{"id":17534,"date":"2020-02-04T16:24:40","date_gmt":"2020-02-04T19:24:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=17534"},"modified":"2020-02-04T16:24:40","modified_gmt":"2020-02-04T19:24:40","slug":"a-terceira-margem-daniel-aarao-reis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/a-terceira-margem-daniel-aarao-reis\/","title":{"rendered":"A terceira margem (Daniel Aar\u00e3o Reis)"},"content":{"rendered":"<p>Era noite alta, em Washington, no dia 2 de janeiro passado quando um comunicado do Pent\u00e1gono anunciou que o \u201cEx\u00e9rcito americano tomou medidas defensivas&#8230; matando o general Qassem Soleimani, sob ordem do presidente dos Estados Unidos\u201d. Na manh\u00e3 seguinte, Trump declarou que o general deveria ter sido eliminado \u201ch\u00e1 anos\u201d, acusando-o de respons\u00e1vel pela morte de \u201cmilh\u00f5es de pessoas\u201d. O homem chefiava uma tropa de elite iraniana \u2014 Al-Quds, que \u00e9 como os \u00e1rabes chamam Jerusal\u00e9m \u2014, com atua\u00e7\u00e3o destacada nos enfrentamentos que se verificam na regi\u00e3o desde os anos 1980.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/General-Qassem-Soleimani.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-17535\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/General-Qassem-Soleimani-450x300.jpg\" alt=\"General Qassem Soleimani\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/General-Qassem-Soleimani-450x300.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/General-Qassem-Soleimani-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/General-Qassem-Soleimani.jpg 685w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Trump ordenou a morte do general Soleimani, chefe da tropa de elite do Ir\u00e3<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O assassinato chocou o mundo.<\/p>\n<p>Por ser um ato de guerra sem declara\u00e7\u00e3o pr\u00e9via. Por ter sido executado em Bagd\u00e1, no Iraque, cujo governo \u2014 aliado dos EUA \u2014 sequer foi consultado ou avisado. Por ter visado um alto personagem, quebrando tradi\u00e7\u00e3o de respeito devido mesmo entre inimigos.<\/p>\n<p>Enquanto lideran\u00e7as em todo o mundo procuravam compreender, sem conseguir, o que acontecia, nos pr\u00f3prios Estados Unidos reinava a confus\u00e3o. Alguns perdiam-se em bravatas, como o senador Lindsey Graham: \u201cSe eles quiserem mais, v\u00e3o ter\u201d. J\u00e1 o secret\u00e1rio de Estado, Mike Pompeo, garantia que n\u00e3o havia inten\u00e7\u00e3o de \u201cescalar\u201d (sic) o conflito. Entre os democratas, Joe Biden ponderava que, se o objetivo de Trump foi o de dissuadir o inimigo, \u201ca a\u00e7\u00e3o quase na certa ter\u00e1 efeito inverso\u201d, pois \u201cfoi como jogar dinamite num paiol de explosivos\u201d. E cobrou uma explica\u00e7\u00e3o sobre a estrat\u00e9gia presidencial. Esta, no entanto, segundo avalia\u00e7\u00e3o geral, era \u201cileg\u00edvel\u201d, ou seja, n\u00e3o havia estrat\u00e9gia alguma. Em rea\u00e7\u00e3o, o l\u00edder religioso, Ali Khamenei, prometeu \u201cuma vingan\u00e7a feroz\u201d contra os assassinos. O presidente do pa\u00eds, mais moderado, qualificou a a\u00e7\u00e3o de \u201cextrema e perigosa\u201d, responsabilizando os Estados Unidos pelas \u201cconsequ\u00eancias de seu aventureirismo sem escr\u00fapulo\u201d. Multid\u00f5es imensas chorando, enlutadas, homenagearam o \u201cm\u00e1rtir\u201d.<\/p>\n<p>O assassinato foi algo in\u00e9dito num conflito que se estende h\u00e1 anos, desde que a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de 1979, que derrubou a ditadura sanguin\u00e1ria do x\u00e1 Reza Pahlavi, aliada dos EUA, foi apropriada por uma n\u00e3o menos brutal ditadura teocr\u00e1tica. Reprimindo sem piedade as oposi\u00e7\u00f5es e matando seus l\u00edderes, os cl\u00e9rigos tomaram as r\u00e9deas do pa\u00eds, e adotaram um plano messi\u00e2nico com dois objetivos: reequilibrar as rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a entre as tend\u00eancias mu\u00e7ulmanas xiita e sunita; e, mais importante, derrotar o Estado de Israel, considerado um \u201cintruso\u201d e aliado dos EUA.