{"id":18989,"date":"2021-04-26T14:31:15","date_gmt":"2021-04-26T17:31:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=18989"},"modified":"2021-04-26T14:31:15","modified_gmt":"2021-04-26T17:31:15","slug":"nosso-destino-e-a-estupidez-ruy-castro-folha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/nosso-destino-e-a-estupidez-ruy-castro-folha\/","title":{"rendered":"Nosso destino \u00e9 a estupidez (Ruy Castro\/Folha)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Em 1964, o Brasil ficou imposs\u00edvel para Celso Furtado &#8212; que os outros pa\u00edses, agradecidos, acolheram<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Um m\u00eas e meio depois do golpe militar de 1\u00ba de abril de 1964, o economista Celso Furtado teve de deixar o Brasil. Seu nome estava na primeira leva de brasileiros com os direitos pol\u00edticos e civis cassados. De uma lista aberta pelo presidente deposto Jo\u00e3o Goulart e pelo deputado Leonel Brizola, Celso era j\u00e1 o 26\u00ba. Entre os motivos para isto estavam sua passagem pela Cepal (Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina), a cria\u00e7\u00e3o e presid\u00eancia da Sudene (Superintend\u00eancia do Desenvolvimento do Nordeste) e ter sido o primeiro ministro do Planejamento do pa\u00eds. No Brasil dos generais, o ex-pracinha Celso Furtado n\u00e3o podia ser deixado \u00e0 solta. Estava com 43 anos.<\/p>\n<p>Seu primeiro destino foi Santiago do Chile. Mas n\u00e3o passou muito tempo por l\u00e1. Tinha convites de tr\u00eas universidades americanas para lecionar economia: Harvard, Columbia e Yale. Escolheu Yale, onde ficou de setembro daquele ano a junho de 1965, e s\u00f3 saiu porque o governo brasileiro pressionou a congrega\u00e7\u00e3o para n\u00e3o renovar seu contrato. Foi para Paris, contratado pela p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Sorbonne, em ato assinado pelo presidente De Gaulle, para ensinar economia do desenvolvimento. Somente em 1968 teve 15 convites para ser paraninfo de turma.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Celso-Furtado.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-18991\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Celso-Furtado-450x300.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Celso-Furtado-450x300.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Celso-Furtado-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Celso-Furtado-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Celso-Furtado.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>O economista Celso Furtado nos anos 1960<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Em 20 anos de Sorbonne, Celso formou futuros presidentes da Rep\u00fablica e ministros de Estado, publicou livros e trabalhos, falou para governos e privou com potestades como Bertrand Russell, Jean-Paul Sartre, James Baldwin, Theodor Adorno, Herbert Marcuse, Octavio Paz, J\u00fcrgen Habermas \u2014alguns, seus amigos.<\/p>\n<p>As cartas que mostram essa extraordin\u00e1ria trajet\u00f3ria est\u00e3o no livro rec\u00e9m-lan\u00e7ado \u201cCelso Furtado &#8211; Correspond\u00eancia Intelectual 1949-2004\u201d, organizado por Rosa Freire d\u2019Aguiar.<\/p>\n<p>Os militares o condenaram a levar seu conhecimento a plateias alheias ao seu cora\u00e7\u00e3o. O que o Brasil dispensou, o mundo, agradecido, acolheu. Nosso destino \u00e9 a estupidez \u2014 vide hoje.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1964, o Brasil ficou imposs\u00edvel para Celso Furtado &#8212; que os outros pa\u00edses, agradecidos, acolheram Um m\u00eas e meio depois do golpe militar de &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18990,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-18989","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18989","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18989"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18989\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18992,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18989\/revisions\/18992"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18990"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18989"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}