u00e3o o que se mostram: idiotas ou equivocados. H\u00e1 mais sutilezas do que se v\u00ea ou se ouve em numerosos e inacredit\u00e1veis pronunciamentos. As repeti\u00e7\u00f5es, idas e vindas, ali\u00e1s, fazem parte do <em>script<\/em> que objetiva confundir. As verdadeiras inten\u00e7\u00f5es est\u00e3o ocultas por elipses hist\u00f3ricas n\u00e3o reveladas, e elas carecem de reconhecimentos a fim de evitar efetiva\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas ainda mais nefastas. E nem pensemos que o negacionismo \u00e9 s\u00f3 cient\u00edfico. \u00c9 muito mais que isso: \u00e9 hist\u00f3rico. Conv\u00e9m, ali\u00e1s, dizer que n\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que as universidades s\u00e3o apontadas como antros de depravados, vagabundos, in\u00fateis. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que alguns <em>campi<\/em> s\u00e3o confundidos como campo de consumo de drogas, cen\u00e1rios de bacanais. Mesmo com cerim\u00f4nia, convido a pensar que os dram\u00e1ticos cortes de verbas destinados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao combate \u00e0s cotas para minorias, juntamente com os progressivos processos de privatiza\u00e7\u00f5es, n\u00e3o totalizam os ataques. H\u00e1 mais. Sobretudo, assiste-se a uma progress\u00e3o geom\u00e9trica de ofensivas aos historiadores, soci\u00f3logos e cientistas sociais, \u00e0s humanidades em geral. Explica-se&#8230;<\/p>\n<p>Desde a chegada dos europeus em nosso solo, deu-se um curso longo e de intrincada inscri\u00e7\u00e3o no sistema colonial como um todo. A distribui\u00e7\u00e3o de terras destinadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o para atender o com\u00e9rcio externo nos imp\u00f4s um destino servil duradouro e mantenedor de subalternidades. O custo de mais de 4 milh\u00f5es de negros trazidos da \u00c1frica se comp\u00f4s com massacres ind\u00edgenas e com o n\u00e3o reconhecimento cidad\u00e3o de levas populacionais marginalizadas. A decantada mesti\u00e7agem, t\u00e3o cara aos rom\u00e2nticos ideol\u00f3gicos, se multiplicou sem mudan\u00e7as efetivas na estrutura fundi\u00e1ria, sem lugar social minimamente digno e sem perspectivas de integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o da monarquia ocasionou um desvio na busca de solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que, afinal, tardaram para al\u00e7ar alguma autonomia. Desde o s\u00e9culo XIX, em particular dada a Guerra do Paraguai (1864 \u2013 1870) a preponder\u00e2ncia das For\u00e7as Armadas se fez presente e, at\u00e9 onde foi conveniente, sustentou o poder imperial brasileiro. A ruptura justificou um golpe comprometedor da lealdade constitucional, quebrada em 1889 com a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Ainda que se reconhe\u00e7a beleza nos programas dos nossos republicanistas, a car\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o popular permitiu governos militares que se viam como arquitetos do novo regime.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Guerra-do-Paraguai.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19114\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Guerra-do-Paraguai-415x450.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Guerra-do-Paraguai-415x450.jpg 415w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Guerra-do-Paraguai-277x300.jpg 277w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Guerra-do-Paraguai.jpg 539w\" sizes=\"auto, (max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>O protagonismo do Ex\u00e9rcito desde a Guerra do Paraguai &#8211; 1864\/1870\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Depois de dois presidentes sa\u00eddos das fileiras do Ex\u00e9rcito, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, Prudente de Morais foi o primeiro civil a chegar ao posto, em 1894. Epis\u00f3dios sucessivos t\u00eam mostrado a interfer\u00eancia militar em nossa hist\u00f3ria, fato que sugere uma paternidade republicana mal resolvida e inc\u00f4moda aos olhos de uma democracia que busca cara pr\u00f3pria. Ao longo de tantos anos de tutela, aos olhos da corpora\u00e7\u00e3o, parece natural o apego ao governo. Por certo, h\u00e1 momentos mais agudos nesse apego e a ditadura iniciada em 1964 e que teve termo em 1985 \u00e9 prova da continuidade da mesma percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda que sem deixar liberado para o plano civil, o Ex\u00e9rcito Nacional, somado \u00e0s demais Armas (Marinha e Aeron\u00e1utica), tem amadurecido e calibrado suas pretens\u00f5es. \u00c9 um processo complexo e com filigranas de dif\u00edceis contornos. Mas \u00e9 ineg\u00e1vel as divis\u00f5es que, afinal, garantam um relativo reconhecimento do papel civil nacional. N\u00e3o \u00e9, contudo, f\u00e1cil deixar o processo correr solto. Dividida, as For\u00e7as Armadas enfrentam dilemas que s\u00e3o rebatidos por radicais ultraconservadores. \u00c9 exatamente nessa fenda que os negacionismos atuam. A refuta\u00e7\u00e3o pela ci\u00eancia \u00e9 mais exposta e se v\u00ea filtrada por insistentes narrativas. A louca ret\u00f3rica anticient\u00edfica \u00e9 tornada cena p\u00fablica a fim de mobilizar seguidores que em tudo veem amea\u00e7as comunistas ou deprava\u00e7\u00e3o moral. O negacionismo hist\u00f3rico, por\u00e9m, demanda conhecimento que convida a estudos e formula\u00e7\u00e3o de novos pactos c\u00edvicos. \u00c9 l\u00f3gico que h\u00e1 interesses internacionais fomentando tudo, mas sem esclarecimento hist\u00f3rico do papel das For\u00e7as Armadas em nossa hist\u00f3ria, pouco pode ser feito. O combate ao negacionismo hist\u00f3rico tem que se comprometer com pesquisas, estudos que, afinal, mostrem que o conceito de rep\u00fablica brasileira civil tem que ser reprogramado. E repensado em di\u00e1logo com as For\u00e7as Armadas. Neste sentido, nada mais salutar do que um di\u00e1logo aberto, franco e claro e sem nega\u00e7\u00f5es convenientes. A hora \u00e9 esta. \u00c9?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe\u00e7o licen\u00e7a para dizer que h\u00e1 m\u00e9todo no caos que vivemos. E hist\u00f3ria tamb\u00e9m. 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