{"id":17597,"date":"2020-02-21T15:00:58","date_gmt":"2020-02-21T18:00:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=17597"},"modified":"2020-02-21T15:00:58","modified_gmt":"2020-02-21T18:00:58","slug":"qual-o-verbo-do-carnaval-brincar-pular-ou-desfilar-mestre-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/qual-o-verbo-do-carnaval-brincar-pular-ou-desfilar-mestre-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"Qual o verbo do carnaval: brincar, pular ou desfilar?  (Mestre JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Para Carl Schmertmann <\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na velocidade dos acontecimentos, na vertigem das comunica\u00e7\u00f5es aceleradas pelos avan\u00e7os eletr\u00f4nicos, as ci\u00eancias humanas t\u00eam exercitado um <em>verbo transitivo<\/em> que poderia parecer doido at\u00e9 pouco tempo \u201c<em>ressignificar<\/em>\u201d. Pois bem, vou tentar dar <em>novo significado<\/em> para uma antiga discuss\u00e3o: o papel do carnaval dividido entre a alegria e o julgamento pol\u00edtico. Antes do <em>bla-bla-bla<\/em> acad\u00eamico, preciso dizer que mandei o artigo <em>\u201cA VERDADE VOS FAR\u00c1 LIVRE: e ent\u00e3o \u00e9 carnaval, eh?!\u201d <\/em>para uma lista de ex-alunos estrangeiros. Para encurtar a longa hist\u00f3ria, trata-se de uma turma de ent\u00e3o jovens norte-americanos, estudantes na USP h\u00e1 40 anos. Imagine&#8230;<\/p>\n<p>Foi postar o texto e uma pergunta repontar instigante \u201c<em>JC, voc\u00ea quer dizer que o tom do Carnaval mudou?<\/em>\u201d, E sagaz, n\u00e3o satisfeito, prosseguiu \u201c<em>A cr\u00edtica social e pol\u00edtica continua (por ex. no enredo da Mangueira), mas o bom humor, os coment\u00e1rios irreverentes, e um certo esp\u00edrito comunal j\u00e1 passaram?<\/em>\u201d. E me crucificou com um fatal \u201c<em>\u00c9 isto?<\/em>\u201d. Gelei&#8230; Gelei, mas depois de ruminar ideias, ajustar teorias, me vi pronto para responder. E n\u00e3o poderia ser por whatsapp&#8230;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Imperio-Serrano.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-17599\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Imperio-Serrano-300x450.jpg\" alt=\"Imperio Serrano\" width=\"300\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Imperio-Serrano-300x450.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Imperio-Serrano-200x300.jpg 200w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Imperio-Serrano.jpg 639w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Imp\u00e9rio Serrano aborda os costumes ao destacar que Lugar de Mulher \u00c9 Onde Ela Quiser<\/strong><\/em><\/p>\n<p>As duas propostas mais vigorosas em termos de interpreta\u00e7\u00e3o cultural do nosso carnaval remetem ao significado impl\u00edcito do evento no calend\u00e1rio. Lembremos com Jorge Amado que somos assinalados como o \u201c<em>Pa\u00eds do Carnaval<\/em>\u201d (o \u201ccacau\u201d e o \u201csuor\u201d v\u00eam depois). E conv\u00e9m lembrar que a relev\u00e2ncia da festa no calend\u00e1rio nacional independe das poss\u00edveis origens, da estrutura festiva, das variedades de manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Roberto DaMatta \u00e9 o mais popular tradutor da vis\u00e3o dos dias momescos como o inverso do cotidiano. Renato Ortiz valoriza o avesso disto, professando que, pelo contr\u00e1rio, o carnaval reafirma o cotidiano, n\u00e3o desmente nada. No primeiro caso, a permiss\u00e3o, a licen\u00e7a irreverente, a picardia t\u00eam todo espa\u00e7o para exercer a fun\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, livre e democr\u00e1tica, sem censura. Sob outra chave, o alvar\u00e1 anal\u00edtico de Ortiz desafia situa\u00e7\u00f5es e fatos sem que, contudo, deixem de existir as institui\u00e7\u00f5es que autorizam tais f\u00f3rmulas. Para DaMatta, cria-se um espa\u00e7o de absoluto livre-arb\u00edtrio, onde o <em>n\u00e3o limite \u00e9 o limite das coisas<\/em>. Ortiz, muito mais severo, demonstra que o Estado continua existindo, as institui\u00e7\u00f5es de controle e atendimento tamb\u00e9m (policiamento, hospitais, meios de transportes, turismo&#8230;). Ent\u00e3o, delineadas as matrizes problematizadoras da relev\u00e2ncia sociocultural da programa\u00e7\u00e3o carnavalesca, resta perguntar, mas e da\u00ed? Cr\u00edtica ou irrever\u00eancia; goza\u00e7\u00e3o ou teor pol\u00edtico? Certamente n\u00e3o vale empatar o jogo e cair na simplifica\u00e7\u00e3o \u201cah, os dois\u201d ou \u201cno Brasil tudo pode\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Cristo-da-Mangueira.