{"id":18191,"date":"2020-07-26T14:06:23","date_gmt":"2020-07-26T17:06:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=18191"},"modified":"2020-07-26T14:06:23","modified_gmt":"2020-07-26T17:06:23","slug":"justica-seletiva-bernardo-mello-franco-oglobo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/justica-seletiva-bernardo-mello-franco-oglobo\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a seletiva (Bernardo Mello Franco, OGlobo)"},"content":{"rendered":"<p>O presidente do Superior Tribunal de Justi\u00e7a alegou raz\u00f5es humanit\u00e1rias para soltar Fabr\u00edcio Queiroz. Na decis\u00e3o, Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha se revelou um juiz compreensivo com o faz-tudo da fam\u00edlia Bolsonaro. T\u00e3o compreensivo que estendeu o benef\u00edcio \u00e0 mulher dele, ent\u00e3o foragida da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>O habeas corpus para M\u00e1rcia Aguiar espantou at\u00e9 os colegas do ministro, por quem o capit\u00e3o j\u00e1 declarou ter sentido um \u201camor \u00e0 primeira vista\u201d. A senhora n\u00e3o estava no grupo de risco da Covid-19 e mantinha contato frequente com milicianos. Noronha considerou, no entanto, que sua presen\u00e7a ao lado do marido era \u201crecomend\u00e1vel para lhe dispensar as aten\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser premiada pela fuga, M\u00e1rcia foi promovida. Numa canetada, passou de cabeleireira a enfermeira. Agora ela aproveita as tardes para se bronzear na varanda de casa. Sem o inc\u00f4modo de vestir trajes de hospital.<\/p>\n<p>Animado com a generosidade de Noronha, o Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos resolveu bater \u00e0 porta do STJ. O grupo pediu a soltura de todos os presos provis\u00f3rios que pertencem ao grupo de risco e n\u00e3o foram acusados de crimes com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a.<\/p>\n<p>No pedido, os advogados escreveram que negar o habeas corpus a \u201cpresos em id\u00eantica situa\u00e7\u00e3o\u201d a Queiroz significaria \u201cviolar o direito \u00e0 igualdade\u201d. Eles argumentaram que \u201cbeneficiar apenas alguns investigados e r\u00e9us ricos, amigos de poderosos\u201d, demonstraria \u201cinaceit\u00e1vel seletividade\u201d da Justi\u00e7a. Parecia um press\u00e1gio do que estava por vir.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Queiroz-e-Flavio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18192\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Queiroz-e-Flavio.jpg\" alt=\"Queiroz e Flavio\" width=\"290\" height=\"174\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>A soltura de Queiroz e sua esposa reflete a seletividade da Justi\u00e7a<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O ministro Noronha havia preenchido 11 p\u00e1ginas com cita\u00e7\u00f5es e teses jur\u00eddicas para tirar Queiroz da cadeia. Ao negar o mesmo benef\u00edcio a presos an\u00f4nimos, s\u00f3 precisou de uma p\u00e1gina e meia.<\/p>\n<p>Ele alegou que o novo pedido n\u00e3o especificava a situa\u00e7\u00e3o de cada um dos presos. Em 2018, o Supremo Tribunal Federal n\u00e3o viu problema nisso ao conceder habeas corpus coletivo a gr\u00e1vidas e m\u00e3es de crian\u00e7as de at\u00e9 12 anos que estavam em pris\u00e3o provis\u00f3ria.<\/p>\n<p>Noronha tamb\u00e9m reclamou que os advogados teriam feito uma \u201calega\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica de que os estabelecimentos prisionais est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o calamitosa\u201d. Foi exatamente o que ele fez ao libertar Queiroz e a mulher. Sua decis\u00e3o cita \u201cpres\u00eddios cheios\u201d, \u201ccasas de deten\u00e7\u00e3o lotadas\u201d e \u201chigiene prec\u00e1ria\u201d, embora o operador da rachadinha estivesse a salvo disso tudo em Bangu 8.<\/p>\n<p>O ministro ainda gastou latim (\u201c<em>fumus comissi delicti<\/em>\u201d, \u201c<em>periculum in libertatis<\/em>\u201d) para negar o pedido do coletivo jur\u00eddico. Com isso, manteve na cadeia milhares de idosos, card\u00edacos, diab\u00e9ticos, tuberculosos e hipertensos que n\u00e3o t\u00eam um amigo no Planalto.<\/p>\n<p>A professora Elo\u00edsa Machado, da FGV Direito S\u00e3o Paulo, diz que o contraste entre as duas decis\u00f5es de Noronha escancara a seletividade da Justi\u00e7a. \u201c\u00c9 um descalabro. Isso p\u00f5e na lona a credibilidade do ministro. Ele negou a liminar porque os demais presos n\u00e3o s\u00e3o Queiroz\u201d, resume. Ela \u00e9 uma das signat\u00e1rias dos dois habeas corpus coletivos: o das gr\u00e1vidas, concedido pelo Supremo, e o dos presos no grupo de risco da Covid-19, negado pelo STJ.<\/p>\n<p>At\u00e9 sexta-feira, o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a contava 72 presos mortos pelo coronav\u00edrus no pa\u00eds. Faltava um detento para o sistema carcer\u00e1rio atingir a marca de dez mil infectados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente do Superior Tribunal de Justi\u00e7a alegou raz\u00f5es humanit\u00e1rias para soltar Fabr\u00edcio Queiroz. 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