{"id":19011,"date":"2021-05-01T12:02:00","date_gmt":"2021-05-01T15:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=19011"},"modified":"2021-05-01T12:06:03","modified_gmt":"2021-05-01T15:06:03","slug":"1o-de-maio-tres-episodios-paulo-de-tarso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/1o-de-maio-tres-episodios-paulo-de-tarso\/","title":{"rendered":"1\u00ba de Maio, tr\u00eas epis\u00f3dios (Paulo de Tarso)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Delegado Fleury (no centro) morreu em Ilhabela na v\u00e9spera do 1\u00ba de Maio de 1979<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Vivi pelo menos tr\u00eas inesquec\u00edveis comemora\u00e7\u00f5es por ocasi\u00e3o do 1\u00ba de maio, nos anos de 1968, 1979 e 1981. Tr\u00eas momentos marcantes dos 21 anos da nossa hist\u00f3ria recente.<\/p>\n<p><strong>1968<\/strong><\/p>\n<p>O ano emblem\u00e1tico recheado de acontecimentos antol\u00f3gicos, que Zuenir Ventura chamou de \u201cano que n\u00e3o acabou\u201d, tamb\u00e9m registra um 1\u00ba de Maio cheio de emo\u00e7\u00f5es. Apesar de permanecer quase escondido diante de tantos eventos hist\u00f3ricos, foi emocionante t\u00ea-los vivido.<\/p>\n<p>O ano para mim come\u00e7ou em mar\u00e7o quando a Pol\u00edcia Militar do Rio de Janeiro assassinou com um tiro no peito o estudante secundarista Edson Lu\u00eds em frente ao restaurante Calabou\u00e7o. Ali almo\u00e7avam estudantes e trabalhadores que dispunham de pouco ou nenhum recurso. Foi um rastilho de p\u00f3lvora que se acendeu e que marcaria para sempre aquele ano.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/primeiro-de-maio-1968.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19012\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/primeiro-de-maio-1968-450x283.jpeg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"283\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/primeiro-de-maio-1968-450x283.jpeg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/primeiro-de-maio-1968-300x188.jpeg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/primeiro-de-maio-1968-768x482.jpeg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/primeiro-de-maio-1968.jpeg 780w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Primeiro de Maio na pra\u00e7a da S\u00e9 em 1968 ap\u00f3s expuls\u00e3o do governador<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, invadimos \u00e0 noite a Faculdade de Economia da USP, onde eu estudava, que amanheceu toda pichada no seu interior com palavras de ordem contra a ditadura militar. Em junho, no Rio de Janeiro, as manifesta\u00e7\u00f5es isoladas desembocaram na grande passeata dos 100 mil com a participa\u00e7\u00e3o de estudantes, trabalhadores, artistas, intelectuais e at\u00e9 religiosos. Nesse mesmo m\u00eas ocupamos em S\u00e3o Paulo a Faculdade de Filosofia da USP, na tradicional e hist\u00f3rica rua Maria Ant\u00f4nia, que perdurou at\u00e9 outubro quando ocorreu a batalha entre ocupantes da faculdade e estudantes da extrema direita da Universidade Mackenzie com o apoio da Pol\u00edcia Militar e do Ex\u00e9rcito. Nesse epis\u00f3dio, antev\u00e9spera do 30\u00ba Congresso da UNE, em Ibi\u00fana, morreu o estudante secundarista Jos\u00e9 Guimar\u00e3es, assassinado por um membro do CCC (Comando de Ca\u00e7a aos Comunistas) Osni Ricardo.<\/p>\n<p>No meio de tantos acontecimentos, no dia 1\u00ba de Maio o movimento sindical combativo convocou seus aliados para uma manifesta\u00e7\u00e3o chapa branca organizada pelos sindicalistas pelegos que convidaram o ent\u00e3o governador Abreu Sodr\u00e9. Quando iniciou seu discurso, Sodr\u00e9 foi atingido por uma pedra na testa. A \u201cfesta\u201d acabou. Os manifestantes seguiram em passeata at\u00e9 da Pra\u00e7a da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Abreu-Sodre.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19013\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Abreu-Sodre-450x259.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"259\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Abreu-Sodre-450x259.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Abreu-Sodre-300x173.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Abreu-Sodre.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Governador Abreu Sodr\u00e9 com curativo na testa da pedrada que levou no 1\u00ba de Maio de 1968<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Na outra ponta, o governador e dirigentes pelegos seguiram para o Pal\u00e1cio dos Bandeirantes. Na mesma comitiva, Geraldo Vandr\u00e9, autor e int\u00e9rprete da m\u00fasica \u201c<em>Para n\u00e3o dizer que eu n\u00e3o falei das flores<\/em>\u201d, um hino da resist\u00eancia \u00e0 ditadura, estava presente e fez quest\u00e3o de prestar solidariedade a Sodr\u00e9.