{"id":17983,"date":"2020-06-07T13:39:13","date_gmt":"2020-06-07T16:39:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=17983"},"modified":"2020-06-07T13:40:36","modified_gmt":"2020-06-07T16:40:36","slug":"contando-historias-somos-todos-narradores-jose-carlos-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/contando-historias-somos-todos-narradores-jose-carlos-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"CONTANDO HIST\u00d3RIAS: somos todos narradores (Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>De algum jeito, somos todos contadores de hist\u00f3rias. Uns mais exibidos, outros menos. Com palavras, gestos, com o corpo, de diversas maneiras a comunica\u00e7\u00e3o se expressa dando sentido a enredos que matizam nossa atividade no mundo. S\u00f3 os humanos contam casos, e isto \u00e9 distintivo. A palavra \u00e9 o in\u00edcio de todas as coisas, e n\u00e3o h\u00e1 religi\u00e3o que n\u00e3o se inicie com o <em>verbo divino encarnado<\/em>. E o verbo \u00e9 a\u00e7\u00e3o, movimento, hist\u00f3ria. Acatados em escalas grandiosas ou n\u00e3o, precisamos relatar tramas que nos definem enquanto seres interativos e dependentes uns dos outros. A bailarina precisa dan\u00e7ar, dan\u00e7ar para uma plateia; o pol\u00edtico precisa da audi\u00eancia que se converta em voto; e o que seria do palha\u00e7o sem a rizada do distinto p\u00fablico? E para qu\u00ea alunos sem professores, ali\u00e1s o que seria da escola ent\u00e3o? Que dizer de sacerdotes, pastores oficiantes de missas ou cultos? E quem comeria a pipoca do pipoqueiro, ou escutaria a serenata dos apaixonados? Quem? At\u00e9 em redes sociais temos que contar&#8230; Para o bem ou para o mal, somos todos contadores.<\/p>\n<p>Risos, vozes altas, murm\u00farios, sil\u00eancios, tudo enfim clama narrativas e provoca efeitos transformadores: gozos, l\u00e1grimas, rejei\u00e7\u00f5es, raivas plurais. At\u00e9 os sil\u00eancios falam, contam, dizem, dialogam. Propondo solu\u00e7\u00f5es de entendimento, a simples presen\u00e7a de corpos, de todo jeito e maneira, irradia significados desnaturalizadores de mesmismos.<\/p>\n<p>Somos, enquanto seres vivos, fabricadores de semas indicativos de um comp\u00f3sito constelar que merece relevo teatral: gestos, cen\u00e1rios, entona\u00e7\u00e3o. \u00a0Viver \u00e9 contar, \u00e9 estar contando em ger\u00fandio bonito, e \u00e9 ser contado em di\u00e1logos de inclus\u00e3o ou do reverso disso. E tanto somos contadores que n\u00f3s mesmos viramos personagens de enredos e <em>seguimos em frente<\/em> compondo partes que se completam em novelas sequentes e que nos transcendem. Todos, sem exce\u00e7\u00e3o nos pronunciamos ou somos motivos. Uns contam se protagonizando narradores, outros, como audi\u00eancia tamb\u00e9m se situam na mesma tran\u00e7a que envolve terceiros, quartos, quintos, at\u00e9 que vira de todo mundo. A vida \u00e9 uma longa hist\u00f3ria de duvidoso come\u00e7o e sem fim previs\u00edvel&#8230; Entre nascer e morrer, o que temos sen\u00e3o nossa hist\u00f3ria?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Arte-de-contar-historia-1.gif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-17985\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Arte-de-contar-historia-1-450x253.gif\" alt=\"Arte de contar historia 1\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Arte-de-contar-historia-1-450x253.gif 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Arte-de-contar-historia-1-300x169.gif 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Existem os mais reservados, pessoas que se dizem em pequenos c\u00edrculos, na intimidade da troca mi\u00fada. N\u00e3o s\u00e3o ex\u00edguos os que aos ventos dimensionam entoadas verbais. E os c\u00f3digos podem variar: pela grafia alguns escrevem. Escrevem uns para