{"id":17500,"date":"2020-01-28T11:54:21","date_gmt":"2020-01-28T14:54:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=17500"},"modified":"2020-01-28T11:55:53","modified_gmt":"2020-01-28T14:55:53","slug":"nosso-medo-de-cada-dia-fobias-e-silencios-jose-carlos-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/nosso-medo-de-cada-dia-fobias-e-silencios-jose-carlos-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"NOSSO MEDO DE CADA DIA: fobias e sil\u00eancios (Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Fiquei muito curioso. Vi uma cena de divulga\u00e7\u00e3o de nova novela televisiva na qual uma personagem urbana, a contragosto reclusa numa fazenda, apavorada, corre de medo de uma galinha (alectrofobia). Que, coisa estranha, pensei. Ser\u00e1 que isto existe mesmo? Foi quando ent\u00e3o declinei alguns p\u00e2nicos mais identific\u00e1veis na popula\u00e7\u00e3o em geral, como asco de: barata (catsaridafobia) , cobra (ofidiofobia), aranha (aracnofobia), baleia (cetafobia). Alguns temores s\u00e3o amb\u00edguos e polarizados na chave da cultura como o avesso da paix\u00e3o por cachorros (cinodobia), e, imaginem, fiquei espantado ao saber que Hitler e Napole\u00e3o tinham avers\u00e3o a gatos (ailurofobia). Exagerados, ampliando o leque, existem os que s\u00e3o \u201czoof\u00f3bicos\u201d, pessoas que temem todos os animais.<\/p>\n<p>H\u00e1 casos mais graves como aqueles que se apavoram frente aos gordos (cacomorfobia), ou entram em desespero ao perceber roupas com bot\u00f5es ou abotoadas (koumpounophobia). Confesso que n\u00e3o sabia de medo de coisas pequenas (microfobia), e n\u00e3o desconfiava que objetos ou espa\u00e7os grandes aturdiam (macrofobia).<\/p>\n<p>Estava envolvido no entendimento de tais p\u00e2nicos quando me permiti pensar numa ladainha pessoal. Parti do suposto que h\u00e1 profundidades insond\u00e1veis nessas manifesta\u00e7\u00f5es. Talvez \u2013 de maneira clemente comigo mesmo \u2013 tivesse sido muito defensivo ao me vangloriar de n\u00e3o ter medo de altura (aerofobia) como tem\u00a05% da popula\u00e7\u00e3o. Estranhei ter not\u00edcias que temor a trov\u00e3o \u00e9 mais comum do que supunha, pois acho a tal \u201ctinotrofobia\u201d espetacular. Pareceu-me esquisito a \u201cmonofobia\u201d, ou medo de ficar, comer, se alimentar ou beber sozinho. Senti-me aberra\u00e7\u00e3o ao notar que existe a \u201cantropofobia\u201d que tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como \u201cdemofobia\u201d, ou seja, medo de multid\u00f5es, ah! gosto muito de estar em est\u00e1dios de futebol, na assist\u00eancia de escolas de samba, de ver o p\u00fablico denso saindo de metr\u00f4s.<\/p>\n<p>Nunca padeci da tal \u201ccacorrafiofobia\u201d, ou medo do sucesso, at\u00e9 pelo contr\u00e1rio sem exagero, gosto de ser reconhecido pelo meu trabalho. E tenho outros contrastes, pois sempre gostei de p\u00e1ssaros, oposto de tantos que s\u00e3o \u201cornitof\u00f3bicos\u201d seres que nem podem pensar em asas, penas, bichos que voam. Talvez por ser do signo de peixes tamb\u00e9m n\u00e3o me conformo com quantos temem \u00e1gua (aquafobia), e nem mesmo com \u201cgefirob\u00f3bicos\u201d, pessoas que t\u00eam temor a pontes.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Ornitofobico.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17501\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Ornitofobico.jpg\" alt=\"Ornitofobico\" width=\"297\" height=\"170\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Medo de aves? Pode ser ornitofobia<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Quase tive um ataque quando soube que existem \u201ctriscaidecafobia\u201d, ou seja, tipos que t\u00eam horror ao n\u00famero 13, sinceramente, quase gargalhei ao lembrar que nos Estados Unidos os elevadores n\u00e3o t\u00eam o tal n\u00famero azarado. \u00c9 poss\u00edvel que muitas pessoas tamb\u00e9m custem a acreditar que existam pessoas que padecem de \u201chipopotomonstrosesquipedaliofobia\u201d, ou seja, medo de palavras longas demais.