<\/p>\n<p><strong>1979<\/strong><\/p>\n<p>O movimento estudantil j\u00e1 estava derrotado. Em seu lugar, o movimento sindical combativo acumulava for\u00e7as desde 1975. O Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo era sua parte mais vis\u00edvel.<\/p>\n<p>No dia 1\u00ba de Maio, o sindicato promoveu um evento no est\u00e1dio da Vila Euclides, em S\u00e3o Bernardo, muito usado pelos metal\u00fargicos. A festa transcorria normalmente com a participa\u00e7\u00e3o de familiares com filhos, al\u00e9m daqueles que queriam prestigiar a festa promovida pelos oper\u00e1rios.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Vila-Euclides.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19014\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Vila-Euclides-450x321.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"321\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Vila-Euclides-450x321.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Vila-Euclides-300x214.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Vila-Euclides.jpg 714w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Flagrante da Vila Euclides em 1979 quando anunciaram a morte de Fleury<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Por volta do meio-dia houve um burburinho no palanque. Muita especula\u00e7\u00e3o. At\u00e9 que uma das lideran\u00e7as assumiu o comando para informar que havia morrido em Ilhabela o famigerado delegado S\u00e9rgio Paranhos Fleury. Ainda n\u00e3o havia informa\u00e7\u00f5es sobre as causas.<\/p>\n<p>A festa ficou mais alegre. E eu s\u00f3 sosseguei quando, em Ilhabela com meu filho de 3 anos, perguntei a um pescador onde era o local onde Fleury morrera. Era num p\u00eder do Yacht Club. Emprestei sua canoa e remei at\u00e9 o local. Abaixei o cal\u00e7\u00e3o e urinei lentamente no local. Orgasmo puro! S\u00f3 assim terminou meu 1\u00ba de Maio.<\/p>\n<p><strong>1981<\/strong><\/p>\n<p>A ditadura j\u00e1 caminhava para seu ingl\u00f3rio fim. O movimento democr\u00e1tico de oposi\u00e7\u00e3o crescia a olhos vistos. O medo havia sido substitu\u00eddo pelo sonho e esperan\u00e7a. A comemora\u00e7\u00e3o do 1\u00ba de Maio seria um show com a participa\u00e7\u00e3o de artistas como Chico Buarque, Elba Ramalho, Gonzaguinha e F\u00e1gner, agendado para o Riocentro.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Carro-bomba.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19015\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Carro-bomba-450x282.jpeg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Carro-bomba-450x282.jpeg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Carro-bomba-300x188.jpeg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Carro-bomba.jpeg 652w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Policiais civis examinam o que restou do Puma pilotado pelo capit\u00e3o Machado<\/strong><\/em><\/p>\n<p>As catracas registravam 9.892 pagantes. Era s\u00f3 alegria. Poucos ouviram o estouro que veio do estacionamento. Naquele momento, uma bomba explodiu no colo do sargento Guilherme Pereira do Ros\u00e1rio, carona do capit\u00e3o Wilson Dias Machado, que dirigia um carro Puma. Alguma for\u00e7a inexplic\u00e1vel impediu uma trag\u00e9dia maior. Havia pelo menos dois outros petardos que n\u00e3o foram acionados por causa do acidente com a bomba do capit\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse epis\u00f3dio nunca foi esclarecido. Ningu\u00e9m foi punido. A primeira vers\u00e3o fornecida pelo Ex\u00e9rcito informava que se tratava de um ato terrorista da organiza\u00e7\u00e3o guerrilheira Var Palmares, que n\u00e3o mais existia. Machado continuou na for\u00e7a militar at\u00e9 sua aposentadoria. O sargento foi homenageado com honras militares. Esse epis\u00f3dio marcou a derrota da direita mais radical das For\u00e7as Armadas na sua tentativa de impedir a anunciada abertura democr\u00e1tica e a elei\u00e7\u00e3o indireta para o primeiro presidente civil que se realizaria em 1985.<\/p>\n<p>Viva o 1\u00ba de Maio!!!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Delegado Fleury (no centro) morreu em Ilhabela na v\u00e9spera do 1\u00ba de Maio de 1979 Vivi pelo menos tr\u00eas inesquec\u00edveis comemora\u00e7\u00f5es por ocasi\u00e3o do 1\u00ba &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19016,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-19011","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19011","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19011"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19011\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19021,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19011\/revisions\/19021"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19016"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19011"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19011"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19011"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}