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-17598\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Cristo-da-Mangueira-450x253.jpg\" alt=\"Cristo da Mangueira\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Cristo-da-Mangueira-450x253.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Cristo-da-Mangueira-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Cristo-da-Mangueira.jpg 678w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>As representa\u00e7\u00f5es da Esta\u00e7\u00e3o Primeira t\u00eam incomodado os carolas<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O famoso jeitinho (outra vez Roberto DaMatta) \u00e9 a sa\u00edda f\u00e1cil e at\u00e9 hist\u00f3rica. Quando n\u00e3o nos damos o direito de profundidade, abrimos a comporta do <em>vale tudo ou do tudo junto e misturado<\/em>. Pensando na responsabilidade de uma resposta algo mais rigorosa, levando em conta o momento pol\u00edtico que atravessamos, optei por hierarquizar os argumentos. Para mim, em primeiro lugar, independente da irrever\u00eancia inerente \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es de rua (portanto aos blocos que se multiplicam espantosamente), as Escolas de Samba t\u00eam assumido o tal tom cr\u00edtico, pol\u00edtico, \u00e1cido e eficaz em sua abrang\u00eancia. Vive-se um pouco um <em>jogo de atacado e varejo<\/em>. No geral, no atacado, para significar o carnaval em sua legitimidade brasileira, \u00e9 o enredo das Escolas de Samba que vale mais, que manda o recado, que diz o que quer dizer. No fanfarr\u00e3o, na alegria isolada do varejo, sem se constituir em proposta organizada, previamente articulada e com enredo, s\u00e3o os cord\u00f5es, as bandas, os corsos que d\u00e3o conta e se bastam.<\/p>\n<p>Interessa neste ponto considerar o uso corriqueiro dos termos \u201cbrincar carnaval\u201d, \u201cpular carnaval\u201d e \u201cdesfilar em Escola de samba\u201d. Veja que n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos. N\u00e3o!&#8230; <em>Brincar<\/em>, se brinca em blocos, nas ruas, sem muito ordenamento ou pontos a serem somados em concursos, julgados por jurados especializados e em tempo regulado. <em>Pular<\/em>, se pula em sal\u00f5es fechados, em clubes e com controle institucional apenas. <em>Desfilar<\/em>, ah desfilar&#8230; Desfilar \u00e9 em Escola de samba, com enredo escolhido e planejado ao longo de meses, com investimento de cartolas, carnavalescos profissionais. E aqui vale a porosidade c\u00edvica que se traveste de deboche para dizer o que tem que ser dito e, tomando o Rio de Janeiro como padr\u00e3o, mostrado mundialmente.<\/p>\n<p>Pode-se pular ou brincar o carnaval, mas, em termos de sali\u00eancia e pertencimento comunal, \u00e9 a Escola de samba que d\u00e1 o tom. Viva, a Mangueira que manda o recado <em>\u201cA VERDADE VOS FAR\u00c1 LIVRE\u201d.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Para Carl Schmertmann Na velocidade dos acontecimentos, na vertigem das comunica\u00e7\u00f5es aceleradas pelos avan\u00e7os eletr\u00f4nicos, as ci\u00eancias humanas t\u00eam exercitado um verbo transitivo que &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17600,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17597","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17597","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17597"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17597\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17601,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17597\/revisions\/17601"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17600"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17597"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17597"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17597"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}