{"id":17695,"date":"2020-03-21T19:26:05","date_gmt":"2020-03-21T22:26:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=17695"},"modified":"2020-03-21T19:27:58","modified_gmt":"2020-03-21T22:27:58","slug":"meu-corpo-e-meu-daniel-aarao-reis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/meu-corpo-e-meu-daniel-aarao-reis\/","title":{"rendered":"Meu corpo \u00e9 meu (Daniel Aar\u00e3o Reis)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Historiadora Leyla Dakhli escreveu sobre quatro \u201cfilhas\u201d da Primavera \u00c1rabe<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Quatro mulheres, de trajet\u00f3rias bem diferentes. Sem se conhecerem, compartilham lutas e demandas comuns<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A frase \u2014 curta e grossa \u2014 apareceu escrita no peito nu de Amina Sboui. Em complemento, encadeava-se uma outra: \u201cE n\u00e3o pertence \u00e0 honra de ningu\u00e9m\u201d. Seios de fora, cabelos curtos, batom vermelho claro nos l\u00e1bios, recostada, irreverente, apertada num jeans bem abaixo do umbigo, um cigarro na m\u00e3o, um livro na outra, o ar desafiador, a postagem viralizou nas m\u00eddias sociais e provocou um efeito devastador nos meios patriarcais da Tun\u00edsia e de todo o mundo \u00e1rabe, enfurecendo os conservadores e animando os jovens comprometidos com propostas alternativas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Amina-Sboui.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17696\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Amina-Sboui.jpg\" alt=\"Amina Sboui\" width=\"410\" height=\"401\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Amina-Sboui.jpg 410w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Amina-Sboui-300x293.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Amina Sboui chocou quando mostrou o peito a frase &#8220;Meu corpo \u00e9 meu&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A historiadora Leyla Dakhli escreveu um ensaio sobre as mulheres \u201cfilhas\u201d da Primavera \u00c1rabe, designa\u00e7\u00e3o para os movimentos sociais democr\u00e1ticos que, em 2011, abalaram ditaduras e regimes autorit\u00e1rios em todo o mundo \u00e1rabe, em especial, na Tun\u00edsia, no Egito, na L\u00edbia e na S\u00edria. \u00c9 certo que os resultados imediatos n\u00e3o corresponderam \u00e0s esperan\u00e7as suscitadas, apenas na Tun\u00edsia foi poss\u00edvel chegar a uma abertura institucionalizada. Entretanto, embora reprimida e contida, a Primavera lan\u00e7ou sementes que continuam a germinar. Basta ver as lutas emancipat\u00f3rias que se desenrolam agora \u2014 e com not\u00e1vel for\u00e7a \u2014, na Arg\u00e9lia, no L\u00edbano, no Sud\u00e3o e no Iraque.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Amina, a historiadora relacionou mais tr\u00eas personagens, tamb\u00e9m expressivas, e que participam dos conflitos atuais: Samira Ibrahim, eg\u00edpcia; Malak Alaywe Herz, libanesa; e Alaa Salah, sudanesa. Samira Ibrahim, rosto s\u00e9rio, contido, v\u00e9u cobrindo os cabelos, mas deixando o rosto de fora, olhos determinados, ativista das manifesta\u00e7\u00f5es da Pra\u00e7a Tahir, no Cairo, que levaram \u00e0 derrubada da ditadura de Hosni Mubarak, um tirano que se eternizava no poder h\u00e1 30 anos. Nos embates que ent\u00e3o se travaram, as mulheres foram objeto de selvagem repress\u00e3o. Ora cercadas por gangues e policiais que batiam nelas e as estupravam, ora submetidas ao vexat\u00f3rio \u201cteste de virgindade\u201d, denunciaram as arbitrariedades do regime. Samira alcan\u00e7ou notoriedade \u2014 considerada, em 2012, uma das cem mulheres mais influentes do mundo \u2014 por abrir um processo contra o governo e contra o Ex\u00e9rcito, responsabilizando-os pelas exa\u00e7\u00f5es cometidas. A Justi\u00e7a afinal decretou a ilegalidade do \u201cteste\u201d infame.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Samira-Ibrahim.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-17697\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Samira-Ibrahim-450x253.jpg\" alt=\"Samira Ibrahim\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Samira-Ibrahim-450x253.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Samira-Ibrahim-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Samira-Ibrahim-768x432.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Samira-Ibrahim-750x420.jpg 750w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Samira-Ibrahim-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Samira-Ibrahim.