<\/p>\n<p>Fiquei exultante ao saber que n\u00e3o sou \u201cnictof\u00f3bico\u201d, n\u00e3o tenho avers\u00e3o a escuro e nem sou \u201cagoraf\u00f3bico\u201d, ou seja, quem tem avers\u00e3o a espa\u00e7os abertos. Ali\u00e1s, o reverso disto \u00e9 \u201cclaustofobia\u201d, ou temor a espa\u00e7os pequenos e apertados como elevadores e locais fechados. Acho, diga-se que \u201cmisofobia\u201d, pavor de bact\u00e9rias e germes \u2013 as tais pessoas que exageram muito na higiene pessoal. \u201cTripofobia\u201d, ou seja, medo de buracos\u00a0me afigura exc\u00eantrico, mas bastante comum e nem podem ouvir a palavra precip\u00edcio. Na mesma linha devo salientar que tenho conhecidos que s\u00e3o \u201ccancinof\u00f3bicos\u201d e que acham que mais cedo ou mais tarde ser\u00e3o v\u00edtimas da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Reconhe\u00e7o com facilidade a cultura anti \u201ctanaf\u00f3bica\u201d, avessa \u00e0 vasta legi\u00e3o dos seres que t\u00eam medo da morte. H\u00e1 graus menores destes receios, como os \u201ctripan\u00f3fobos\u201d que temem agulhas e tamb\u00e9m os \u201chem\u00f3fibos\u201d que n\u00e3o podem ver sangue. Tudo sugere que ter medo de ser abandonado (autofobia) \u00e9 mais frequente do que se pensa. Quase n\u00e3o acreditei quando me veio a not\u00edcia de \u201ckinemortof\u00f3bicos\u201d, ou seja, medo de virar Zumbi.<\/p>\n<p>De todas as fobias, creio, a mais comentada hoje \u00e9 \u201chomofobia\u201d e, combinemos, nada mais oportuno para exame de nossa cultura patriarcal e velha.<\/p>\n<p>Mas, nem pensem que a lista parou por a\u00ed. Os dicion\u00e1rios guardam mais de 300 palavras relacionadas a p\u00e2nicos, ascos, nojos, medos cr\u00f4nicos. Imaginem que existe at\u00e9 um que explica todos, ou seja a \u201cphobophobia\u201d, o rei dos receios, aquele que guarda o conte\u00fado maior dos p\u00e2nicos ou o medo de ter medos.<a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Fronemofobia.jpg\"><br \/>\n<\/a> <a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Silencio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-17503\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Silencio-360x450.jpg\" alt=\"Silencio\" width=\"360\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Silencio-360x450.jpg 360w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Silencio-240x300.jpg 240w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Silencio.jpg 564w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/a><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Silencio.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Fronemof\u00f3bico pode ser quem tem o medo sil\u00eancio ou o\u00a0medo de pensar<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Mas \u00e9 preciso ir al\u00e9m da curiosidade ou do pitoresco. Cabe pensar nas raz\u00f5es dos temores. \u00c9 dito pelas linhas psicanal\u00edticas que em muitos casos ter fobias \u00e9 uma forma defensiva de se arriscar ou se expor aos perigos. Sem d\u00favidas, h\u00e1 verdades nisto, mas o que se estranha \u00e9 a pouca refer\u00eancia que damos a esses detalhes de nossa vida.<\/p>\n<p>Meditando sobre essas coisas me surpreendi ao questionar pessoas bem pr\u00f3ximas e ver que, al\u00e9m dos receios comuns \u2013 baratas, cobras, aranhas e escorpi\u00f5es &#8211;\u00a0 n\u00e3o sou \u00fanico a desconhecer detalhes que s\u00e3o importantes para seres t\u00e3o pr\u00f3ximos. J\u00e1 que abri esta cr\u00f4nica falando de curiosidades, gastei um tempo consider\u00e1vel supondo as fobias de pessoas que amo. Fui al\u00e9m, me diverti imaginando o que parentes e amigos pensariam das minhas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fiquei muito curioso. Vi uma cena de divulga\u00e7\u00e3o de nova novela televisiva na qual uma personagem urbana, a contragosto reclusa numa fazenda, apavorada, corre de &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17502,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17500","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17500","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17500"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17500\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17506,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17500\/revisions\/17506"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17502"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17500"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17500"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17500"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}