{"id":18177,"date":"2020-07-21T12:23:28","date_gmt":"2020-07-21T15:23:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=18177"},"modified":"2020-07-21T12:23:28","modified_gmt":"2020-07-21T15:23:28","slug":"a-festa-da-farda-bernardo-mello-franco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/a-festa-da-farda-bernardo-mello-franco\/","title":{"rendered":"A festa da farda (Bernardo Mello Franco)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Presidente Bolsonaro na cerim\u00f4nia por ocasi\u00e3o do Dia do Soldado<\/strong><\/em><\/p>\n<p>No \u201cAlmanaque do Ex\u00e9rcito\u201d, ele era o coronel Jonas Madureira da Silva Filho. Na intimidade matrimonial, apenas Madu. O personagem do livro de Marques Rebelo passava os dias de pijama, no conforto da reserva remunerada. Depois do golpe, foi convocado para uma tarefa patri\u00f3tica: assumir um cargo de chefia no Segal, o Servi\u00e7o Geral de Abastecimento e Lubrificantes.<\/p>\n<p>\u201cO simples coronel Madureira\u201d se passa no in\u00edcio da ditadura de 1964, quando os militares se apinharam na burocracia federal. Junto com os postos, veio uma penca de di\u00e1rias, gratifica\u00e7\u00f5es e mordomias. A mulher de Madu ficou euf\u00f3rica: sobraria dinheiro para comprar o sonhado faqueiro de prata.<\/p>\n<p>A festa da farda se repete no governo de Jair Bolsonaro. Desde a posse do capit\u00e3o, o n\u00famero de militares em cargos civis mais que dobrou. Saltou de 2.765 para 6.157, segundo dados do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de estender o cabide, o presidente engordou os contracheques. Em dezembro, o oficialato se esbaldou numa reforma da Previd\u00eancia bem particular. Enquanto os paisanos sofriam perdas, os fardados ganharam reajustes de at\u00e9 73%, incluindo novos penduricalhos.<\/p>\n<p>Os oficiais que v\u00e3o para a reserva passaram a ganhar b\u00f4nus de oito sal\u00e1rios, o dobro da regra anterior. Um dos primeiros a receber o presente foi o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Em maio, ele pendurou o quepe de almirante com um mimo de R$ 300 mil.<\/p>\n<p>Ontem o \u201cEstad\u00e3o\u201d revelou que o governo pretende criar mais duas gratifica\u00e7\u00f5es exclusivas para os militares. Quem j\u00e1 recebe extras de R$ 1,7 mil passaria a embolsar R$ 6,9 mil. Um fabuloso aumento de 303%.<\/p>\n<p>A farra mostra que o apoio dos quart\u00e9is a Bolsonaro virou um neg\u00f3cio lucrativo. A generosidade \u00e9 tanta que transborda para os herdeiros. A filha do general Villas B\u00f4as, ex-comandante do Ex\u00e9rcito, j\u00e1 ganhou dois cargos no minist\u00e9rio da pastora Damares. Agora o general Braga Netto, chefe da Casa Civil, deve emplacar a filha na Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Formada em rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, a mo\u00e7a substituir\u00e1 um servidor de carreira. A vaga fica no Rio, n\u00e3o exige concurso e paga sal\u00e1rio de R$ 13 mil. Com uma boquinha dessas, nem o coronel Madureira ousaria sonhar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente Bolsonaro na cerim\u00f4nia por ocasi\u00e3o do Dia do Soldado No \u201cAlmanaque do Ex\u00e9rcito\u201d, ele era o coronel Jonas Madureira da Silva Filho. 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