si, outros para a posteridade. H\u00e1 os narradores reputados que mant\u00e9m um jogo de v\u00ednculos que relaciona emissor, receptou e sistema social e assim ganham mercado, se profissionalizam. O mundo da imagem promove outro circuito narrativo, c\u00f3digo especial de hist\u00f3ria. E haja cartas, artigos, cr\u00f4nicas, livros e livros. Mas, n\u00e3o param, os temas se desdobram em p\u00e1ginas continuadas, voam, se musicam, embalam, acalmam, reclamam e viram solfejo. Ah! os registros imag\u00e9ticos, pict\u00f3ricos, t\u00e1teis. Quantas hist\u00f3rias s\u00e3o sugeridas em fotos, quadros, esculturas, em todas as tentativas de marcar momentos e conter teias pret\u00e9ritas sempre em busca de eternidades.<\/p>\n<p>Tal \u00e9 a for\u00e7a da conta\u00e7\u00e3o que se diz que quem pouco conta se vai deixando de existir, morre triste e n\u00e3o sobrevive em remessas de amigos. H\u00e1 aquelas freiras que se retiram em supostos sil\u00eancios, mas quietas tratam de uma outra transa\u00e7\u00e3o. Mortos sem rastros s\u00e3o defuntos esquecidos. Haja legenda. Lembran\u00e7as e <em>in memoriam<\/em>. Leve-se em conta que tem gente que se al\u00e7a pelas hist\u00f3rias de botequins, alguns se protagonizam em esquinas, em rodas de fam\u00edlias ou de amigos. H\u00e1 os engra\u00e7ados, p\u00e2ndegos mais espalhafatosos e aqueles que se afamam em piadas convenientes ou n\u00e3o; existem os tr\u00e1gicos, chorosos; moralistas; maldosos n\u00e3o faltam&#8230;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Elie-Wiesel.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-17984 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Elie-Wiesel-450x362.jpg\" alt=\"Nobel Peace Laureate Elie Wiesel is seen before participating in a roundtable discussion on &quot;The Meaning of Never Again: Guarding Against a Nuclear Iran&quot; on Capitol Hill in Washington March 2, 2015. REUTERS\/Gary Cameron\/File Photo\" width=\"450\" height=\"362\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Elie-Wiesel-450x362.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Elie-Wiesel-300x241.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Elie-Wiesel.jpg 685w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Elie Wiesel, pr\u00eamio Nobel em 1986<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O fofoqueiro \u00e9 um contador incontido. Cada qual tem seu estilo e prefer\u00eancias expressas em performances variadas, mais ou menos constantes. E h\u00e1 segredos l\u00fadicos em tudo; e at\u00e9 det\u00eam hist\u00f3rias as bulas de rem\u00e9dios, as bengalas dos velhos, a raiz quadrada. E como \u00e9 bom pensar nas receitas de fam\u00edlia, nos pratos t\u00edpicos de lugares sempre ut\u00f3picos. Tudo, tudo pode ser motivo de fabula\u00e7\u00f5es contextualizadas ou impl\u00edcitas. Os casos v\u00e3o al\u00e9m das palavras ditas ou escritas, ganham dimens\u00e3o de cura, gosto, cheiro.<\/p>\n<p>Tr\u00eas elementos que se complementam e em pares se harmonizam para o sucesso dessas apresenta\u00e7\u00f5es que nos distinguem de todos seres viventes: a novidade\/revela\u00e7\u00e3o; a intriga\/motivo e a surpresa\/desfecho. Os efeitos sens\u00edveis tamb\u00e9m atuam neste circuito. Tais s\u00e3o as caracter\u00edsticas essenciais dos causos. E todos os enredos guardam algum ardil revelado na trama. Seja de uma ou outra forma, nenhuma \u00e9 inocente. Sabe, fico me perguntando: o que seria da vida sem as hist\u00f3rias que aprendi? E finalmente sou salvo por Elie Wiesel, pr\u00eamio Nobel em 1986, que dizia Deus criou a humanidade porque gosta de hist\u00f3rias. E eu gosto de Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De algum jeito, somos todos contadores de hist\u00f3rias. Uns mais exibidos, outros menos. 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