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Joe-Biden.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-17536\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Joe-Biden-450x270.jpg\" alt=\"Joe Biden\" width=\"450\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Joe-Biden-450x270.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Joe-Biden-300x180.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Joe-Biden-768x461.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Joe-Biden.jpg 1086w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Para Joe Biden,\u00a0\u201ca a\u00e7\u00e3o quase na certa ter\u00e1 efeito inverso\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Em 2015, um tratado internacional, envolvendo Ir\u00e3, EUA, estados europeus, R\u00fassia e China, atenuou as contradi\u00e7\u00f5es, ao proibir o Ir\u00e3 de desenvolver armas at\u00f4micas. Em troca, suspenderam-se as san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que asfixiavam o pa\u00eds. Criou-se, al\u00e9m disso, uma inesperada converg\u00eancia de interesses, pois o Ir\u00e3 e EUA passaram a ter um inimigo comum destru\u00eddo por ambos, o Estado Isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>Trump, no entanto, desde a campanha eleitoral, denunciara o acordo como lesivo aos interesses nacionais. Em 2018, retirou-se do mesmo e determinou san\u00e7\u00f5es piores das que existiam. Come\u00e7ou ent\u00e3o um jogo pesado de a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es conduzindo a \u00e1rea a um abismo de conflitos imprevis\u00edveis. O assassinato de Soleimani foi o pen\u00faltimo ato deste drama. O \u00faltimo foram os m\u00edsseis lan\u00e7ados pelo Ir\u00e3 contra bases americanas, que, de modo misterioso, n\u00e3o provocaram nenhuma v\u00edtima.<\/p>\n<p>Nada indica que as coisas ficar\u00e3o por a\u00ed. Ou que v\u00e3o melhorar. Ao contr\u00e1rio, espera-se um acirramento das contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Trump.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-17537\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Trump-450x338.jpg\" alt=\"Trump\" width=\"450\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Trump-450x338.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Trump-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Trump.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>N\u00e3o h\u00e1 escolha entre Trump e a teocracia iraniana<\/strong><\/em><\/p>\n<p>E a\u00ed, de que lado ficar? Com Trump, que vai \u00e0 guerra sem consultar ningu\u00e9m e sem estrat\u00e9gia definida? Ou com a teocracia sem limites do Ir\u00e3? Face aos dois polos, mais aconselh\u00e1vel \u00e9 esperar que os eleitores americanos tirem Trump do poder e que a popula\u00e7\u00e3o iraniana derrube de vez a ditadura religiosa que tiraniza o pa\u00eds. Enquanto isso, observar o conselho do antigo pastor: \u201centre dois males, n\u00e3o escolha nenhum\u201d.<\/p>\n<p>Ou fazer como o personagem de Guimar\u00e3es Rosa, ir para o meio do rio e, de l\u00e1, falar enigmaticamente que passou a existir uma terceira margem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era noite alta, em Washington, no dia 2 de janeiro passado quando um comunicado do Pent\u00e1gono anunciou que o \u201cEx\u00e9rcito americano tomou medidas defensivas&#8230; matando &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17538,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17534","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17534","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17534"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17534\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17539,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17534\/revisions\/17539"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17538"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17534"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17534"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17534"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}