{"id":18272,"date":"2020-08-23T14:59:42","date_gmt":"2020-08-23T17:59:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=18272"},"modified":"2020-08-23T15:00:47","modified_gmt":"2020-08-23T18:00:47","slug":"o-voo-do-garimpo-nas-asas-da-fab-bernardo-mello-franco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/o-voo-do-garimpo-nas-asas-da-fab-bernardo-mello-franco\/","title":{"rendered":"O voo do garimpo nas asas da FAB (Bernardo Mello Franco)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Ser\u00e1 que a Aeron\u00e1utica faria um repeteco do vexame de 1956?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Num s\u00e1bado de carnaval, um major e um capit\u00e3o arrombaram o dep\u00f3sito de muni\u00e7\u00f5es da Base A\u00e9rea dos Afonsos, no sub\u00farbio do Rio. Os dois levaram armas e explosivos at\u00e9 um bimotor Beechcraft. Com o avi\u00e3o carregado, decolaram rumo ao sul do Par\u00e1 para iniciar um levante contra o governo.<\/p>\n<p>A dupla de aloprados queria derrubar o presidente Juscelino Kubitschek, que havia acabado de tomar posse. O plano era organizar um ex\u00e9rcito de \u00edndios e caboclos e articular o golpe a partir da selva amaz\u00f4nica. A Revolta de Jacareacanga teve vida curta: come\u00e7ou e terminou em fevereiro de 1956. Depois de 64 anos, a Aeron\u00e1utica volta a se enrolar na cidade paraense.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Revolta-Jacareacanga.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-18274\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Revolta-Jacareacanga-450x259.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"259\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Revolta-Jacareacanga-450x259.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Revolta-Jacareacanga-300x173.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Revolta-Jacareacanga.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Jacareacanga e Aragar\u00e7as, dois oficiais da FAB tentam liderar uma &#8220;revolta&#8221; conta JK<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Na quinta-feira, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal abriu investiga\u00e7\u00e3o por improbidade administrativa no uso de um avi\u00e3o da FAB. A aeronave pousou em Jacareacanga no \u00faltimo dia 5, a pretexto de apoiar o combate \u00e0 minera\u00e7\u00e3o ilegal na terra ind\u00edgena Munduruku. Na manh\u00e3 seguinte, decolou para Bras\u00edlia com sete garimpeiros a bordo.<\/p>\n<p>\u201cA lei pro\u00edbe o garimpo em terras ind\u00edgenas. O avi\u00e3o da FAB foi usado para transportar criminosos\u201d, resume o procurador Paulo de Tarso Moreira Oliveira. \u201cEssa terra ind\u00edgena j\u00e1 sofria com invas\u00f5es. Agora h\u00e1 um avan\u00e7o desenfreado, impulsionado pela valoriza\u00e7\u00e3o do ouro e pelo discurso de cumplicidade do governo\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera do voo para Bras\u00edlia, os garimpeiros se reuniram com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Ap\u00f3s o encontro, o governo suspendeu a Opera\u00e7\u00e3o Verde Brasil 2, que deveria reprimir os crimes ambientais na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Em of\u00edcio ao MPF, o Minist\u00e9rio da Defesa afirmou que a Aeron\u00e1utica transportou \u201clideran\u00e7as ind\u00edgenas\u201d para \u201ctratativas com o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente\u201d. A vers\u00e3o \u00e9 contestada por associa\u00e7\u00f5es que representam os munduruku. As entidades afirmam que o cacique-geral da etnia n\u00e3o autorizou a viagem e que o grupo n\u00e3o fala em nome dos povos locais.<\/p>\n<p>\u201cOs passageiros do voo n\u00e3o eram l\u00edderes ind\u00edgenas, eram garimpeiros. Os \u00edndios est\u00e3o frustrados com o fracasso da opera\u00e7\u00e3o. Muitos deles j\u00e1 sofreram amea\u00e7as de morte\u201d, conta o procurador Oliveira. Ele afirma que os donos das m\u00e1quinas s\u00e3o brancos e aliciam parte dos locais com a distribui\u00e7\u00e3o de dinheiro e de cestas b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>O clima na regi\u00e3o \u00e9 tenso. H\u00e1 duas semanas, a Pol\u00edcia Federal apreendeu ve\u00edculos e computadores usados pelos mineradores. Agentes do Ibama chegaram a destruir equipamentos da quadrilha. Em repres\u00e1lia, garimpeiros amea\u00e7aram derrubar um helic\u00f3ptero usado pelos fiscais.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Maquinas-e-estradas-destruidas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18275\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Maquinas-e-estradas-destruidas.jpg\" alt=\"\" width=\"259\" height=\"194\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>M\u00e1quinas e estradas destru\u00eddas pela Pol\u00edcia Federal<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u201cEstamos falando de uma mil\u00edcia que cooptou ind\u00edgenas e se sente estimulada pelo governo\u201d, diz o ambientalista Danicley de Aguiar, do Greenpeace. \u201cO garimpo compromete o modo de vida dos povos tradicionais, destr\u00f3i a floresta e contamina os rios da regi\u00e3o. E tudo est\u00e1 sendo feito com a omiss\u00e3o do Estado brasileiro\u201d, critica.<\/p>\n<p>O presidente Jair Bolsonaro n\u00e3o disfar\u00e7a. J\u00e1 assinou projeto para abrir as terras ind\u00edgenas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o mineral. Enquanto o Congresso faz cara de paisagem, o ministro Salles tenta passar sua boiada ao arrepio da lei. Falta explicar por que a Aeron\u00e1utica aceitou se misturar a essa agenda de destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que a Aeron\u00e1utica faria um repeteco do vexame de 1956? Num s\u00e1bado de carnaval, um major e um capit\u00e3o arrombaram o dep\u00f3sito de muni\u00e7\u00f5es &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18276,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-18272","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18272","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18272"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18272\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18278,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18272\/revisions\/18278"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18276"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}