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Eg\u00edpicia Samira Ibrahim participou da\u00a0derrubada da ditadura de Hosni Mubarak<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Malak Herz, com seus longos cabelos crespos, derramando-se sobre os ombros, sorriso contagiante num rosto grande, fez-se conhecida no contexto das manifesta\u00e7\u00f5es que agitam ideias e institui\u00e7\u00f5es na sociedade libanesa. Em Beirute, no curso de um protesto, a pol\u00edcia, como de h\u00e1bito, descia o cacete nas gentes. Um fragmento de filme flagrou o exato momento em que Malak, vestida de jeans, amea\u00e7ada por um tira armado com um fuzil kalachnikov, que avan\u00e7a sobre ela, em vez de fugir, o enfrenta. Apoia-se na perna direita e abre um \u00e2ngulo reto com a perna esquerda, como se fora uma capoeira, e chuta os colh\u00f5es do policial, fazendo-o retroceder.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Malak-Alaywe-Herz.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-17698 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Malak-Alaywe-Herz-299x450.jpg\" alt=\"Mandatory Credit: Photo by WAEL HAMZEH\/EPA-EFE\/Shutterstock (10489846c) Malak Alaywe Herz, the woman who became an icon of the Lebanese uprising when she kicked a minister's bodyguard, looks on during an interview in Beirut, Lebanon, 30 November 2019 (issued 02 December 2019). A kick in between the legs of an armed bodyguard of the Lebanese Education Minister Akram Chehayeb made Herz a symbol of the rebel spirit of the uprising, which erupted on 17 October. The incident has been immortalized in the collective memory of the Lebanese and through graffiti on walls across the Middle Eastern state. Feminist icon of Lebanon's uprising, Beirut - 30 Nov 2019\" width=\"299\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Malak-Alaywe-Herz-299x450.jpg 299w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Malak-Alaywe-Herz-200x300.jpg 200w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Malak-Alaywe-Herz-768x1154.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Malak-Alaywe-Herz.jpg 998w\" sizes=\"auto, (max-width: 299px) 100vw, 299px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Libanesa Malak Herz deu chute de capoeira no saco de um policial<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Alaa Salah incorpora outro tipo, vestida de branco, cabe\u00e7a coberta, rosto \u00e0 mostra, fala persuasiva. Virou not\u00edcia discursando, cantando, ritmando palavras de ordem, em cima do teto de um carro, em frente ao quartel-general do Ex\u00e9rcito sudan\u00eas. Encorajando as pessoas a permanecerem na luta por seus interesses e reivindica\u00e7\u00f5es. N\u00e3o sem raz\u00e3o, os manifestantes a chamam por v\u00e1rios apelidos carinhosos: \u201crainha N\u00fabia\u201d, \u201cmulher de branco\u201d ou \u201csenhora liberdade\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Alaa-Salah.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-17699\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Alaa-Salah-263x450.jpg\" alt=\"Alaa Salah\" width=\"263\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Alaa-Salah-263x450.jpg 263w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Alaa-Salah-175x300.jpg 175w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Alaa-Salah.jpg 580w\" sizes=\"auto, (max-width: 263px) 100vw, 263px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>A sudanesa\u00a0Alaa Salah discursava no teto de um autom\u00f3vel<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Quatro mulheres, de trajet\u00f3rias bem diferentes, de diversos pa\u00edses, extra\u00e7\u00f5es sociais e voca\u00e7\u00f5es profissionais. Sem se conhecerem, compartilham lutas e demandas comuns, democr\u00e1ticas. Uma democracia, por\u00e9m, que, para ser digna deste t\u00edtulo, reconhe\u00e7a e integre os direitos das mulheres, emancipadas, enfim, dos lugares e pap\u00e9is \u2014 submissos \u2014 consagrados pelas tradi\u00e7\u00f5es conservadoras. Estas mulheres rejeitam a condi\u00e7\u00e3o de \u201c\u00edcones\u201d que as m\u00eddias e redes sociais lhes querem atribuir. Preferem ver-se como participantes de um movimento vivo, que n\u00e3o quer e se recusa a sair de cena.<\/p>\n<p>Uma inscri\u00e7\u00e3o nos muros de Bagd\u00e1 resume bem suas aspira\u00e7\u00f5es: \u201crevolte-se (no feminino), porque a revolu\u00e7\u00e3o existe no feminino\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Historiadora Leyla Dakhli escreveu sobre quatro \u201cfilhas\u201d da Primavera \u00c1rabe Quatro mulheres, de trajet\u00f3rias bem diferentes. 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